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Mundo

Conservadores holandeses negociam coalizão com Lista Pim Fortuyn

Um dia após sua vitória eleitoral na Holanda, os democrata-cristãos conservadores (CDA) começaram a negociar com o partido do líder populista assassinado, Pim Fortuyn, para formar uma coalizão de governo.

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Premier Wim Kok, o maior perdedor do pleito.

A legenda Lista Pim Fortuyn (LPF), foi criada só há três meses e conquistou 26 dos 150 mandatos no Parlamento, na quarta-feira. A Democracia-Cristã (CDA) elegeu 43 deputados e o seu líder Jan Peter Balkenende deverá ser o novo primeiro-ministro. O partido que amargou no banco da oposição nos últimos oito anos, tinha até agora só 29 deputados. A coalizão de governo social-liberal do primeiro-ministro Wim Kok sofreu uma dura derrota. Os social-democratas perderam quase a metade dos mandatos e ficaram agora só com 23 deputados.

Na coalizão social-liberal, o partido Trabalhista PvdA de Kok sofreu a sua pior derrota. A legenda do chefe de governo só elegeu 23 deputados, o que significa uma perda de 22 assentos no Parlamento em Haia. O partido liberal VVD também só conquistou 23 mandatos, contra os 38 que elegeu no último pleito. O liberal de esquerda (D66) perdeu metade de seus mandatos, ficando com 14 deputados.

Entre os demais partidos tradicionais holandeses, o socialista aumentou de cinco para nove deputados a sua bancada no Parlamento em Haia. O verde saiu das urnas sem perdas nem danos, mantendo seus 11 mandatos. A união-cristã perdeu um mandato e ficou com quatro. A legenda religiosa SGP também perdeu um mandato e ficou com dois. O novo partido direitista Leefbaar Nederland elegeu seus dois primeiros deputados.

Apelo à sensatez – O crescimento súbito da Lista Pim Fortuyn não surpreendeu. Preocupado com o clima de emoção gerado pelo assassinato do líder populista do partido, o primeiro-ministro Kok havia apelado aos 12 milhões de eleitores para que votassem com a cabeça e não com o coração. Antes da eleição, muitos holandeses anunciaram seu voto para a Lista Pim Fortuyn, que teve uma campanha eleitoral marcada pela xenofobia. O excêntrico e homossexual assumido Pim Fortuyn fundou há apenas três meses o partido que tem o seu nome. Ele se popularizou com slogans contra imigrantes, como "a Holanda está lotada". Suas críticas duras ao islã geraram furor no país onde a convivência pacífica com estrangeiros muçulmanos era tida como uma integração exemplar.

A campanha eleitoral foi interrompida imediatamente após o assassinato do líder ultradireitista por um holandês de 32 anos, ativista do movimento ecológico, no último dia seis. A data da eleição foi mantida, por decisão unânime dos partidos políticos. A Lista Pim Fortuyn foi a primeira legenda a defender a manutenção do calendário eleitoral, provavelmente com o intuito de obter mais votos em função da emoção gerada pela morte do seu líder controvertido. O vice-presidente da Lista Pim Fortuyn é o jovem negro de 27 anos de idade João Varela, imigrante de Cabo Verde. O site da colônia cabo-verdiana na Holanda divulgou que Varela ocupou o cargo graças à sua relação íntima com Fortuyn.

Indisposição contra o governo - Nos últimos meses aumentou a indisposição com a coalizão de governo. O primeiro-ministro Kok anunciou a sua renúncia junto com todo o gabinete e novas eleições após a divulgação do relatório de uma comissão de investigação sobre o massacre em Srebrenica, na Bósnia. A comissão acusou o gabinete de, por ambição política, ter mandado soldados holandeses para uma tarefa que não tinham condição de cumprir.

Os soldados integravam as forças da ONU que deveriam garantir a segurança da população de maioria muçulmana em Srebrenica na guerra de independência da Bósnia, encerrada em 1995.