1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Dança

Coreógrafa alemã leva abstração corporal aos palcos de Fortaleza

Riki von Falken leva ao Brasil "Echo. It's a temporary thing", desenvolvido em Berlim ao lado do malaio Naim Syahrazad. Espetáculo faz parte de uma trilogia iniciada na Nova Zelândia.

Num ambiente com mais de 200 pratos e projeções de imagens, dois bailarinos de culturas diferentes – ela, alemã, e ele, malaio – buscam formas de combinar a energia das danças tradicionais e das artes marciais com a linguagem corporal abstrata da coreógrafa.

Essa é a premissa de Echo. It's a temporary thing, espetáculo desenvolvido por Riki von Falken e Naim Syahrazad, que passou pelo Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia em setembro e retorna ao Brasil para duas apresentações dentro da Bienal Internacional de Dança do Ceará.

O show é a última parte de uma trilogia iniciada na Nova Zelândia, que passou pela Malásia e finalmente chegou a Berlim. "O nome Echo é uma extensão do que a trilogia representa. Algo que está aqui num momento, mas depois não está mais. Para mim isso representa algo que não é fixo, que se renova", diz Falken em entrevista à DW Brasil.

Mestre dos solos

Desde o inicio dos anos 1990, Falken coreografa e dança suas próprias peças. Seus primeiros seis solos foram criados para espaços arquitetônicos específicos, onde ela desenvolveu uma forma clara e específica de equilibrar o mundo interior e exterior. Seu trabalho com o movimento é preciso, uma estrutura delicada que nunca perde o fluxo de energia.

Tanztheater - ECHO

Coreógrafa é conhecida por suas intensas peças solo

Na última década ela intensificou a exploração de espaços internos e da percepção, sempre trabalhando com a vulnerabilidade do corpo, de uma maneira leve e elegante. Seus movimentos de autoquestionamento tornaram a coreógrafa um dos grandes nomes de peças solo. A cooperação com outros artistas, porém, traz uma diferente força ao seu trabalho.

"O impulso que vem de outras pessoas é cheio de complexidade. Tenho que me abrir para receber essa informação e estabelecer uma troca. Todo esse complexo universo do outro é um grande influência. Essa conexão gera um impulso muito grande, de uma riqueza inigualável e isso torna meu trabalho mais complexo", explica a coreógrafa.

Rupturas de uma trilogia

Apesar de as peças serem independentes, o espetáculo que Falken apresenta no Brasil faz parte de uma trilogia que começou na Nova Zelândia, depois de uma experiência assustadora. "Tomei como base o contato que tive com um terremoto. O espetáculo é uma paisagem acústica coreografada. O movimento estava associado com a limitação do corpo, as rupturas, as marcas que o terremoto deixou no meu corpo", diz.

Depois da experiência com o terremoto na Nova Zelândia, ela fez uma conexão em Kuala Lumpur na Malásia, onde nasceu Echo II. Inspirada na dança tradicional malaia e nas artes marciais, a coreógrafa construiu a segunda parte da sua trilogia. "Foi um impulso que adquiri no país depois de presenciar a dança e o esporte e fiz a ligação com a abstração do movimento", afirma. Ela contou com a ajuda de oito bailarinos locais para o espetáculo.

Tanztheater - ECHO

Riki von Falken e Naim Syahrazad já haviam trabalhado juntos em Echo II, desenvolvido na Malásia

Entre os bailarinos estava Naim Syahrazad. "A gente se conhece há três anos. Ele foi meu aluno em 2010 e era um dos bailarinos com a qual eu realizei Echo II. Convidei Naim para vir a Berlim, como coreógrafo e bailarino, para desenvolver minha nova produção", conta.

Desconstruindo tradições

Assim nasceu Echo. It's a temporary thing, que para a coreógrafa foi uma continuação do impulso que começou com o terremoto e passou pela abstração da dança tradicional e do esporte, criando um novo espetáculo

"Usamos um vídeo que mostra a vida cotidiana na Malásia, os lugares onde as pessoas vivem, restaurantes onde comem. Essa narrativa é conectada com a ação abstrata que acontece no palco. Eu e o Naim nos movimentamos no meio de uma instalação construída com mais de 250 pratos", diz Falken.

As imagens do documentário, que faz parte da instalação multimídia que é o espetáculo, foram feitas pela própria coreógrafa na Malásia. Já a escolha dos pratos para a instalação é uma representação de uma tradição malaia.

Tanztheater - ECHO

A terceira parte da trilogia transforma a sala em uma instalação, com pratos e projeções

"Os pratos são uma abstração. Eles são usados em danças tradicionais em casamentos. Em Berlim, usei como elemento para transformar a sala em uma instalação. Naim desconstruiu a dança dos pratos. Queria pegar essa tradição e colocar em um novo contexto, criar algo novo através da interação com o objeto", esclarece.

O trabalho de Falken em Echo. It's a temporary thing é uma forma de transmitir experiências entre a relação do espaço, objeto e vídeo. "Essa relação tem uma conexão muito forte com diversos temas em nossas vidas", explica. "O espaço é um meio de comunicação, que através dos pratos, do filme e da instalação nos une com as pessoas na plateia".

Além de apresentar o espetáculo em Fortaleza, a alemã também vai ministrar um workshop, onde junto ao público destrinchará movimentos abstratos que fazem parte da terceira parte de sua trilogia: "Quero sensibilizar as pessoas com o meu método de trabalho. Fico feliz de ter algumas horas para criar um contato com os brasileiros e mostrar a minha linguagem corporal abstrata".

O espetáculo Echo. It's a temporary thing faz parte da Bienal Internacional de Dança do Ceará e tem duas apresentações em Fortaleza, nos dias 20 e 22 de outubro.

Leia mais