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Alemanha

Conservadores alemães passam por crise de liderança

Conflitos na União Social Cristã (CSU) podem forçar a aposentadoria do "patriarca" Edmund Stoiber. Política de pequena cidade no interior da Baviera desencadeou o conflito.

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Edmund Stoiber e Gabriele Pauli: luta entre gerações

Pode-se dizer que tudo começou com Paulo Coelho. Pois segundo o semanário Die Zeit, a mentora de toda a crise que abala o partido conservador do sul da Alemanha é fã do escritor brasileiro. E costuma citar suas "parábolas mágicas de um kitsch leve" quando defende que "o ser humano não deve ter medo de nada".

Gabriele Pauli, política social-cristã da pequena Fürth, na Baviera, abriu há poucas semanas a boca para falar o que, segundo ela, "muita gente pensa, mas não diz": que o poderoso Edmund Stoiber, governador da Baviera e presidente da CSU, deveria se despedir da vida política.

Confiança abalada

A imprensa alemã trata o conflito como uma "crise de confiança" interna do partido, uma vez que divergências dos bastidores estão sendo discutidas publicamente. O Partido Social Democrata (SPD), facção rival no cenário político, passou até a exigir novas eleições no Estado.

Bildgalerie Minister Horst Seehofer Verbraucherschutz und Agrar

Horst Seehofer: possível sucessor nega

Neste ínterim, o líder da bancada social-cristã na Baviera, Joachim Herrmann, começou a defender "uma nova formação nas eleições estaduais de 2008". A nova formação, no caso, é uma candidatura não encabeçada por Stoiber, mesmo que o principal nome cogitado para substituí-lo – o vice-presidente do partido, Horst Seehofer – afirme que jamais se oporia a Stoiber. Enquanto isso, a mídia especula sobre a possibilidade de um "golpe" contra o político bávaro, encerrando definitivamente sua carreira.

Inegável é o fato de que o destino político de Stoiber está na corda bamba. "Ele está arruinando sua carreira e seu partido", sentencia o diário berlinense Der Tagesspiegel. Em meio à discussão, circulam depoimentos de eleitores ansiosos pelo fim da "dinastia Stoiber" no Estado.

Sorrisos para as câmeras

O grotesco da situação, porém, é que no país fala-se muito mais de Gabriele Pauli, a política do interior que teve a coragem de abrir a boca, do que do destino político dos conservadores bávaros.

Com um comportamento visto como extraoridnário na política alemã, Pauli é o oposto da chanceler federal Angela Merkel. No lugar da discreção da premiê, a política de 49 anos, de acordo com o Die Zeit, "usa com freqüência saias curtas, sapatos altos e abusa dos acessórios".

Quando vê uma câmera pela frente, costuma abrir um sorriso. Atitude que os jornais considerados "sérios" costumam rotular de "frívola". Isso sem contar as ofensas disparadas por funcionários do alto escalão de seu próprio partido, ao insinuarem problemas de Pauli "com álcool e homens".

Sua tese de doutorado, informa a imprensa ávida por detalhes, teve como tema "relações públicas na política – divulgação estratégica dos partidos políticos, a exemplo da CSU". Ou seja, é provável que Gabriele Pauli saiba, e muito bem, o que está fazendo.

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