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Ciência e Saúde

Como proteger a coluna e evitar a hérnia de disco

Milhares de pessoas são afetadas pelo desgaste nos discos intervertebrais, que provocam fortes dores. Cientistas alemães desenvolveram um simulador para tentar identificar as causas e a necessidade de cirurgia.

Os 23 discos de cartilagem localizados entre as vértebras do corpo humano amortecem o impacto e tornam a coluna mais flexível. Mas esses mesmos discos intervertebrais podem ser também a causa de muita dor.

Wolfgang Uhlig, de 61 anos, tem problemas na região desde jovem. "A dor teve início na coluna, então minha coxa ficou dormente. A dormência se espalhou pela perna, até o dedão do pé. Eu mal podia andar, muito menos sentar", conta.

"A hérnia de disco pressiona o nervo, o que provoca a clássica dor ciática", explica o ortopedista Christian Woiciechowsky, da Universidade Humboldt de Berlim. Na Alemanha, a cada ano, surgem 180 mil novos pacientes com problemas de coluna como o de Uhlig.

"O médico disse que eu teria que fazer uma fusão espinhal, mas eu não estava preparado para isso e quis uma segunda opinião", diz Uhlig. Foi então que ele procurou Woiciechowsky. No final, Uhlig não teve que remover o disco intervertebral completamente. A parte que pressionava o nervo foi extraída por um furo de oito milímetros, num procedimento pouco invasivo.

Mudanças na coluna ao longo dos anos são consideradas normais. Os discos começam a se desgastar a partir dos 18 anos. Conforme o tempo passa, acontece a desidratação do disco intervertebral, especialmente do núcleo gelatinoso. Com o ressecamento, a fibra ao redor se rompe. É uma degeneração natural e, com os anos, a coluna fica menos flexível.

Exames como a tomografia computadorizada podem não identificar as reais causas da dor, pois apenas mostram se os discos parecem normais. "Alguns pacientes têm mudanças degenerativas graves, mas sentem pouca dor, enquanto outros têm alterações mínimas e uma dor muito forte", diz Woiciechowsky.

Necessidade de cirurgia

Cientistas do Instituto de Ortopedia da Universidade de Ulm, na Alemanha, investigam as mudanças degenerativas nos discos vertebrais. Eles querem estabelecer critérios para avaliar a necessidade ou não de uma cirurgia.

"A degeneração aparece na imagem [da tomografia] como um disco preto, porque o teor de líquido no tecido é baixo e, na tomografia, ele não fica mais tão brilhante. Esse costumava ser um indício que levava à cirurgia, mas percebemos que, possivelmente, não é um bom parâmetro e temos que procurar outros", explica Hans-Joachim Wilke, cirurgião experimental que se dedica ao tema há 20 anos.

Cirurgias são comuns mesmo quando o desgaste é leve. A razão para isso é que muitos médicos acreditam que essa corrosão leva a uma "folga" entre as vértebras, o que pode pressionar o nervo, causando dor.

Mas será que essa é mesmo a consequência da degeneração? A teoria está sendo testada com um simulador vertebral. Câmeras infravermelho gravam o movimento das partes da coluna, assim os cientistas podem identificar até frações de milímetro da mobilidade entre as vértebras.

"Nós descobrimos que a mobilidade diminui à medida que a degeneração aumenta. Claro, houve exceções quando achamos fissuras nos discos intervertebrais", diz Wilke.

Tais rachaduras ou fissuras poderiam ser critérios adicionais, no futuro, para decidir sobre uma operação. "Se não houver fissuras ou rachaduras, é provável que o disco esteja estável", diz Wilke.

Anos de desgate

Como a hérnia de disco aparece ao longo dos anos ainda não está claro. "Eu trabalhava em uma fábrica há 10 anos e só escavava concreto. Eu penso que pode ter sido isso, por causa da sobrecarga", conta Uhlig.

Movimentos bruscos ao se virar ou levantar objetos podem desgastar um disco intervertebral e provocar uma hérnia. O líquido no núcleo gelatinoso vaza de repente, embora o esmagamento aconteça durante anos. Especialistas acreditam que a "rachadura" começa de dentro para fora.

"As nossas simulações matemáticas mostraram que as fissuras também podem começar de fora para dentro, gradualmente, até que se crie um canal por onde o líquido escapa", diz Wilke.

Os pesquisadores em Ulm desenvolveram um simulador para testar qual é a hipótese correta. Demora algumas horas até que o equipamento recrie os anos de desgaste e, por fim, o vazamento no disco intervertebral. O aparelho reproduz os mais diversos tipos de movimento que levam à hérnia de disco. O resultado: depois de se mexer milhares de vezes, o tecido rasga e o núcleo vaza.

Os cientistas podem ver exatamente o que acontece dentro do disco e os efeitos de diferentes impactos. A ideia é que as descobertas ajudem as pessoas a corrigir seus movimentos e quem sabe até evitar cirurgias.

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