Congresso em universidade alemã analisa o mito James Bond | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 08.06.2009
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Cultura

Congresso em universidade alemã analisa o mito James Bond

Agente 007 foi tema de congresso internacional que reuniu 65 teóricos da cultura e especialistas em literatura e foi promovido pela Universidade de Saarbrücken, no estado alemão do Sarre.

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Sean Connery como James Bond em 1966

Já há mais de 50 anos, ele é considerado um dos agentes secretos de maior sucesso no mundo. Neste final de semana, pesquisadores europeus e norte-americanos discutiram em Saarbrücken por que o Agente 007 nunca deve morrer, por que ele sempre viaja por metade do mundo em seus filmes e como seu personagem mudou após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

Segundo Joachim Frenk, professor de literatura e cultura britânica na Universidade de Saarbrücken e um dos organizadores do congresso, podem-se acompanhar mais de 50 anos de história cultural através dos filmes de James Bond. Segundo ele, mais da metade da população mundial assistiu ao menos a um filme do agente secreto a serviço de Sua Majestade.

"Bond da globalização"

Ian Fleming

Ian Lancaster Fleming, criador do superagente

Além dos 22 filmes de James Bond produzidos desde 1962, os cientistas analisaram durante o congresso de três dias também as histórias publicadas por seu criador, o escritor inglês Ian Fleming (1908-1964).

Para Joachim Frenk, "Bond é o personagem de vida mais longa da cultura global de mídia". "Como fantasia na tela, os filmes espelham a completa história ocidental e, cada vez mais, a história contemporânea global após a Segunda Guerra Mundial", afirmou.

Os temas dos 22 filmes trataram, primeiramente, da queda do Império Britânico e da Guerra Fria. Atualmente, o "Bond da globalização" se envolve em ameaças terroristas e na luta pelos recursos naturais, como no filme mais recente Quantum of Solace (2008). "Trata-se dos interesses de poder no mundo real", explicou o professor da Universidade de Saarbrücken.

Herói de todos os tempos

Já há algumas décadas, o Agente 007 é objeto da ciência. No congresso em Saarbrücken, o professor de literatura inglesa na Universidade de Amsterdã, Christoph Lindner, justificou por que a imortalidade de Bond está bastante relacionada aos negócios em torno do filme. O londrino Andrew Lycett, autor de uma biografia sobre Ian Fleming, conferenciou sobre o "pai" do superagente.

Combo James Bond Darsteller

Atores que incorporaram Bond

James Chapman, professor de cinema na Universidade de Leicester, fez um estudo comparativo de três filmagens de Cassino Royale (1953), primeiro livro de Fleming contando as aventuras de 007. Chapman, principal palestrante do primeiro dia do congresso, na sexta-feira (05/06), afirmou que nos últimos filmes Bond teria se tornado mais humano e emocional. Na opinião do professor de Leicester, o ator Daniel Craig incorporaria um 007 mais complexo que as outras versões do agente.

Para a especialista em literatura da Universidade de Freiburg, Barbara Korte, isso demonstraria uma adaptação do personagem aos tempos atuais. Em Quantum of Solace, a linha divisória entre o herói e o bandido desapareceu. As coisas não são tão mais claras como antigamente. O Bond representado por Craig é desiludido e magoado, sendo assim um herói do seu tempo para o seu tempo, explicou Korte.

Licença para viver

Joachim Frenk explicou que as modificações na figura de Bond também são objeto de pesquisa e tema de debate teórico. Frenk constatou que Bond tornou-se "mais sério e mais durão". Se no início, os filmes de 007 eram cheios de ironia e autoironia, eles hoje são dominados pela seriedade e pela violência.

A masculinidade do agente também sofreu modificações. Enquanto o Bond de Sean Connery partiu o coração de muitas mulheres bonitas, o Bond de Craig aparece como, em parte, até dócil, e alguém que entende o sexo feminino.

A emancipação das garotas de James Bond e o futuro do agente com licença para matar foram outros temas em discussão no congresso na Universidade de Saarbrücken. Pois, como explicou o reitor da universidade, Volker Linneweber, "já por razões econômicas, não é permitido a James Bond morrer".

CA/dpa/epd/ap

Revisão: Roselaine Wandscheer

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