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Cultura

"Conversa com mortos" vale Prêmio Büchner a Sibylle Lewitscharoff

Em seus romances, a escritora filha de um búlgaro reexplora as fronteiras do além. Erudição e elegância caracterizam sua obra. Lewitscharoff acaba de receber o principal prêmio da literatura alemã, o Georg Büchner.

Obscurecido pelo álcool e pelas lembranças, um professor do ensino médio de Stuttgart relata sobre sua vida e uma experiência de vida após a morte. Ralph Zimmermann, de 50 e poucos anos, entrou e saiu do reino dos mortos: desde então, sua vida real é circundada por mortos-vivos. Eles se manifestam no presente e não querem deixar Zimmermann em paz. Publicado em 2006, esse romance de Sibylle Lewitscharoff se chama Consummatus. Ele indaga o que os mortos ainda significam de fato para nós, atualmente.

A "conversa com os mortos" seria o objetivo de sua literatura, afirmou Sibylle Lewitscharoff certa vez. Ulrike Vedder, professora de Literatura na Universidade Humboldt de Berlim, chama essa importante questão na obra de Lewitscharoff de "convivência com os mortos". Longe do esoterismo ou da literatura da memória, a autora aborda o papel dos falecidos e do passado. "Isso toca sempre no tema da religiosidade, sem que se trate de textos religiosos", disse Vedder.

Graciosa, obstinada e enriquecedora

Sibylle Lewitscharoff Buchcover Pong

Capa de "Pong", primeiro sucesso de Sibylle Lewitscharoff

Sibylle Lewitscharoff vivenciou a morte desde cedo. Ela cresceu em Stuttgart ao lado da mãe alemã, Marianne, e do pai, Kristo Lewitscharoff, um búlgaro exilado que sofria de depressão. Quando Sibylle tinha nove anos de idade, ele se suicidou. A escritora, atualmente com 59 anos, resgatou essa experiência traumática em seu romance Apostoloff, de 2009.

Após terminar o ensino médio, Lewitscharoff estudou Ciências da Religião e Sociologia em Berlim. A particularidade de sua obra literária está também em seu grau de erudição. "É uma constelação formada por um profundo conhecimento e uma escrita graciosa e muito obstinada, que não somente brinca com a língua, mas que, por sua vez, enriquece o idioma", analisa a professora Ulrike Vedder.

Na prisão do ovo

Embora Sibylle Lewitscharoff seja uma intelectual, seus livros são compreensíveis a todos. O júri do Prêmio Georg Büchner, entregue neste sábado (26/10), elogiou, em sua justificativa: "A escritora desenvolve questões fundamentais da religião e da filosofia num diálogo sutil com as grandes tradições literárias e com uma sagacidade despretensiosa e refrescante."

Lewitscharoff admite não se sentir muito atraída pelo escritor alemão que deu nome ao prêmio. "Eu não tenho, realmente, nenhuma afinidade acentuada com ele. Há outros escritores por quem tenho afeição e por quem sinto uma forte ligação. Jean Paul, por exemplo. Mas o principal candidato para o meu grande amor é sempre Franz Kafka. Eu ainda tenho que construir um pouco a ligação com Büchner."

Sibylle Lewitscharoff alcançou seu primeiro sucesso literário com Pong. Pelo romance escrito da perspectiva de um louco, ela recebeu o prêmio Ingeborg Bachmann da cidade de Klagenfurt, uma das mais renomadas distinções literárias para jovens escritores. Lewitscharoff é aclamada pelos literários por seu estilo fantástico. Nas resenhas, muitos citam as primeiras frases de Pong: "Um louco gosta do mundo como ele é, porque ele vive no centro dele. Não em algum lugar de um centro qualquer, mas no indeciso centro do centro, na prisão do ovo."

Além do trabalho literário, Sibylle Lewitscharoff também se dedica às artes plásticas. Ela mesma desenhou as ilustrações de seu livro infantil Der höfliche Harald ("O gentil Harald", em tradução livre), publicado em 1999. Sua obra artística já mereceu diversas exposições.

Filósofo e leão

Galeriebild für Video Sibylle Lewitscharoff: Blumenberg

Em "Blumenberg" um leão acompanha o filósofo

Sibylle Lewitscharoff está sempre se reinventando em sua obra. A autora possui uma grande palheta, tanto estilística quanto tematicamente, aponta Vedder. Nos suplementos literários, seus livros são frequentemente manchete.

O mais recente é Blumenberg (2011), cuja narrativa gira em torno do filósofo Hans Blumenberg. No entanto, o romance está longe de ser um tratado árido: de repente, surge um leão que passa a acompanhar Blumenberg – uma situação absurda, de conto de fadas, mas dissecada como num romance realista. Segundo Vedder: "Essa colisão de elementos incompatíveis abre novas perspectivas".

Nesse ponto, Lewitscharoff se posiciona na tradição do "realismo fantástico" no estilo do colombiano Nobel de Literatura Gabriel García Márquez. Seu próximo romance deverá abordar o poeta italiano Dante Alighieri.

"Eu me ocupei intensamente de Dante. Ele é realmente um grande poeta, um poeta do milênio. Em sua obra, não se aprende apenas a língua italiana. É simplesmente a maior obra criada pelo cristianismo", comenta a autora.

Sibylle Lewitscharoff também é dramaturga. A consciência de mundos paralelos está refletida em sua primeira peça: em 2012, estreou Vor dem Gericht (No tribunal). A peça trata novamente da transição para um mundo diferente. Numa sala de espera para o além, pessoas sentadas aguardam que suas senhas sejam chamadas. A "conversa com os mortos" está longe de chegar ao fim.

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