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Globalização

Computador ajuda ou atrapalha no ensino?

Escolas alemãs apostam cada vez mais no uso do computador no ensino. "Mas não se deve esperar disso uma revolução para uma melhor educação", adverte o perito Ludger Wössmann, em entrevista à DW-WORLD.DE.

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Crianças que passam muito tempo diante do computador têm desempenho escolar fraco, diz perito

Segundo um relatório do Ministério alemão da Educação e Pesquisa, as cerca de 30 mil escolas do país estão equipadas com mais de um milhão de computadores. Desde 2001, todas elas estão conectadas à internet e usam o computador em sala de aula.

Mais da metade (57%) das crianças alemãs em idade escolar (de 6 a 13 anos) também usa computador em casa, aponta uma pesquisa representativa sobre consumidores infantis, publicada na semana passada. Peritos vêem nisso um perigo.

"Diante da tela, os alunos desaprendem a trabalhar num texto de forma concentrada e são desviados pela diversidade de capacidades do computador", disse Klaus Hurrelmann, professor de Ciências Sociais da Universidade de Bielefeld, na última terça-feira (08/08), ao jornal Kölner Stadt Anzeiger, de Colônia.

O início do ano escolar na Renânia do Norte-Vestfália, há uma semana, trouxe à tona novamente uma discussão em curso há meses na Alemanha sobre o sentido do uso do computador no ensino. Sobre essa polêmica, desencadeada por notícias de que algumas escolas nos EUA planejam retirar os notebooks e a internet da sala de aula, a DW-WORLD.DE falou com o professor Ludger Wössmann, do Instituto de Pesquisas Econômicas (Ifo) e da Universidade de Munique.

DW-WORLD.DE: O estudo Pisa (relatório anual da OCDE sobre a situação do ensino nos principais países industrializados) sugeriu que crianças que passam mais tempo diante do computador têm melhor desempenho na aula. O senhor e seu colega Thomas Fuchs, do Ifo, descobriram que acontece o contrário. Nos EUA, já se pensa em retirar os computadores e a internet da sala de aula. Isso confirma mais uma vez a sua pesquisa?

Ludger Wössmann: As referidas escolas nos EUA fizeram a experiência de que o uso do computador e da internet na aula não necessariamente favorece e, sim, até atrapalha o aprendizado. Isso de fato corresponde às nossas conclusões com base nos dados do estudo Pisa.

Essa virada nos EUA pode servir de exemplo também para a Alemanha?

Isso é bem possível. Pelos menos os projetos que vêem o computador como panacéia para a aula, com certeza, deveriam ser questionados.

O computador só impede de aprender na escola e em casa?

No nosso estudo descobrimos que, assim que se desconsiderar efeitos do ambiente familiar, a simples disponibilidade de computadores em casa de fato estava ligada a desempenhos piores em matemática, ciências naturais e compreensão de texto. Parece que os computadores são usados principalmente para brincar. Se isso acontece às custas das tarefas escolares ou da ocupação criativa, isso realmente pode impedir que se aprenda. O efeito negativo é enfraquecido, se o computador for usado para software escolar e pesquisa na internet.

Entre as escolas com e aquelas sem computador não encontramos diferenças significativas de desempenho. Um uso moderado, de até algumas vezes por mês, do computador e da internet na aula contribui para a uma leve melhora do desempenho, mas o uso demasiado intenso, de várias vezes por semana, tem efeitos significativamente negativos. No todo, o uso do computador não parece propiciar muito a aprendizado. Pelo contrário, pode até impedir que se aprenda.

Vale a pena as escolas investirem em PCs ou seria melhor que elas se restringissem ao quadro com giz e aos livros?

Aqui vários fatores são importantes: primeiro, os resultados mostram apenas efeitos negativos em caso de uso excessivo. Portanto, faz sentido voltar aos métodos clássicos de aula, mas não se deve demonizar o uso do computador.

Em segundo lugar, tudo depende de como o computador é usado. Nossos resultados mostram que, na média das aplicações atuais, não se vê efeito positivo. Talvez existam melhores possibilidades de uso do computador, mas a realidade hoje não melhora o desempenho escolar.

Em terceiro lugar, nossos resultados se referem exclusivamente às competências cognitivas básicas mensuráveis, ou seja, matemática, ciências naturais e leitura. Pode ser que o uso do computador na aula aumente a capacidade dos alunos de lidar com essa tecnologia. Mas, em relação à competência cognitiva, não se deve esperar muito de escolas conectadas em rede.

De jeito nenhum se deve esperar dos investimentos na informatização das escolas a grande revolução para um ensino melhor. Isso eles não podem garantir. Para isso, são necessárias outras reformas.

Qual é a vantagem que a internet traz para os alunos?

Ela pode abrir todo um mundo de novas informações, mas também pode desviar a atenção de conteúdos importantes, bem como confundir e transtornar com sua enxurrada de informações. Para usar a internet de forma a favorecer o aprendizado, são necessárias as competências básicas para procurar e avaliar informações.

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