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Mundo

Corredores trambiqueiros

Correr em uma grande maratona é sinal de prestígio e vigor físico. Para muitos, porém, o que importa é chegar entre os primeiros. Se as pernas não ajudam, eles apelam para o jeitinho. São os corredores trambiqueiros.

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Maratona de Berlim

Milhares de pessoas treinam diariamente para participar de uma maratona. Elas fazem exercícios, correm e procuram manter uma dieta saudável. Mas existe aquele grupo que se prepara para uma corrida de outra maneira: maquinando como chegar entre os primeiros colocados sem fazer muito esforço físico.

Os truques para enganar os organizadores são incríveis. Mesmo assim, muitos acabam sendo pegos, como um corredor da maratona de Berlim que garantiu ter cumprido os primeiros 30 quilômetros da etapa descalço, por recomendação médica. Só depois ele teria calçado os tênis.

Essa desculpa não convenceu a comissão organizadora, que acabou desclassificando o suposto atleta. O que pesou nesta decisão foi o microchip plastificado, instalado no cadarço do tênis, que não registrou passagem nos pontos de contato espalhados pelo percurso. Esta técnica, que agora faz parte das principais maratonas da Alemanha, é uma medida para tentar pegar os vigaristas.

Marathonlauf an historischer Stätte

Maratonistas em Atenas

Mas nem a obrigatoriedade de usar o chip chega a intimidar os espertinhos. Para os "trambiqueiros do asfalto", faz parte do esporte tentar burlar a maratona e cruzar a linha de chegada sem estar tão acabado quantos os demais concorrentes. Eles estudam o trajeto e tentam encurtar caminho, por exemplo.

Nova moda?

A prática parece estar virando moda. Dos 38 mil que participaram da maratona de Berlim no ano passado, 127 foram desclassificados. Um número maior do que o registrado em 2002 (87) e quase o dobro do que em 2001 (74). Em Munique, 58 dos 9 mil corredores perderam o certificado de participação por fraude.

Para tentar acabar com o logro, os organizadores de importantes maratonas na Alemanha vão instalar em locais secretos os pontos de contato que registram a passagem do atleta através do chip colocado na parte superior do tênis. Na corrida de Munique, em meados de outubro, será feita vigilância nas vias de acesso às estações de metrô.

Imaginação corre solta

Uma coisa é certa: é preciso ter muita imaginação para enganar a comissão organizadora. O cadarço do tênis se rompeu e o chip teve que ser levado no pescoço. Pintou uma vontade incontrolável de fazer xixi e o jeito foi ir para o mato que "casualmente" ficava atrás do ponto de contato. Ou, o chip estragou temporariamente.

As desculpas são as mais variadas. E as estratégias também. Um corredor da maratona de Hamburgo decidiu largar de patins, para o empurrãozinho inicial. Uma história que já se tornou um clássico do trambique aconteceu em 1991, em Bruxelas. O argelino Abbes Tehami, vencedor da corrida, chamou a atenção dos participantes por ter largado com bigode e chegado de cara limpa.

Será que ele estava tão à frente que teve tempo de entrar em um barbeiro no meio do caminho? Que nada. Seu treinador iniciou a corrida e lá pela metade o verdadeiro atleta (?) continuou o percurso. Lépido e faceiro.

Perfil dos espertinhos

1. Freiburger Marathon

Maratona de Freiburg

O chip armazena também os dados do corredor. Mas isto não impede uma troca de tênis no meio do trajeto, uma vez que o importante é passar pelos pontos de contato. Os americanos já fizeram até um estudo para tentar descobrir o perfil dos trambiqueiros do asfalto. A maioria tem entre 40 e 60 anos, é do sexo masculino e está passando pela crise da meia-idade e, portanto, em busca de auto-afirmação.

O desejo dos organizadores de grande maratonas é conseguir acabar com a fraude, embora saibam que sempre haverá uma ovelha negra correndo entre os milhares de atletas. Só os casos mais evidentes é que acabam sendo punidos. Se todas as suspeitas fossem investigadas, acabaria colocando em risco a fama de uma corrida.

E é bom lembrar que os organizadores dependem do dinheiro arrecadado com a taxa de inscrição para maratonas, atualmente em torno de 50 euros por atleta. Portanto, quanto mais participantes, melhor. Sejam eles honestos ou não.

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