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Mundo

Controvérsia sobre Rushdie ressurge em meio a protestos no mundo árabe

O romancista Salman Rushdie criticou os protestos em vários países muçulmanos contra o filme anti-Islã realizado nos EUA. Ele disse ainda não se incomodar com novas ameaças à sua vida.

Uma organização religiosa iraniana teria aumentado a recompensa pela cabeça do escritor indo-britânico Salman Rushdie, de 2,1 milhões para 2,5 milhões de euros por supostamente ter insultado o profeta do Islã há 23 anos. O prêmio inicial pela morte de Rushdie era inferior a 1 milhão de euros.

O jornal iraniano de linha-dura Jornhoori Eslami relatou no último domingo que a fundação religiosa iraniana "15 Khordad" pagaria a recompensa ao assassino de Rushdie.

Em 1989, o aiatolá Khomeini, o ex-líder religioso do Irã, emitiu uma fatwa (decreto religioso) pedindo a morte do autor britânico Salman Rushdie por escrever o controverso romance Versos Satânicos, que, segundo os muçulmanos, humilharia o profeta Maomé.

Rushdie disse que a ameaça mais recente esteve relacionada a "um religioso no Irã à procura de uma manchete." Ao falar no lançamento do seu livro de memórias recém-publicado Joseph Anton, Rushdie disse que a fundação religiosa do aiatolá Hassan Saneii havia oferecido a recompensa por algum tempo, mas que somente algumas poucas pessoas a levaram a sério.

Innocence of Muslims

Capa de Joseph Anton, autobiografia de Salman Rushdie

Capa de "Joseph Anton", autobiografia de Salman Rushdie

A controvérsia em torno de Rushdie ressurgiu após a eclosão de protestos violentos em diversos países muçulmanos – incluindo a Líbia, o Egito, o Afeganistão e o Paquistão – contra um filme norte-americano intitulado Innocence of Muslims. O Paquistão e o Afeganistão bloquearam qualquer acesso ao filme pela internet, proibindo por completo o site de compartilhamento de vídeos. Em outros países do sul da Ásia, como a Índia, o próprio Youtube bloqueou o filme.

A conexão entre o filme e Rushdie foi que "muitos muçulmanos veem o Innocence of Muslims como uma repercussão dos Versos Satânicos de Rushdie", disse Emrys Schoemaker, pesquisador da London School of Economics.

Ele afirmou que, no passado, a interação entre pessoas com pontos de vista divergentes era limitada, mas que isso mudou com o advento da era da informação.

"Não existe mais o luxo do isolamento. Os extremistas se deparam uns com os outros e não possuem habilidades para o debate. O resultado de tudo isso é que tais pessoas assumem posições radicais, que são destinadas a atrair grupos de interesse", disse.

Política ocidental

Lindsey German, organizador da ONG Stop the War Coalition, em Londres, disse à Deutsche Welle que a reação a Rushdie e ao filme anti-Islã deve ser observada num quadro político mais amplo.

"Eu não concordo com a fatwa à qual Rushdie foi condenado ou com o aumento da recompensa por sua cabeça. Mas não se trata apenas de um autor. Trata-se das políticas dos governos ocidentais no Oriente Médio. Enquanto o Ocidente não mudar sua política para países muçulmanos, tais coisas vão continuar a acontecer", afirmou German.

Protestos contra filme anti-Islã são cada vez mais violentos

Protestos contra filme anti-Islã são cada vez mais violentos

Enquanto alguns culpam a política do Ocidente pela eclosão de violência, Adeel Khan, pesquisador sobre as relações do Islã com o Ocidente, de Cambridge, disse que os muçulmanos deveriam "ficar do lado dos melhores exemplos de sua tradição religiosa", em vez de recorrer à violência.

"O profeta Maomé sempre foi misericordioso, tendo perdoado mesmo a seus inimigos de longa data, e sempre instruiu seus seguidores para nunca abusarem dos deuses de seus inimigos", disse Khan à Deutsche Welle. Ele acrescentou que isso ajudaria se as pessoas no Ocidente fossem "mais sensíveis às crenças religiosas e culturas de outros, especialmente no mundo interconectado de hoje".

Syed Ali Mujitaba Zaidi, ativista xiita de Karachi, disse à Deutsche Welle que seria "necessário lembrar repetidamente [ao Ocidente] que não permitiremos que blasfemadores continuem suas atividades, e que vamos transformar suas vidas numa miséria, para que outros não os sigam."

Liberdade de expressão

Rushdie foi condecorado pela rainha britânica em 2007

Rushdie foi condecorado pela rainha britânica em 2007

"O que Rushdie escreveu foi aceitável no Reino Unido e no Ocidente, mas não em países muçulmanos", explicou o jornalista paquistanês Mohsin Sayeed, acrescendo que o Ocidente também mostrou "padrões duplos", no caso de questões que considerava sensíveis.

O livro Versos Satânicos, disse Sayeed, é um romance "mal escrito" e não deveria determinar o valor do autor, que também escreveu Os filhos da meia-noite, um livro "bonito" sobre a divisão da Índia Britânica. "Não devemos levar Versos Satânicos a sério. Acho que nosso profeta era muito maior do que essas coisas triviais", ressaltou o jornalista.

O escritor paquistanês Salman M. Usmani disse à DW que muitas pessoas, provavelmente, estão fazendo barulho em torno de Rushdie, sem mesmo ter lido seus livros.

"A coisa mais estranha sobre escritores controversos é que as pessoas costumam fazer um alarde sobre o conteúdo, e ignoram a narrativa. Ulisses, de James Joyce, por exemplo, é um livro especial por causa de sua narrativa… o que aconteceu quando o romance chegou às bancas foi que as pessoas foram às ruas para protestar contra o seu conteúdo também", disse o escritor.

Muitos escritores sul-asiáticos e críticos literários admiram muito Rushdie como um romancista que tem contribuído imensamente para a riqueza da literatura em inglês.

Autor: Shamil Shams (ca)
Revisão: Roselaine Wandscheer

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