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Ciência e Saúde

Conferência da aids acontece sob a sombra da tragédia na Ucrânia

Mais de cem pesquisadores e ativistas morreram na queda do avião da Malaysia Airlines, provavelmente abatido na Ucrânia. Apesar disso, a Conferência Mundial sobre a Aids acontece em Melbourne, na Austrália.

Proeminentes especialistas em aids, cientistas e seus assistentes estavam a bordo do voo MH17 a caminho da 20ª Conferência Internacional sobre a Aids que acontece em Melbourne, na Austrália. A notícia da queda do avião chocou a todos, principalmente os participantes do evento.

Apesar disso, a conferência foi mantida e, até 25 de julho, será debatido, tanto quanto possível, o lema: "Passos rumo a um mundo sem aids". O evento começou neste domingo (20/07) com um minuto de silêncio em memória das vítimas.

A bordo do voo MH17 estavam especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Aids Fonds, da organização Stop Aids Now, do Instituto de Saúde e Desenvolvimento Global de Amsterdã, além de pesquisadores holandeses, informou a Sociedade Internacional da Aids (IAS, na sigla em inglês).

Segundo a IAS, o logotipo do evento – quatro pés estilizados por fitas – representa uma maior compreensão científica, médica e social e que pessoas de diferentes idades e sexos são afetadas pela aids, mas que todos vão pelo mesmo caminho.

Prevenção abrangente

Pessoas com HIV/aids não devem ser discriminadas ou estigmatizadas. Essa exigência é um ponto central da atual conferência. Cerca de 12 mil participantes irão discutir e trocar ideias sobre a situação e o desenvolvimento de pesquisas na área. Enquanto a doença ainda continua sem cura, a profilaxia ocupa cada vez mais o centro das atenções.

A conferência irá tratar de medicamentos que impedem a propagação do vírus no organismo. Na agenda do evento está a chamada profilaxia pré-exposição, afirmou o especialista Norbert Brockmeyer. Segundo ele, com essa medida, uma boa parte das infecções pode ser evitada.

"A forma como nós, seres humanos, podemos nos proteger do HIV ganhará mais importância. Isso inclui também o cuidado com as crianças. Como elas podem ser protegidas, especialmente nos países em desenvolvimento? Como podemos oferecer às mães melhores cuidados? Trata-se de questionamentos medicinais, mas também sociais, que serão discutidos e para os quais os cientistas têm de encontrar respostas", declarou Brockmeyer.

20th International AIDS Conference

Logotipo da conferência lembra que todos caminham juntos

Sucessos e fracassos

Poucos dias antes do início da conferência, a ONU divulgou novos números sobre a doença. No ano passado, houve cerca de 2,1 milhões de novas infecções pelo vírus HIV. O número de pessoas que morreram de aids diminuiu mundialmente em 200 mil, caindo para 1,5 milhão.

Políticos e governos nacionais têm grande importância na discussão em torno do HIV e da aids. Principalmente, quando se trata das diretrizes sobre como lidar com os grupos de risco, que foram publicadas pela OMS, em meados de julho. Os principais pontos são a discriminação e o estigma de homossexuais, transexuais, prostitutas e viciados em drogas.

Em alguns países, tais pessoas são discriminadas até mesmo em nome da lei. Brockmeyer disse estar convencido de que, assim, o vírus tem uma chance muito maior de se propagar.

Declaração de Melbourne

"Ninguém deixado para trás" é o título da chamada Declaração de Melbourne, que já havia sido concebida antes do evento e deverá ser aprovada no final da conferência. Um fim à discriminação e ao estigma também é um requisito fundamental. Os autores exigem que todos os governos estabeleçam legalmente a igualdade de tratamento para os grupos de risco e que garantam a todos o mesmo direito de prevenção, terapia e esclarecimento.

"Quanto mais pessoas se informarem sobre o HIV/aids e quanto melhor forem as campanhas de esclarecimento, mais elas se protegem. E quanto maior a frequência da aplicação de medicamentos antirretrovirais, menos pessoas serão infectadas pelo vírus", opinou Brockmeyer.

Muitas organizações em todo o mundo se juntaram à Declaração de Melbourne, entre elas, o Fundo Global de Luta contra Aids, Tuberculose e Malária, as organizações francesas Sidaction e Aides, como também a rede Aids Action Europe.

Ainda deve demorar para que sejam desenvolvidos uma vacina ou um remédio eficaz para a cura da aids. Mas Brockmeyer disse estar convencido de que "estamos no caminho certo."

O especialista afirmou ainda estar seguro de que a queda desastrosa do avião e a morte de tantos colegas fará com que os pesquisadores se esforcem de forma ainda mais intensa – de acordo com o espírito das vítimas.

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