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Economia

Conta do resgate cipriota pode pesar sobre oligarquia russa

Imposição europeia de taxar depósitos bancários como parte do plano de ajuda ao Chipre indigna russos, que, para driblar impostos, têm bilhões depositados na ilha mediterrânea e, depois, reinvestem em seu país.

Os líderes russos estão indignados. "Injusto, antiprofissional e perigoso" foram os adjetivos escolhidos pelo porta-voz do presidente Vladimir Putin nesta segunda-feira (18/03) para descrever o imposto compulsório sobre capital depositado nos bancos no Chipre. E o premiê Dimitri Medvedev completou: a medida mais lembra uma desapropriação.

A repercussão dos acontecimentos no Chipre se fizeram sentir até mesmo na Bolsa de Valores de Moscou: já no início do dia, as ações de dois dos maiores bancos russos, o VTB e o Sberbank, caíram 5%. Segundo a mídia, esses dois bancos possuem mais de 10 bilhões de dólares em contas no Chipre.

O parlamento cipriota rejeitou nesta terça-feira (19/03) o controverso pacote de medidas de resgate, que deve voltar a debate nesta quarta-feira. No fim da última semana, o Eurogrupo já aprovara o referido pacote. Além de 10 bilhões de euros a serem pagos ao Chipre pelo fundo de estabilização europeu, todos os proprietários de contas bancárias do país ficariam obrigados a ceder uma porcentagem de seu capital, na forma de um imposto. O valor exato dessa taxa ainda está sendo negociado.

Porto seguro para bilhões russos

Sberbank in Moskau

Sede do Sberbank em Moscou

Para se entender as reações dos russos à medida, basta um número: 78,2 bilhões de dólares. Este foi o total investido pelo Chipre na Rússia, em 2011, segundo informações do Departamento Russo de Estatísticas (Rosstat). Isso é quase três vezes mais do que os investimentos da Alemanha na Rússia.

O Chipre é, de longe, o principal investidor da Rússia, sendo responsável por cerca da metade de todo o dinheiro estrangeiro que entra no país. "Isso não é, obviamente, dinheiro cipriota", e sim dinheiro russo, "reinvestido via Chipre", explica Heinrich Steinhauer, diretor da representação moscovita do Banco Estadual de Hessen e da Turíngia (Helaba), em entrevista à Deutsche Welle.

Com suas baixas cargas tributárias, o Chipre é "uma estação importante para o fluxo de capital russo", diz Hans-Henning Schröder, do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança (SWP). É para lá que as pessoas levam seu dinheiro, "a fim de pô-lo a salvo do Estado russo".

O especialista se refere àqueles referidos como "oligarcas" no Estado pós-soviético. Um deles é Alisher Usmanov: em 2012, a revista Forbes e a agência Bloomberg o apontaram como homem mais rico da Rússia, com patrimônio estimado entre 17,5 e 20 bilhões de dólares. A renda de Usmanov provém, entre outros, do setor metalúrgico. O USM Steel & Mining Group Ltd., através do qual Usmanov se tornou o rei do minério de ferro do Leste pós-soviético, está registrado no Chipre.

Segundo Steinhauer, é acima de tudo a infraestrutura jurídica descomplicada que faz do Chipre um destino atraente para os investimentos russos. "É possível fundar empresas, sociedades de investimentos e holdings, através dos quais projetos de investimento são acompanhados na Rússia", completa o banqueiro alemão sediado em Moscou.

Ucrânia é também atingida

Alisher Usmanov

Alisher Usmanov: oligarca russo com um pé no Chipre

Mas a Rússia não é o único exemplo. Também na vizinha Ucrânia há oligarcas que primeiro transferem seus recursos para o Chipre, para depois reinvesti-los em casa. Como no caso russo, há anos o Chipre é, de longe, o principal investidor estrangeiro na Ucrânia. Segundo o departamento ucraniano de estatísticas Derjkomstat, em 2011 foram transferidos para o país mais de 10 bilhões de dólares daquela ilha mediterrânea: isso equivale a um quinto do total de investimentos estrangeiros na Ucrânia.

No sentido inverso, a situação é ainda mais explícita: mais de 90% dos investimentos ucranianos em 2012 fluíram para o Chipre. Quando há mudança de proprietário na Ucrânia, geralmente uma empresa com endereço cipriota substitui a anterior.

Ministro cipriota das Finanças em Moscou

Há ainda outra razão por que a Rússia acompanha com atenção a situação no Chipre: em 2011, o governo russo concedeu à ilha mediterrânea um empréstimo no valor de 2,5 bilhões de dólares, com prazo de pagamento de quatro anos e meio, o qual o Chipre quer, agora, prorrogar. Segundo a imprensa russa, o ministro cipriota das Finanças, Michaelis Sarris, teria tentado discutir o assunto durante uma visita a Moscou nesta segunda-feira, mas o encontro foi adiado para a quarta-feira.

Agora, a decisão sobre a prorrogação do prazo de devolução do empréstimo será tomada à luz do novo imposto compulsório para correntistas no Chipre. "Vamos observar detalhadamente a situação", prometeu o ministro russo das Finanças, Anton Siluanov, à agência de notícias Interfax na última segunda-feira.

Prof. Dr. Hans-Henning Schröder

Hans-Henning Schröder, especialista alemão em assuntos russos

Steinhauer acredita, porém, que o Chipre continuará sendo um destino atraente para as oligarquias do Leste Europeu, apesar do controverso pacote de resgate. "Exceto se quiserem se opor à medida gradualmente. No momento, não acredito que vá ser o caso", estimou o alemão.

O especialista berlinense Schröder tem uma postura cética a respeito. "Se no futuro o Chipre for submetido a uma fiscalização financeira mais rigorosa, o país não será mais um 'porto seguro', como até agora. Nesse caso, é possível que os investidores russos e de outros países se desviem para outras praças financeiras." Schröder acredita que futuramente os fluxos de capital russo não passarão mais pelo Chipre, mas sim pela Holanda, Áustria ou outros paraísos fiscais, como as britânicas Ilhas Virgens.

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