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Copa do Mundo

Copa terá guia que mostrará os "highspots" do racismo alemão

Entidade de africanos edita publicação que será distribuída aos povos que enfrentam barreiras contra a socialização na Alemanha. Brasileiros também são citados como alvos dos extremistas no país.

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As 'boas-vindas' dos neonazistas: guia dá dicas para evitar riscos em cidades como Berlim

Não será só de festa que sobreviverá a Copa do Mundo da Alemanha. O terrorismo, o preconceito e o racismo, em todas as suas esferas, também deverão marcar o evento, mesmo com segurança especializada.

Grupos extremistas projetam acontecimentos deste porte como "alvos perfeitos" para as suas reivindicações e para trazer à tona os seus conceitos, na maioria das vezes nocivos à sociedade.

Por isso, o Conselho Africano, uma organização comunitária africana na Alemanha, compilou o guia Não vá que foca, particularmente, áreas de Berlim e cidades do Leste do país, como Leipzig e Dresden, onde grupos neonazistas e extremistas de direita tradicionalmente se encontram.

Enquanto os locais de jogos da Alemanha e seus tradicionais rivais, como Inglaterra, Holanda e Polônia não são mencionados no guia, a publicação dá atenção especial às cidades que receberão seleções africanas, asiáticas e onde o Brasil, o Paraguai e o Equador irão jogar.

O Não vá, que avisa os torcedores que eles podem ser vítimas de ataques racistas caso permaneçam em determinados locais, surge em um período particularmente sensível na Alemanha.

Um alemão de descendência etíope é um dos casos mais recentes de agressão por motivos racistas. Ele havia sido atacado em Potsdam no domingo de Páscoa, sofrendo fraturas múltiplas e trauma cerebral.

O ataque a Ermyas Mulugeta causou alertas por todo o país de alemães que pedem urgência às providências políticas. A decisão do Conselho Africano de publicar o guia teria sido baseada nos interesses dos torcedores negros pela segurança durante o evento, elevados após o acontecimento em Potsdam.

Alerta

Abschiebung von Immigranten nach Senegal

Imigrantes africanos têm sido alvos dos extremistas

"Os negros na Alemanha têm enfrentado ataques racistas que vão de insultos verbais a assassinatos. Existem áreas onde negros simplesmente não estão seguros, mesmo para usar o transporte público", disse o presidente do Conselho, Moctar Kamara. "Por isso estamos alertando milhares de torcedores que vêm para a Alemanha".

Kamara emendou, afirmando que os atingidos não são apenas torcedores de países como Tunísia, Togo, Gana, Costa do Marfim ou Angola, mas todos aqueles que têm ascendência negra e que estarão no torneio, que será disputado entre 9 de junho e 9 de julho.

O guia menciona especialmente os subúrbios berlinenses de Hellersdorf-Marzahn, Köpenick e Pankow, e as ruas em volta das estações de trem Ostkreuz e Lichtenberg como potenciais áreas de perigo.

Os Estados de Brandemburgo e Saxônia-Anhalt, no Leste, também receberam menção especial devido à existência de grupos neonazistas e de extrema direita nestas áreas, cujas atividades são impulsionadas principalmente pela alta taxa de desemprego entre os jovens e suas ideologias.

Os temores sentidos pelos negros têm reflexo em estatísticas do governo alemão que mostram crescimento dos ataques ligados a atos de extrema direita no país. De acordo com o escritório federal alemão de proteção à Constituição, o número de incidentes relacionados a tais atos cresceu de 12 mil em 2004 para 14 mil em 2005.

Críticas

Comentários sobre o guia anunciam que os editores se enganaram em relação a algumas áreas, e defensores de seus Estados dizem que "em alguns locais existe mais xenofobia do que em outros".

"Existem incidentes de origem racista, mas eles acontecem em qualquer lugar. Não sei por que eles colocaram o nosso Estado com o pior exemplo", questionou Anja Trojahn, porta-voz da polícia de Magdeburg, capital da Saxônia-Anhalt.

Um comunicado do governo alemão chama o guia de "absurdo" e o acusa de "causar pânico enquanto anúncios da polícia de Berlim garantem aos torcedores que não existem áreas que não devem ser acessadas na capital alemã".

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