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Mundo

Corrupção e desemprego podem favorecer a direita

O desemprego e a corrupção em governos estaduais do SPD, o partido do chanceler federal, Gerhard Schröder, poderão favorecer a oposição de centro-direita na eleição parlamentar na Alemanha, em 22 de setembro.

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Gerhard Schröder e seu concorrente Edmund Stoiber, em entrevista ao jornal Bild

A taxa de desemprego aumentou de 8,9% em junho de 2001 para 9,5% no mesmo mês de 2002. Simultaneamente, o Ministério Público colocou em evidência mais um escândalo de corrupção envolvendo o maior partido da coalizão de governo federal. Antes disso, as pesquisas sobre intenções de voto já apontavam vantagem dos partidos de oposição de centro-direita sobre a situação de centro-esquerda.

Segundo uma pesquisa do Instituo Allensbach, aumentou a preferência do eleitorado pelo SPD e seu parceiro de coalizão, o Partido Verde, mas a oposição de centro-direita permanece na frente. Se a eleição tivesse sido domingo (7), os partidos irmãos União Democrata-Cristã (CDU), União Social Cristã (CSU) e o seu provável parceiro de coalizão, o Partido Liberal (FDP), teriam conquistado uma maioria de 51,4% e poderiam voltar ao poder que perderam para Schröder na última eleição parlamentar. O SPD e o Partido Verde teriam conquistado apenas 40,3% dos votos.

Pântano de corrupção

O prefeito social-democrata de Wuppertal, Hans Kremendahl, que quatro anos atrás criara uma comissão anticorrupção na administração de sua cidade, respeitada em todo o país, agora foi indiciado por suspeita de corrupção. Ele recebeu para a sua campanha eleitoral de 1999 uma doação de 500 mil marcos (equivalentes a 256 mil euros) do empreiteiro Uwe Cless, movido pelo interesse de obter vantagens financeiras mais tarde com obras públicas.

O prefeito Kremendahl, de 53 anos e formado em Ciências Políticas, havia voltado de Berlim em 1996, com fama de homem limpo e político íntegro disposto a enxugar o pântano de corrupção em sua terra natal Wuppertal. Agora ele próprio faz parte das estatísticas vergonhosas da comissão anticorrupção que criou. Ela listou desde 1996 exatamente 635 processos por causa de corrupção e propina.

A queixa-crime contra o prefeito acontece pouco depois da prisão de três figuras-chaves do escândalo de propina e doações ilegais milionárias no diretório do SPD de Colônia, na construção de um centro de incineração de lixo. No entanto, a imagem da oposição de centro-direita não é mais limpa.

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito do Parlamento em Berlim, que investigou o esquema de financiamento ilegal da CDU quando Helmut Kohl era presidente do partido e chanceler federal, concluiu que o governo do antecessor de Schröder foi corrupto. O próprio Kohl admitiu ter depositado dois milhões de marcos de doações ilegais à CDU em contas secretas na Suíça.

Promessa eleitoral e desemprego

Na campanha eleitoral que levou a coalizão social-democrata e Verde ao poder, em 1998, o atual chefe de governo, Schröder, disse que se o seu futuro gabinete não conseguisse reduzir o desemprego, não mereceria ser reeleito. Faltando 75 dias para a eleição, o Departamento Federal do Trabalho anunciou, nesta terça-feira (9) que, ao contrário do que sempre acontece em junho (verão europeu), o número de desocupados teve um acréscimo de quase oito mil no mês passado, em relação a maio. Com mais de 3,954 milhões de desempregados agora, a taxa de desemprego é de 9,5%. Em junho de 2001 era de 8,9%.

O número de desempregados era semelhante quando o governo anterior de coalizão entre CDU, CSU e FDP foi derrotado nas urnas, em 1998, depois de 16 anos no poder. Helmut Kohl vinha há anos repetindo a promessa de que reduziria o desemprego em 50%. Na reta final, nem ele parecia mais acreditar em sua velha ladainha. As estatísticas divulgadas hoje em Wiesbaden mostram que, assim como o seu antecessor de centro-direita, o social-democrata Gerhard Schröder não conseguiu cumprir sua promessa eleitoral de gerar empregos, apesar dos esforços envidados.

Guinada para a direita

A se confirmarem as previsões das pesquisas sobre intenções de voto, a Alemanha corre o risco de dar uma guinada para a direita, como aconteceu nas últimas eleições na União Européia. No início de 1999, só dois dos 15 países da UE (Espanha e Irlanda) não tinham governos social-democratas. Hoje, só restam governos de centro-esquerda na Grã-Bretanha, Suécia, Grécia e na Alemanha, pelo menos até o fim de setembro.

Uma eventual volta da CDU, CDU e do Partido LIberal ao governo em Berlim poderia resultar em anulação de reformas revolucionárias dos social-democratas e verdes. O concorrente de Schröder na eleição, Edmund Stoiber, já adiantou que se assumir o poder vai rever decisões como a renúncia à energia nuclear, o imposto ecológico e a lei de imigração, que quebrou o tabu de que a Alemanha não é um país de imigração e estabelece regras para atrair estrangeiros a fim de atender às necessidades do mercado de trabalho.