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Copa do Mundo

Copa intensifica "neurose da segurança" na Alemanha

Governo e oposição brigam por atuação das Forças Armadas no Mundial. Justiça alemã derruba lei do abate de aviões seqüestrados. Fifa considera improváveis ataques terroristas à Copa.

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Estádio de Leipzig

"A Copa do Mundo não é uma catástrofe e, sim, uma festa. Não vamos promover manobras militares." Foi assim que o secretário de Segurança Pública de Berlim, Erhardt Körting (SPD), reagiu recentemente à sugestão de seu colega da Baviera, Günther Beckstein (CSU), de suspender o Mundial, caso a situação da segurança se agrave.

Os partidos da coalizão governamental (CDU/CSU e SPD) e da oposição na Alemanha discutem há meses uma eventual participação das Forças Armadas no esquema de segurança da Copa. Enquanto parte da CDU/CSU é favorável, o SPD e os Verdes rejeitam esse tipo de atuação. Os opositores da idéia também contam com o apoio do ministro da Defesa, Franz Josef Jung.

Derrubada a lei do abate de aviões

A única exceção em que havia consenso era quanto à intervenção das Forças Armadas em caso de ataque terrorista aéreo ou marítimo. Mas a Lei da Segurança Aérea, que permitia o abate de aviões seqüestrados, foi derrubada nesta quarta-feira (15/02) pelo Tribunal Constitucional Federal (TCF), em Karlsruhe.

A autorização de abate de aviões viola o preceito constitucional que restringe a atuação das Forças Armadas alemãs na segurança interna à ajuda em casos de catástrofes naturais e acidentes graves, justificou o primeiro senado do TCF.

Neues Gesetz erlaubt Abschuss eines entführten Flugzeuges

Tribunal considera inconstitucional a lei do abate de aviões

A polêmica lei, elaborada em conseqüência dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, estava em vigor desde janeiro de 2005. Em seu acordo de coalizão, os atuais partidos de governo estabeleceram que, após a decisão da Justiça, analisariam a "necessidade" de uma mudança da Constituição. Beckstein e seu colega de pasta de Brandemburgo, Jörg Schönbohm, bem como o governador da Baviera, Edmund Stoiber, já fazem lobby por essa mudança.

Dinheiro e neurose

Quem está na posição de observador da discussão pode até pensar que a Alemanha se encontra em véspera de guerra. Mas tudo não passa de um "debate fantasmagórico", como constata o jornal Mitteldeutsche Zeitung . Nele se mistura a "neurose de segurança", desencadeada pelo 11 de setembro e que se intensifica a cada grande evento, a uma briga de poder entre os partidos e entre os Estados e o governo federal.

Na Alemanha, a segurança pública – também na Copa – é atribuição dos Estados. Se as Forças Armadas, por exemplo, vigiassem as ruas e estádios, o governo federal pagaria a conta. Mas isso significaria também que os governos estaduais teriam de abrir mão – pelo menos parcialmente – de seu poder de polícia, contrariando o acordo sobre a reforma do federalismo.

O Ministério da Defesa concordou em ceder cerca de dois mil soldados para cerca de cem serviços de apoio às polícias estaduais e à Fifa durante o Mundial. Isso inclui desde a defesa do espaço aéreo, hospitais de campanha, atividades de logística, até o pernoite e 150 mil refeições para 5,9 mil policiais em 40 quartéis. Ainda não está claro quem pagará a conta. Independentemente disso, o ministro do Interior, Wolfgang Schäuble (CDU), quer que os soldados tenham também funções policiais.

Críticos acusam Schäuble – vítima em 1990 de um atentado que o deixou paralítico – e, sobretudo, Beckstein de estarem usando a Copa para criar pânico. Políticos da linha-dura, como eles, veriam no Mundial um laboratório para medidas de segurança que poderiam se tornar regra depois do torneio.

Fifa tranqüiliza

Apesar da grande preocupação dos alemães com a segurança, a Fifa considera improvável a ocorrência de atentados terroristas durante a Copa. "Estamos convencidos de que não teremos ações terroristas contra o Mundial. O futebol internacional, em seu patamar mais elevado, nunca foi vítima desse tipo de ação", disse Walter Gagg, diretor da Fifa para segurança nos estádios, na terça-feira (14/02), durante o Congresso Europeu de Policiais em Berlim.

Ele acrescentou que a atuação ou não da Bundeswehr na Copa não é "problema da Fifa". Gagg lembrou, porém, que nos torneios de 2002 (Japão e Coréia do Sul) e 1998 (na França) também atuaram milhares de soldados. "A organização de grandes eventos esportivos, como as atuais Olimpíadas de Inverno, é difícil sem ajuda militar", disse.

Segundo Gagg, mais de 100 mil policiais e militares japoneses e sul-coreanos atuaram dia e noite na Copa 2002. Antes mesmo de ser revelado o número de policiais que serão mobilizados para a Copa de 2006, Gagg disse que o esquema de segurança montado pela Alemanha ainda tem dimensões "bastante restritas".

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