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Alemanha

CPI da Mentira prova que verdade é algo subjetivo

Oficialmente, CPI da Mentira conclui que chanceler federal e ministros não faltaram com a verdade às vésperas da eleição de 2002, mas oposição está certa do contrário e satisfeita com os progressos na conduta do governo.

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Maioria governista decidiu que Eichel e Schröder não mentiram

Após quase um ano de criação, a CPI da Mentira Eleitoral encerrou suas atividades quase como começou. Os conservadores reafirmam ter havido fraude eleitoral no pleito federal de setembro de 2002, pois o governo teria omitido do eleitorado informações vitais sobre a verdadeira situação financeira do país e assim, indiretamente, manipulado o resultado. Para a coalizão social-democrata e verde, a acusação não tem o menor cabimento.

O relatório final foi aprovado pela maioria governista na Comissão Parlamentar de Inquérito. Após ouvir 30 depoimentos – inclusive do chanceler federal Gerhard Schröder e do ministro das Finanças, Hans Eichel –, a CPI não teria encontrado qualquer prova de que o governo mentiu ou iludiu o eleitorado. Líder dos social-democratas na comissão, o deputado Florian Pronold, acha que a oposição só requereu a CPI para tirar proveito político na eleição estadual de Hessen. Após a votação em fevereiro, "o interesse pela comissão caiu rapidamente", diz o parlamentar do SPD.

"Informações falsas e incompletas"

A União Democrata Cristã (CDU) e a União Social Cristã (CSU) vêem-se igualmente como vitoriosas. Para os dois partidos conservadores, "o trabalho da comissão foi um dos mais curtos e mais bem sucedidos da história parlamentar alemã", pois teria feito grandes revelações à opinião pública. Segundo CDU e CSU, a CPI comprovou que membros do governo forneceram várias vezes informações falsas e incompletas ao parlamento e à opinião pública.

O ministro das Finanças teria defendido até a eleição sua previsão de novo endividamento em 21,1 bilhões de euros em 2002, mesmo sabendo que seus técnicos trabalhavam desde julho com a cifra de 33 bilhões. Eichel igualmente só teria admitido publicamente que não cumpriria o limite de déficit de 3% do PIB depois do pleito, enquanto seu ministério dois meses antes já projetasse até 3,5%.

Da mesma forma, os titulares do Trabalho e da Saúde prometiam a estabilidade das contribuições previdenciárias e para o sistema de saúde, apesar de seus auxiliares não acreditarem mais na hipótese desde fins de junho e agosto respectivamente.

Oposição comemora

Embora o relatório final não constate oficialmente nenhuma malandragem do governo, a oposição conservadora comemora seus desdobramentos. O inquérito transcorreu de forma objetiva e técnica, evitando que o caso fosse levado à Justiça.

Além disso, a polêmica alterou a conduta de alguns ministérios, que estariam desde então mais cuidadosos em seu relacionamento com o Bundestag e a opinião pública, inclusive revendo publicamente mais cedo previsões ultrapassadas.

Mas embora a oposição veja tanto motivo para comemorar, de concreto tudo segue como dantes. E, como social-democratas e verdes têm igualmente maioria no parlamento federal, que discute o relatório no dia 11 de dezembro, será de admirar se esta briga política não acabar em pizza.

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