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Mundo

Conflito com Iraque domina política britânica

A tensão entre o Ocidente e o Iraque domina a convenção do Partido Trabalhista inglês (Labour Party), do primeiro-ministro Tony Blair, iniciada domingo (29/9).

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Tony Blair discursa em Blackpool

Cerca de 60% dos delegados pronunciaram-se a favor do emprego de violência contra Saddam Hussein, porém só em último caso, e a partir de um mandato da ONU. Os votantes encontravam-se sobre enorme pressão, pois, apenas dois dias antes, um protesto contra uma eventual ofensiva militar no Iraque reunira, em Londres, 400 mil pessoas, segundo os organizadores, ou 150 mil, de acordo com a polícia local. A multidão desfilou diante do gabinete de Blair, na Downing Street 10, com slogans como "Abaixo os EUA!" e "No meu nome, não!".

A política para o Iraque ocupara o primeiro plano desde os preparativos para a convenção, que reuniram os grêmios partidários e delegados. Apesar do resultado favorável, nesta questão o premiê inglês não conta com o apoio incondicional nem mesmo de seus colaboradores imediatos. Até o momento, a ministra do Desenvolvimento, Clare Short, foi a única a manifestar-se radicalmente contra uma ação bélica. Falando aos delegados do Labour Party, ela declarou: "Todos estamos ouvindo os tambores de guerra. Ninguém deveria ser a favor". Em sua opinião, o governo deveria fazer tudo para "defender e fortalecer a autoridade das Nações Unidas".

Em entrevista ao jornal The Independent, o ministro britânico da Fazenda, Gordon Brown, advertiu para as conseqüências econômicas de uma guerra contra o Iraque, que incluiriam o aumento dos preços do petróleo e turbulências nos mercados financeiros. Brown, considerado rival de Blair dentro do partido e seu eventual sucessor, não deixou de louvar a força de liderança do premiê.

Desvio forçado – Discursando na terça-feira em Blackpool, Tony Blair defendeu a linha dura contra o Iraque. Agora que a comunidade internacional reconheceu o perigo que vem de Bagdá, seria necessário opor-se decididamente. Caso contrário, "destruímos não apenas a autoridade dos EUA ou da Grã-Bretanha, mas sim das próprias Nações Unidas", concluiu o chefe de governo britânico.

Apesar dessas palavras, é bem possível que tanto a pressão pública como intrapartidária levem-no a abandonar o curso pró-George Bush, que vem seguindo cegamente. Tal desvio de curso já se anunciou pouco antes da convenção na cidade balneária de Blackpool, na costa norte.

Em entrevista à BBC, Balir discordou pela primeira vez, moderadamente, do presidente norte-americano, defendendo a necessidade de proceder "passo a passo" contra o governo iraquiano. Ele preferiu não especificar se considera necessário duas ou apenas uma resolução das Nações Unidas contra Bagdá. O mais importante seria manter "a maior pressão possível" contra o ditador Saddam Hussein, concluiu o primeiro-ministro para a BBC.

Derrota na privatização - O segundo tema focal da convenção, que durará cinco dias, é a privatização parcial dos serviços públicos e do sistema de saúde. Aqui, Blair sofreu uma derrota dolorosa: 67% dos delegados manifestaram-se a favor da petição dos sindicatos, exigindo um exame do processo de privatização.

Este é o segundo fiasco do gênero, desde que Blair assumiu a liderança do Labour, em 1994. Na prática, a votação pouco poderá alterar o curso dos acontecimentos: escolas e hospitais passarão cada vez mais a ser administrados e financiados pela iniciativa privada. Antes mesmo da convenção, Blair já anunciara que, nesse assunto, não há lugar para vozes críticas.

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