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Alemanha

Convenção verde provoca alívio no SPD e ironia da oposição

Parceiro de governo fica satisfeito com decisão favorável à continuidade da coalizão. Para partidos de oposição, verdes perderam a credibilidade. Cientista político não vê risco de sobrevivência do PV.

A decisão da Convenção Nacional do Partido Verde de aceitar a participação das Forças Armadas alemãs na guerra antiterror trouxe alívio a seu parceiro de governo, o Partido Social Democrático (SPD), do chanceler federal, Gerhard Schröder. Os partidos de oposição, no entanto, foram unânimes em considerar que os verdes perderam sua credibilidade política com a resolução.

Estudioso do Partido Verde, o cientista político Joachim Raschke, de Hamburgo, está cético quanto a seu futuro nas eleições de 2002. Ele não duvida que SPD e verdes entrem na campanha eleitoral pregando a continuidade da aliança. "Mas deve-se estar preparado para o caso de os eleitores não acompanharem os partidos", diz Raschke.

No entanto, ele não vê perigo de o partido acabar. O pesquisador acha que a questão pacifista costuma ser superdimensionada. Os verdadeiros pilares de sustentação do Partido Verde seriam as causas ecológicas, de cidadania e proteção às minorias. "Somente o partido identifica-se com estes temas", avalia o cientista, que não vê outra agremiação capaz de substituir o PV no espectro partidário.

Parceiro – O secretário-geral do SPD, Franz Müntefering, avaliou a decisão como uma "base suportável" para a continuidade da coalizão vermelho-verde. Ele advertiu, porém, que incertezas como esta não podem mais se repetir. "Deve-se no futuro evitar situações em que a confiança entre os parceiros de governo esteja em dúvida", alertou.

O ministro da Defesa, Rudolf Scharping (SPD), vê o governo respaldado pela resolução, mas disse que uma negativa verde na convenção nada mudaria na questão militar. "É a confirmação do rumo do governo e da coalizão, mas para as Forças Armadas vale o mandato aprovado pelo parlamento e isto bastaria. Este mandato não seria retirado", comentou Scharping, também vice-presidente do SPD.

Oposição – O secretário-geral da União Democrata-Cristã (CDU), Laurenz Meyer, acha que os verdes se tornaram "definitivamente dispensáveis no espectro partidário". Para Meyer, eles apenas aprovaram retroativamente o envio de soldados para a guerra, sem se comprometerem com o futuro. Já se poderia até mesmo prever que, na próxima polêmica, o vice-chanceler Joschka Fischer terá que suar novamente para obter o apoio da base.

Já a União Social-Cristã (CSU) considera que o suspense no Partido Verde revelou inexistir real solidariedade incondicional com os EUA na coalizão de governo, como o chanceler Schröder tão apregoa. "Os delegados aprovaram a missão militar no Afeganistão, mas o fizeram com tantas restrições, que não se pode falar em aprovação à conduta do governo vermelho-verde", afirma o secretário-geral da CSU, Thomas Goppel. Ele acredita que Schröder precisará no futuro dos votos da oposição em temas polêmicos.

No Partido Liberal, a secretária-geral Cornelia Pieper avaliou a convenção de Rostock como uma ruptura na história do PV, que "o levará imediatamente a uma crise de credibilidade". Os verdes governistas teriam arrancado as raízes pacifistas do partido. "A alma partidária está destruída", acredita Pieper.

Wolfgang Gehrcke, do Partido do Socialismo Democrático (PDS), acha, por sua vez, que os verdes "se despediram do panorama político como partido pacifista". Os delegados teriam decidido "pela participação no poder e contra seus princípios pacifistas".

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