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Mundo

Conselho de Governadores discute questão iraniana

Após o fracasso das negociações entre iranianos, europeus e russos, o Conselho de Governadores da AIEA decide se leva a questão do programa nuclear do Irã ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.

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Equipamentos para usina nuclear desembarcam no porto iraniano de Busher

Após o impasse das negociações entre o representante iraniano, Ali Larijani, e diplomatas dos três Estados europeus (Alemanha, França e Reino Unido), na última sexta-feira (03/03), em Viena, o caso é levado agora para o Conselho de Governadores da AIEA.

Os 35 representantes do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) se reúnem a partir desta segunda-feira (06/03) para decidir se encaminham a polêmica em torno do programa nuclear iraniano ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O Irã é acusado pela União Européia e pelos Estados Unidos de querer dominar o ciclo nuclear para construir a bomba atômica e não para fins pacíficos de fornecimento energético, como até agora afirmou o governo de Teerã.

A proposta do governo de Moscou de enriquecimento de urânio para as usinas atômicas iranianas em território russo também fracassou, já que o Irã não abre mão do enriquecimento do urânio em seu território.

O Conselho e a Agência

Verhandlungen in Rußland über Uran-Anreicherung

O negociador iraniano, Ali Larijani

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) foi criada em 1957 como uma organização independente das Nações Unidas. Quando, a partir dos anos 70, cada vez mais países se esforçavam para a obtenção da bomba atômica, a AIEA tornou-se um órgão controlador do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).

A AIEA é composta por 139 países e tem como órgão máximo o Conselho de Governadores, composto, por sua vez, de 32 representantes de diferentes países, que se revezam a cada dois anos, e dos Estados Unidos, França e Reino Unido, membros permanentes do grêmio. Ao Conselho de Governadores também pertencem o Brasil e Alemanha, que nele está desde 1972.

Desde 1997, o chefe da agência com sede em Viena é o egípcio Mohamed El Baradei, que juntamente com sua organização foi premiado, no ano passado, com o Prêmio Nobel da Paz. Os inspetores da AIEA controlam hoje instalações nucleares em mais de 70 países.

Negociações ou não

IAEA tagt in Wien

O diretor-geral da AIEA, El Baradei, na abertura da reunião em Viena

Na reunião desta semana, El Baradei irá apresentar um novo relatório, onde descreve o desenvolvimento das pesquisas iranianas para o combustível atômico e como o país tenta escapar do controle da AIEA.

O eventual encaminhamento da polêmica iraniana ao Conselho de Segurança das Nações Unidas poderá levar a sanções econômicas, como também militares contra o governo de Teerã. Representantes do governo americano declararam, entretanto, que sanções, por enquanto, continuam fora de cogitação.

O diretor-geral da AIEA comentou, em Viena, que está otimista quanto à polêmica: "Ainda tenho a esperança de que já na próxima semana se chegará a um acordo sobre o assunto". El Baradei estava se referindo, com certeza, aos esforços europeus e russos para resolver a questão.

Para tal, especula-se em círculos diplomáticos que a possibilidade de um programa limitado de enriquecimento de urânio, por parte do Irã, poderá ser discutida a partir da terça-feira (07/03) na reunião do Conselho de Governadores em Viena.

Cada cabeça, uma sentença

Ali Asghar Soltanieh

O embaixador iraniano na AIEA, Ali Asghar, em Viena

No Conselho de Governadores, os países europeus e os Estados Unidos, apoiados pelo Japão, Austrália e Canadá, seguem uma linha dura e exigem que o Irã desista da intenção de enriquecer urânio em seu território.

A Rússia e a China, que possuem direito de veto no Conselho de Segurança da ONU, querem evitar sanções contra o Irã e se esforçam para que tudo seja resolvido diplomaticamente.

Os chamados "países em desenvolvimento" como o Brasil, a África do Sul e a Índia não concordam com a posição norte-americana e européia em relação à questão iraniana, já que estão temerosos que o mesmo possa acontecer com os seus próprios programas nucleares.

De uma forma geral, todos os países ocidentais apóiam a proposta russa de enriquecimento do urânio iraniano em seu território, o que evitaria sua utilização para armas atômicas.

Acusações e opiniões

Verhandlungen über iranisches Atomprogramm

O ministro Steimeier na reunião de Ali Larijani com os ministros europeus em Viena

Enquanto o negociador iraniano afirmava a intenção, a todo custo, de seu país continuar seu programa de pesquisas nucleares, o embaixador norte-americano nas Nações Unidas, John Bolton, anunciou no último domingo, em Washington, que o "Irã deve contar com conseqüências dolorosas, caso não desista de suas intenções".

Esta opinião também é compartilhada pela secretária de Estado norte-americana Condoleezza Rice, que declarou durante a sua visita a Islamabad, no sábado (04/03), que acredita que o Conselho de Segurança venha, em breve, decretar sanções contra o Irã.

O ministro das Relações Exteriores alemão, Franz-Walter Steinmeier, declarou ao Frankfurter Allgemeine Zeitung, nesta segunda-feira (06/03), estar preocupado com a questão iraniana, dando a entender que a questão poderá ser realmente levada ao Conselho de Segurança da ONU.

Peter Philipp comenta

O analista da Deutsche Welle, Peter Philipp, afirma a sua desconfiança em relação às intenções energéticas iranianas, já que um país rico em petróleo não precisaria de energia atômica.

Levando em conta as experiências negativas das sanções contra o Iraque no passado, o analista não acredita que o mesmo acontecerá com o Irã, como também não acredita que as acusações de El Baradei contra o Irã sejam convincentes.

A fórmula utilizada por Baradei é sempre de que "não se pôde comprovar claramente, que o Irã utiliza a energia nuclear para fins pacíficos". Seguindo a mesma lógica, também não se pode comprovar o contrário, afirma Peter Philipp.

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