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Ciência e Saúde

Como o aquecimento global pode mudar o mapa

No pior cenário, completo derretimento das camadas de gelo de Antártida e Groenlândia elevaria mar em 60 metros. Continentes mais afetados seriam Ásia e Europa. Holanda, Bangladesh e várias capitais brasileiras sumiriam.

De acordo com um estudo recém-publicado pelo

Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático

, a temperatura global pode subir em média 12 graus Celsius caso todos os recursos de combustíveis fósseis sejam esgotados na Terra. Isso resultaria no derretimento completo das camadas de gelo que cobrem a Antártida e a Groenlândia.

Embora o aumento de temperatura não deva acontecer repentinamente, a manutenção do atual comportamento da sociedade pode mudar a face da Terra, afirma Ricarda Winkelmann, principal autora do estudo alemão.

Segundo o estudo, caso todos os recursos disponíveis de combustíveis fósseis sejam queimados, a camada de gelo da Antártida entrará em colapso. Consequentemente, o nível do mar subiria três centímetros por ano. O ápice – depois de vários milhares de anos – seria de 58 metros, que corresponde à quantidade de todo o gelo derretido. Europa e Ásia seriam as regiões mais afetadas.

Institut für Klimafolgenforschung Die Antarktis - EINSCHRÄNKUNG

Ricarda Winkelmann, principal autora do estudo: "Precisamos manter carvão, gás e petróleo no solo"

No norte da Europa, a Holanda seria completamente engolida pelo mar. As cidades alemãs de Hamburgo e Berlim estariam completamente submersas. E a costa alemã se moveria para aproximadamente 400 quilômetros ao sul. A Dinamarca ficaria reduzida a um minúsculo país insular. Veneza estaria submersa – apesar de todas as barragens para impedir inundações.

"Se quisermos que futuras gerações passeiem em cidades como Tóquio, Hong Kong, Xangai, Rio de Janeiro, Hamburgo ou Nova York, precisamos evitar o derretimento na Antártida Oriental", diz Andres Levermann, coautor do estudo do instituto de Potsdam, acrescentando que isso só poderia ser feito parando as emissões de gases do efeito estufa.

A Ásia seria o continente mais atingido. Todo o país de Bangladesh, que conta com uma população de 180 milhões de habitantes, ficaria submerso. Além disso, as cidades de Cingapura, Hong Kong, Xangai e Pequim não existiriam mais.

Se o aquecimento global pudesse ser contido em 2 graus Celsius, o nível do mar subiria cerca de um metro – o que ainda seria aceitável, segundo os autores do estudo. Mas mesmo assim, pequenos Estados insulares com as Ilhas Maldivas e Tuvalu desapareceriam da face da Terra.

Infografik Meeresspiegelanstieg um 60 Meter Europa Englisch

Mapa mostra, em azul, as áreas que seriam alagadas na Europa e no Oriente Médio: Holanda sumiria

Brasil teria 14 capitais submersas

No

site geology.com

é possível verificar os efeitos da subida do nível do mar em todas as regiões do globo terrestre. No Brasil, por exemplo, capitais como Porto Alegre, Florianópolis, Rio de Janeiro, Vitória, Salvador, Aracaju, Maceió, João Pessoa, Natal, Fortaleza, São Luís, Belém, Macapá e Manaus ficariam completamente ou parcialmente submersas. As maiores invasões de água aconteceriam na Bacia Amazônia e na Bacia Platina, incluindo o litoral gaúcho.

Em dezembro, representantes de 194 países se reunirão numa conferência das Nações Unidas sobre o clima, em Paris. Eles esperam chegar a um acordo sobre um novo tratado global para proteger o meio ambiente. Porém, promessas climáticas nacionais apresentadas até aqui não são suficientes para impedir o aumento de 2 graus Celsius.

Independentemente do que for acordado em Paris, todos os habitantes terrestres vão sentir os primeiros efeitos da mudança do clima ainda nesta geração – seja por aumento de temperaturas ou por tempestades mais pesadas. Para as gerações futuras, no entanto, as consequências podem ser piores.

Até agora, a Antártida tem contribuído com menos de 10% para os níveis crescentes do mar. Mas se as temperaturas continuarem aumentando, a camada de gelo no Polo Sul entraria em colapso. Isso transcorreria lentamente – demoraria alguns milhares de anos para o derretimento completo.

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