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Ciência e Saúde

Construção do maior telescópio do mundo começa no Chile

Topo do monte que vai acolher o E-ELT nos Andes será removido já em junho. Mas o gigantesco aparelho, também usado na busca vida extraterrestre, deverá entrar operação somente daqui a dez anos.

O European Extremely Large Telescope (E-ELT) é tudo o que o nome promete, e muito mais. Como maior telescópio do espectro infravermelho próximo do mundo, a complexa máquina permitirá que astrônomos observem diretamente planetas extrassolares. Assim, poderá ser mais um passo em direção ao descobrimento de vida além do sistema solar.

"Esta é a história de uma aventura épica. A história de como a Europa foi para o Sul explorar as estrelas", descreve um vídeo institucional. É também a história do Observatório Europeu do Sul (Eso), uma organização que conta 50 anos e abrange 15 países, inclusive o Brasil, cuja adesão está em processo de ratificação.

O Eso, que já possui três observatórios no Chile, está prestes a embarcar em sua maior aventura. "O E-ELT possui um espelho primário de quase 40 metros de diâmetro e é várias vezes maior do que qualquer outro observatório já construído – mais ou menos do tamanho de uma quadra de tênis. Ele foi projetado para capturar imagens da mais alta qualidade do céu noturno", relata Gerry Gilmore, professor de Filosofia Experimental na Universidade de Cambridge.

O telescópio-monstro será erguido próximo às instalações do Eso na Cordilheira dos Andes – uma meca para os astrônomos –, no alto do monte Cerro Armazones, localizado no norte do Chile, onde a atmosfera é clara e extremamente seca.

Chile Astronom Dr. Jochen Liske

Aplicação do E-ELT na ciência será ampla, diz astrônomo Jochen Liske

"Água e ar são as coisas que mais atrapalham os telescópios; é um aborrecimento para quem quer observar o céu à noite. Então é preciso chegar o mais alto possível, para ficar acima do ar, e o mais seco possível, pois umidade embaça tudo", comenta Gilmore, que integra o projeto desde sua concepção.

Vida extraterrena?

Devido ao tamanho do telescópio, sua construção vai forçosamente envolver um certo grau de interferência na paisagem andina. "É preciso abrir acesso para os instrumentos de precisão, caminhões de construção e todas as peças grandes de maquinaria, que não podem ficar virando curvas nem sacolejando por cima de calombos na estrada. Assim, a maneira mais prática é cortar o topo da montanha. É o que fizemos para todos aqueles telescópios na América do Sul. Isso envolve explodir cerca de 1 milhão de toneladas de pedra do topo", diz o professor.

O esforço para a construção do E-ELT é grande, mas seu objetivo é responder a uma questão ainda maior: nós estamos sós? Os pesquisadores esperam encontrar sistemas parecidos com o solar ao redor de estrelas próximas. Gilmore lembra que há vários planetas conhecidos orbitando outras estrelas.

"Logo iremos descobrir um sistema planetário próximo ao nosso e alinhado de tal maneira que veremos algo localizado à mesma distância do astro central que a Terra em relação ao nosso Sol. E vamos vê-lo girar."

Observando se esse planeta fica verde no verão e branco no inverno, medindo sua atmosfera, os cientistas procurarão por substâncias como clorofila e amônia. "Não vamos ver gente acenando para nós, nem cidades ou coisas desse tipo. Mas vamos poder dizer se há grama crescendo", antecipa o professor de Filosofia Experimental.

Investimento bilionário

Mas o E-ELT terá também outros usos para a ciência, além da caça de alienígenas. "Ele vai do âmbito da astronomia ao da astrofísica. Por isso, podemos fazer muitas pesquisas diferentes com ele. Não há uma questão em particular que queremos responder com o telescópio, mas um grande número de coisas diferentes", revela o astrônomo Jochen Liske, que trabalha para o Eso na Alemanha.

O custo do telescópio, superior a 1 bilhão de euros, é mais um motivo para que se procure as mais diversas aplicações para ele. Apesar das vozes críticas, que o consideram uma extravagância, o início da construção do E-ELT está planejado para esta quinta-feira (19/06), quando o topo da montanha será dinamitado. No entanto, sua entrada em operação está programada para só daqui a dez anos.

"É interessante estar envolvido em projetos desta escala. Eles levam 30 ou 40 anos, partindo da ideia original, passando pelo desenvolvimento tecnológico, pela obtenção do apoio político e científico e das verbas, pela engenharia até a entrada em operação", observa Gilmore.

"A menos que tenha a sorte de entrar num desses projetos quando ainda é relativamente jovem, você vai estar aposentado antes que ele esteja em pleno funcionamento. Portanto, o jeito de pensar é: 'Não estou fazendo isso para mim.' É como plantar uma floresta de carvalhos: você está trabalhando para os seus netos."

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