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Mundo

Congresso e Obama têm campo reduzido para acordos

Apesar de promessas de cooperação, pode ser que presidente democrata e o Legislativo, sob controle republicano, desapontem os eleitores dos EUA. Áreas para negociação são restritas e não há sinais promissores.

Depois das eleições legislativas nos Estados Unidos, em novembro de 2014, tanto os vitoriosos republicanos quanto o presidente Barack Obama fizeram seus discursos obrigatórios sobre o desejo de colaborar no novo ano, colocando o bem do povo americano como prioridade. Afinal, é isso o que espera deles uma grande maioria do eleitorado, de acordo com pesquisas de opinião publicadas em dezembro.

Só que, assim que o novo Congresso entrou em funcionamento, sua agenda pareceu indicar o contrário. Do topo da lista de tarefas prioritárias da casa dominada pelos republicanos constam: fazer passar a construção do controverso oleoduto Keystone XL, e barrar a reforma do sistema de saúde, de importância central para Obama.

Ambas são questões que o chefe de Estado democrata tudo fará para bloquear, até mesmo usando seu veto presidencial. Os republicanos na Câmara dos Representantes também têm na mira outro projeto decisivo de Obama: a reforma das leis de imigração, através de emendas na proposta de financiamento para o orçamento de segurança interna.

Pior impasse imaginável

Nesse meio tempo, a recente iniciativa presidencial de reverter a política de embargo contra Cuba colocou mais lenha na fogueira da fúria dos republicanos, por a Casa Branca ter passado por cima deles na questão da imigração.

"Provavelmente não é possível o impasse se tornar pior do que foi no Congresso anterior", avalia Barry Burden, cientista político da Universidade de Wisconsin-Madison.

Pelo menos teoricamente, o Partido Republicano – que em novembro retomou o controle total sobre o Congresso, depois de oito anos – teria um forte incentivo para provar ao público americano que não só sabe barrar, mas também governar.

"Adultos sérios estão no controle aqui, e pretendemos fazer progresso", prometeu recentemente Mitch McConnell, líder da maioria republicana no Senado. No entanto, as ações de seu partido no Congresso – propondo explicitamente questões polarizadoras, com poucas chances de sucesso legislativo – parecem contradizer essa afirmativa.

Da mesma forma, pelo menos na teoria o presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner, deveria dispor de mais espaço para cooperar com a Casa Branca e o Senado, devido à maioria republicana mais ampla na Câmara.

No entanto, uma vez que sua eleição foi obscurecida pelo maior motim partidário contra um líder da Câmara em exercício, desde a Guerra Civil, pode ser que Boehner também vá pensar duas vezes antes fazer concessões demais a Obama, para não arriscar uma nova revolta conservadora.

Machtwechsel im US-Senat

Troca de poder no Senado em novembro de 2014. Ao centro, John Boehner

Poucos pontos negociáveis

"Há uma gama temática em que não acontecerá cooperação bipartidária", antecipa Barry Burden. Nessa categoria, o analista político situa a reforma do sistema de saúde, o oleoduto Keystone e a imigração. "Uma nova legislação de controle de armas parece estar totalmente excluída da mesa de negociações." Portanto, as áreas para um acordo mútuo são restritas.

"No momento, o presidente e os líderes republicanos concordam quanto a medidas de livre-comércio, e elas deverão passar", aponta o especialista em política americana Peverill Squire, da Universidade do Missouri. Por outro lado, embora extremamente difíceis, acordos sobre a imigração e a reforma tributária não são totalmente improváveis.

"A grande dúvida é com relação às questões orçamentárias", prevê. "Os líderes republicanos tentarão evitar bloquear financeiramente o governo, mas ainda assim vão pressionar para que se reduzam os gastos". Com que grau de sucesso, ainda não é possível predizer.

Protest gegen die Keystone-Pipeline

Keystone XL é um dos muitos pontos controversos

Acordo orçamentário possível

Burden, da Universidade de Wisconsin-Madison, concorda que o orçamento poderá ser o maior esforço legislativo bipartidário, que só será resolvido por não poder ser evitado. Contudo adverte: "É difícil ver onde eles vão fazer concessões, além de elementos triviais do orçamento."

Com um pouco de ajuda externa, contudo, mesmo um Congresso e um presidente radicalmente divididos podem alcançar, ressalva.

"Surpresas são possíveis, como quando o presidente Bill Clinton e o Congresso republicano aprovaram um orçamento equilibrado, no fim dos anos 1990. Se a economia continuar a se desenvolver, como na época, as arrecadações tributárias aumentarão, e haverá oportunidades para reduzir o déficit – algo de que ambos os partidos gostariam de se gabar, para o eleitorado."

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