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Alemanha

Contrariando promessas

Conferência da Convenção Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas inicia-se em Bonn sob o signo de dados nada promissores: emissões de gases causadores do efeito estufa continuam aumentando em países industrializados.

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O relatório oficial da Organização das Nações Unidas (ONU) foi apresentado em Bonn na véspera da abertura da conferência internacional que se inicia nesta quarta-feira (04/06) e reúne na ex-capital da Alemanha, durante dez dias, 2500 especialistas de mais de 100 países.

Apesar de todas as declarações dos governos em favor da defesa do clima, a emissão de gases causadores do efeito estufa, sobretudo o dióxido de carbono, pode chegar a aumentar 17%, entre 2000 e 2010, em países industrializados da Europa, no Japão, Estados Unidos e Austrália, afirma o estudo.

O documento deve ser uma das mais importantes bases de discussão da conferência, tendo em vista que esses resultados surpreendentes colocam em xeque o sucesso obtido por alguns países, como a Alemanha, prejudicando o cumprimento das metas globais estabelecidas pela Convenção do Clima de 1992 e em especial as do Protocolo de Kyoto de 1997.

Aumento após redução inicial — Os países industrializados se comprometeram em Kyoto a reduzir a produção de gases causadores do efeito estufa em média 5,2% até 2012, tendo como base os dados de 1990. Nos anos 90, registrou-se de fato um desenvolvimento positivo neste sentido, com uma redução média de 3% em relação a 1990. Na União Européia, a média chegou a 3,7%, e a Alemanha conseguiu reduzir 19,4%. Outros países, porém, não seguiram o exemplo: nos Estados Unidos, as emissões dos gases em questão aumentaram 14%, no Japão, 11%.

Os Estados Unidos, de qualquer forma, se desligaram do Protocolo de Kyoto, e o documento até hoje não pôde entrar em vigência porque a Rússia vive adiando a ratificação.

Sucesso econômico, faca de dois gumes — Segundo o atual estudo da ONU, o aumento da produção dos gases prejudiciais ao clima deve-se sobretudo ao maior consumo de fontes de energia fósseis, seja no trânsito, seja na produção de energia para fins industriais ou privados. A tendência não se registra apenas em países industrializados, como também em países emergentes do Terceiro Mundo e, em especial, no Centro e no Leste da Europa, onde a indústria está sendo reativada, após o colapso que se seguiu à derrocada do comunismo no Bloco Oriental.

Os dados apontados pelo estudo devem servir de alerta de que as coisas não estão se desenvolvendo na direção certa, afirma Joke Waller-Hunter, diretora da Secretaria da ONU para o Clima. Para Christoph Bals, da ONG Germanwatch, os números são "um desastre", e mesmo o diretor do renomado Instituto de Clima, Meio Ambiente e Energia de Wuppertal, Hermann E. Ott, os considera "inquietantes".

Um novo impulso em favor do clima pode partir da iniciativa privada. Hoje, mesmo as grandes multinacionais do petróleo, tal como Shell e BP, estão se conscientizando da necessidade de agir. Empresas de financiamento, bancos e seguradoras insistem cada vez mais em considerar a mudança climática como um fator de risco. Teria importância decisiva para o desenvolvimento se o mercado financeiro passasse a dar mais peso aos aspectos climáticos ao decidir sobre investimentos, avalia o especialista da Germanwatch.

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