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Brasil

Copa da Cultura debate cultura da favela

O presidente do grupo Afroreggae, Anderson Sá, e a professora Heloísa Buarque de Hollanda, da UFRJ, debatem em Berlim, no Teatro Hebbel am Ufer, aspectos da produção cultural da favela.

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Alternativas à violência em debate

Anderson Sá tem 27 anos e há dez faz parte da ONG Afroreggae, cujo objetivo é levar jovens aliciados pelo tráfico de drogas nas favelas cariocas à cena cultural, por meio da dança, da música, do teatro e do cinema.

Hoje, Anderson é presidente da organização, além de ser vocalista do grupo de mesmo nome. Ele próprio já participou das atividades criminosas em sua comunidade (Vigário Geral), quando, ainda aos 14 anos e influenciado pelos amigos, resolveu que trabalharia para os traficantes.

Sua maior motivação, como conta para os participantes do debate, em Berlim, não era a remuneração financeira – que enche os olhos dos adolescentes que, no asfalto, precisam lutar para ganhar um salário mínimo. Seu objetivo era poder assistir aos moradores de Vigário Geral. O tráfico de drogas no Rio de Janeiro não é somente uma questão criminal, mas também - ou principalmente - uma questão social.

"Benfeitores sociais"

O papel do traficante dentro das chamadas "comunidades" vai muito além de comercializar entorpecentes. Onde o Estado está ausente e não se tem um sistema social que dê conta de atender às necessidades mais básicas da população, o tráfico aparece como uma espécie de "benfeitor".

Seus dirigentes promovem festas, compram remédios, emprestam dinheiro, financiam velórios para os moradores da favela. Deste modo, preenche-se a lacuna deixada pelo Estado e se legitima um outro "poder", tão forte que é chamado de "paralelo".

Ocupação para os jovens

Um ano depois de ter entrado para a criminalidade, Anderson descobriu o trabalho do grupo Afroreggae e passou a freqüentar as aulas de capoeira oferecidas pela organização, que havia montado uma filial em Vigário Geral. Isso aconteceu logo depois da chacina em que policiais militares mataram 21 moradores da comunidade - entre eles, um tio seu.

A ONG, que surgiu em 1992, oferece uma diversidade de oficinas das quais os moradores da favela podem participar, como um meio de ocupar a juventude com trabalho cultural e distanciá-la da realidade do crime que bate todos os dias à sua porta.

Favela Rising

O atual presidente do Afroreggae aponta a importância do trabalho do grupo a partir do ponto de vista antropológico, no debate com a professora Heloísa Buarque de Hollanda, no Teatro Hebbel am Ufer, em Berlim. Nas aulas de capoeira, por exemplo, os participantes aprendem a se reconhecer como negros e a estudar suas raízes culturais. Um aprendizado que, segundo Anderson, serve de base para a consciência da cidadania.

A história de Anderson pode ser conferida no documentário Favela Rising, dirigido pelos norte-americanos Jeff Zimbalist e Matt Mochary. O filme parte de sua biografia para falar do dia-a-dia na favela e dos mecanismos que regem este espaço geográfico e cultural que se espalha pela paisagem do Rio de Janeiro.

Continue lendo: literatura produzida na favela; novo formato; crônica do gueto.

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