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Cultura

Contracultura à alemã: quando o privado tornou-se político

Os anos de 1960 estão na moda. Em tempos de "nova burguesia" e "nova feminilidade", filme sobre a modelo Uschi Obermaier, a musa da contracultura alemã, traz os anos rebeldes aos mais jovens.

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Uschi Obermaier deu um rosto ao movimento de contestação dos anos de 1960

Nesta quinta-feira (01/02), estréia na Alemanha o filme Das Wilde Leben (A Vida Rebelde), baseado na biografia da modelo Uschi Obermaier, a musa do movimento alemão de contracultura e alguém que se pode comparar à Leila Diniz no Brasil.

Keith Richards, do Rolling Stones, e o guitarrista Jimi Hendrix estiveram entre os amores da modelo, cuja beleza aos 60 anos ainda lhe permite posar para revistas masculinas e lhe possibilitou também ser a primeira tiete germânica que conseguiu realmente conquistar seus ídolos.

A Vida Rebelde conta, principalmente, a história de amor entre Uschi Obermaier e Rainer Langhans, membros da Kommune 1 (comunidade n° 1), uma experiência de moradia conjunta de oito jovens de cabelos longos, entre 1967 e 1969 em Berlim, que achavam que a revolução começa em casa.

Criança, cozinha e Igreja

Betty Furness mit Kühlschrank in TV-Werbung

Mulher dos anos de 1950: criança, cozinha e Igreja

Monika Bastian pertence à geração que nasceu durante ou pouco após a Segunda Guerra Mundial. Ela nos informa que cresceu em um ambiente austero e regido por bens materiais e boas maneiras. O primeiro carro, a primeira viagem de férias à Itália.

Não se contestava a autoridade masculina e, para a mulher, restavam os três K's : Kinder, Küche, Kirche (criança, cozinha e Igreja). Seus pais trabalhadores sofreram e lutaram na guerra, sobre a qual pouco falavam.

Na escola, a Segunda Guerra era tratada de forma factual e a culpa estava no Tratado de Versalhes, informa Bastian. Sua geração, que também é a de Obermaier e Langhans, leu autores sociais críticos, como Beckett e Ionesco, e deixou-se influenciar, sobretudo, pelo existencialismo de Sartre, comenta a professora aposentada de História.

O mofo do século 19

Uschi Obermaier heute

Obermaier aos 60 anos

No final dos anos de 1960, Bastian conheceu seu futuro marido, mas, para alugar um apartamento, tiveram que, primeiramente, mostrar a certidão de casamento. O Parágrafo 180 do Código Penal ainda não havia sido abolido e muitos locatários temiam ser enquadrados no crime de lenocínio.

"Nas cabeças, ainda circula a pudica crença medieval de que a luxúria (entenda-se aqui principalmente o sexo fora do casamento) é algo divino e passível de punição para os humanos", escrevia Kurt Tucholsky, em seu artigo Kuppelei (lenocínio).

O parágrafo homônimo do código penal era usado como desculpa para proibir o concubinato e o sexo fora do casamento, como afirma Tucholsky no artigo de 1920, escrito sob o pseudônimo Ignaz Wrobel. Somente 50 anos mais tarde, através da Grande Reforma Penal, que entrou em vigor em 1970, o parágrafo instituído em 1871 foi abolido.

Irritantes, mas necessários

Das Wilde Leben

Cena do filme 'A Vida Selvagem'

A professora de História afirma que ações de protesto dos participantes da K1, como atrapalhar o tráfego acorrentando-se aos trilhos de bondes, irritavam a população. A foto que tiraram nus, na comunidade onde moravam, publicada na revista Stern também chocou muita gente, afirma Bastian.

Além disso, como afirma Das Parlament, a revista do Parlamento alemão, ações de paródia da K1 como um panfleto que incentivava a queima de lojas de departamentos, um protesto contra as bombas Napalm lançadas no Vietnã e contra a sociedade de consumo, talvez tenham servido de inspiração para as bombas de verdade lançadas pela RAF em shopping centers.

Apesar de tudo isso, afirma Bastian, personagens da contracultura como Uschi Obermaier e Rainer Langhans foram essenciais para mostrar à população alemã outras possibilidades de vida e, sobretudo, para retirar o "mofo do século 19 da sociedade alemã", acrescenta a professora.

Sexo, música e drogas

Kommune 1 - der Patriarch teilt aus

Langhans (d) na K1 em 1968

A Vida Rebelde, dirigido por Achim Bornhak, mostra a visão de Uschi Obermaier desta época. A ex-modelo, hoje desenhista de jóias em Los Angeles, afirma que não sabia a diferença entre capitalismo e comunismo ao ingressar na K1.

Seu real interesse era pelo intelectual de cabelos longos Rainer Langhans, que hoje vive em um "harém", como ele mesmo define, com cinco mulheres.

De experiência de uma vida pós-revolucionária, os interesses dos participantes da K1 voltaram-se para sexo, música e drogas, antes de dissolver-se em novembro de 1969. Em entrevista ao Süddeutsche Zeitung, Obermaier nega, no entanto, as orgias, que afirmavam ali existir: "Elas existiam somente nas fantasias sexuais da pequena burguesia".

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