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Mundo

Conquistando novos amigos e reforçando alianças

Em viagem que o levou ao Mali, à Namíbia e à África do Sul, o ministro das Relações Exteriores, Joschka Fischer, defendeu com veemência sua visão política do multilateralismo. Dagmar Wittek comenta os resultados.

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Quem disse que a Alemanha ficou isolada por causa da guerra do Iraque? Pelo contrário: na África, principalmente, o "não" da Alemanha ajudou a conquistar novos amigos e a reforçar antigas alianças. Isto se tornou evidente durante a viagem de cinco dias do ministro das Relações Exteriores, Joschka Fischer, a três países do continente.

A guerra no país do Golfo foi tematizada na Namíbia e na África do Sul, em especial, e ambos os países concordam com a posição alemã. Na África do Sul, a atmosfera pareceu sobremaneira descontraída e cordial, como se tivesse surgido uma aliança de nova qualidade entre o maior opositor da guerra na Europa e o mais veemente opositor no continente africano. A profissão de fé de Fischer são as decisões multilaterais e não — como ocorreu no caso do Iraque — as que uma potência mundial toma unilateralmente. O presidente sul-africano, Thabo Mbeki, é da mesma opinião.

Fator de estabilização

Desde o fim da política do apartheid, em 1994, a África do Sul vem se posicionando com intensidade crescente como guardiã do multilateralismo. Sendo a maior potência econômica do continente, o país atua ao mesmo tempo como força estabilizadora: fomentando cooperações regionais, a formação de redes e, principalmente, impulsionando os projetos da União Africana. Com isso, a África do Sul tornou-se a interlocutora mais importante de missões oficiais em visita ao continente.

O presidente Mbeki insiste em que a África precisa encontrar sozinha as soluções para os seus problemas. Daí a grande importância do Conselho de Segurança da União Africana e das missões de paz africanas inspiradas pelos boinas azuis das Nações Unidas e que atuam no Burundi e na Libéria, afirma. Essa abordagem foi ressaltada inúmeras vezes pelo ministro alemão em tom de reconhecimento.

Pouco dinheiro mas muito apoio moral

Críticos afirmam que a Alemanha no fundo não tem uma política para a África e nada faz além de encurtar as ajudas financeiras. Na verdade, ocorre o contrário: Fischer reconheceu que está ocorrendo um deslocamento no seio da comunidade internacional e nas Nações Unidas, no que diz respeito à formação de alianças, e isso graças justamente à África do Sul e outros países em que a democracia se arraiga, como é o caso da Namíbia e de Botsuana.

Um multilateralismo efetivo é a única forma de prevenir crises, superar conflitos e assegurar o progresso econômico, defendeu o ministro reiteradamente. Os países que concordam com a Alemanha também votaram neste sentido no Conselho de Segurança da ONU, reconheceu o ministro a modo de elogio. Justamente por isso é que ele visitou a Namíbia e a África do Sul.

Mesmo o Mali, onde o político do Partido Verde agradeceu novamente a cooperação do presidente Amadou Toumani Touré na libertação dos turistas seqüestrados por terroristas islâmicos no deserto do Saara, pode ser incluído nesta categoria do multilateralismo e do fator de estabilização.

Fischer não se cansou de defender o que é de sua convicção: a necessidade de que em todo o mundo se façam parcerias também com os países africanos que se orientam pelos mesmos fundamentos pacíficos. Só assim podem ser assegurados os direitos humanos, a paz e a liberdade.

Neste sentido, a Alemanha tem sim uma política para a África. Ela é muito mais complexa e silenciosa do que uma que disponha de muito dinheiro a ser distribuído. Mas ela é também muito mais duradoura e tem mais caráter de parceria, porque aposta na convivência pacífica e não na tutela paternalista.

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