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Mundo

Consenso salva a OTAN

A Turquia receberá a pleiteada ajuda militar da OTAN. A França, a Alemanha e a Bélgica tinham bloqueado até agora a ajuda, porque não queriam que fosse interpretada como um sinal para a guerra.

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O secretário-geral da OTAN, George Robertson, fez pressão pela ajuda à Turquia

Após várias semanas de discussões, que chegaram a suscitar temores de um esfacelamento da Aliança Atlântica, os países integrantes da OTAN chegaram a um consenso sobre prestação de ajuda militar à Turquia, para a eventualidade de uma guerra no Iraque.

A reunião de Bruxelas durou mais de doze horas, até que as divergências puderam ser contornadas e encontrado um consenso na noite do domingo (16/2). Para o secretário-geral da OTAN, George Robertson, "este foi um dia maravilhoso, com uma decisão importante: prevaleceu a solidariedade na Aliança".

OTAN acompanhará a discussão na ONU

Por insistência da Bélgica, os países da OTAN incluíram na sua declaração uma referência explícita ao papel das Nações Unidas no conflito: "Continuamos apoiando os esforços das Nações Unidas em busca de solução pacífica para a crise", afirma o documento. "Esta decisão diz respeito somente à defesa da Turquia e não antecipa qualquer outra operação da OTAN." Além disto, a OTAN acompanhará detalhadamente as discussões no âmbito do Conselho de Segurança da ONU.

A Alemanha, a França e a Bélgica – que tinham bloqueado durante muito tempo a ajuda à Turquia – declararam estar conscientes dos compromissos assumidos perante a OTAN. E reafirmaram, ao mesmo tempo, a sua aspiração de que o conflito seja solucionado de forma pacífica. É desejável um desarmamento do Iraque sem o emprego de violência, afirmaram os três países numa declaração conjunta. Ainda não foram esgotadas todas as alternativas para isto. O embaixador dos EUA na OTAN, Nicholas Burns, avaliou a decisão de Bruxelas como um grande passo à frente. "Temos uma clara decisão da OTAN para planejar a ajuda à Turquia", afirmou ele em Bruxelas.

Mísseis e aviões de reconhecimento

Com a resolução tomada, os planejadores da OTAN podem começar a preparar as possíveis operações na Turquia. Estão previstos mísseis Patriot de defesa antiaérea, aviões de reconhecimento AWACS e aparelhos de proteção contra um ataque com armas biológicas e químicas. O presidente da Comissão Militar da OTAN, o general alemão Harald Kujat, declarou que a elaboração dos planos tardará alguns dias. Depois disto, a OTAN terá que aprovar novamente a ação.

A França não faz parte da Comissão de Planejamento de Defesa, pois retirou-se da estrutura militar da Aliança no final da década de 60. Desde então, os franceses só participam do Conselho da OTAN, que reúne os 19 embaixadores e decide sobre questões políticas. Havendo unanimidade, a Comissão pode tomar decisões impositivas para a Aliança em questões militares.

Sinal falso

A Alemanha, a França e a Bélgica justificaram o bloqueio inicial da ajuda à Turquia com o argumento de que tal decisão teria sido um sinal falso naquele momento e teria reduzido as chances de uma solução pacífica para o conflito do Iraque. Mas os governos dos três países asseguraram ao mesmo tempo a sua disposição de oferecer proteção à Turquia em caso de guerra.

Desde o início, os governos tinham citado a apresentação do relatório dos dois inspetores-chefes da ONU ao Conselho de Segurança, na sexta-feira passada (14/2), como uma data importante para a sua decisão quanto à ajuda para a Turquia. No sábado (15/2), a Bélgica apresentou então uma proposta de consenso, segundo a qual a Aliança deveria deixar claro que a decisão teria exclusivamente um caráter de defesa da Turquia e não se destinaria a preparativos de guerra. Além disto, a Bélgica reivindicava uma referência direta às Nações Unidas, o que foi rechaçado inicialmente pelos EUA, a Grã-Bretanha e a Espanha.

Ultimato para fazer pressão

Após consultações intensivas, que incluíram contatos com os chefes de governo nas respectivas capitais, foi encontrado finalmente um compromisso para a obtenção do apoio de todos os 18 países integrantes da Comissão. "Chegamos a um acordo sobre a questão e o cronograma", anunciou Robertson.

A Turquia é o único país da OTAN que possui fronteira com o Iraque e teme, por isto, um contra-ataque em caso de guerra. As divergências dentro da OTAN atingiram seu ponto culminante na semana passada, quando Robertson lançou um ultimato, a fim de pressionar os três países que bloqueavam a ajuda à Turquia. Apesar disto, a França, a Alemanha e a Bélgica mantiveram seu veto. Como reação a isto, os EUA acusaram os três países de estarem pondo em jogo a existência da OTAN.

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