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Ciência e Saúde

Como Londres, Rio quer oferecer comida sustentável nas Olimpíadas

Seguindo o exemplo de sucesso dos Jogos de 2012, Brasil pretende aproveitar evento para incentivar alimentação saudável. Relatório mapeia cadeias de produção para incluir produtos orgânicos e regionais no cardápio.

Pela primeira vez na história das Olimpíadas, em 2012, Londres deu status de modalidade esportiva a tudo o que era preparado nas cozinhas do evento. A sede dos jogos traçou um plano estratégico para promover saúde, sustentabilidade e diversidade gastronômica durante a competição. E o Brasil quer seguir a mesma linha nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016.

Ao longo das duas semanas dos jogos londrinos, a capital britânica ofereceu alimentos regionais, com a intenção de inspirar uma mudança duradoura nos setores de prestação de serviços de alimentação e hotelaria e contribuir para uma vida saudável. Dois anos depois, o balanço é positivo.

"Muitos distritos de Londres e estudantes nas escolas estão agora recebendo comida mais fresca, saborosa e sustentável. Milhares de moradores têm acesso a áreas verdes para plantar", avalia o relatório da Sustain, uma aliança que reúne diversas organizações do ramo. Ela ajudou a criar o plano de 2012 e segue acompanhando o legado daquela estratégia. "O apoio municipal a produtores locais também aumentou."

Nas Olimpíadas de 2016, estima-se que 14 milhões de refeições serão servidas, e o Brasil quer adotar um plano semelhante ao de Londres. "Nosso objetivo é oferecer uma alimentação saudável, sustentável e que promova a rica cozinha brasileira", resume Leila Luiz, gerente de alimentação do Comitê Organizador Rio 2016.

A iniciativa partiu do Rio Alimentação Sustentável, um grupo formado por 26 organizações, entre elas a WWF Brasil, a Conservação Internacional e a Embrapa. Elas estão traçando um perfil da cadeia de fornecimento dos produtos orgânicos no país, com foco no Rio de Janeiro, e lançaram nesta sexta-feira (17/10) a primeira parte do trabalho.

O guia, intitulado Diagnóstico para a oferta de alimentos saudáveis e sustentáveis nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, deve orientar o processo de contratação das empresas do setor que vão servir refeições durante os jogos.

O primeiro passo é identificar quem e quantos são os possíveis fornecedores dos alimentos saudáveis e sustentáveis. "O setor de produção orgânica carece de informações quantitativas. Esperamos contribuir também nesse quesito, montar uma base de dados com informações da produção sustentável no Brasil", diz Frederico Soares, do WWF-Brasil. A organização, com base em Londres, ajudou a criar o programa de alimentação sustentável dos jogos de 2012.

O guia do Rio Alimentação Sustentável sugere que o cardápio olímpico inclua hortaliças regionais, frutas – como mangaba, açaí, cupuaçu, cacau, laranja e cajá –, arroz, feijão, milho, mel, castanha-do-pará e pinhão. Carne bovina, leite, ovos e peixes provenientes de culturas sustentáveis também entrariam no menu.

O primeiro raio-x

Para esse primeiro diagnóstico, foram analisadas 15 cadeias produtivas, incluindo a da carne, cereais, frutas, hortaliças, peixes, leite e derivados. Na lista das dificuldades observadas, estão o custo para certificar um produto como alimento sustentável, o acesso limitado ao crédito para pequenos produtores, a falta de adequação aos padrões de qualidade internacionais e problemas logísticos.

Os alimentos orgânicos estão ficando mais populares no Brasil, porém, a produção no país ainda é de baixa escala. "Mas nós temos um número grande de produtores familiares, pequenos e médios, com capacidade para ampliar e fornecer produtos nos jogos. Vamos ajudar a ligar esses pontos, produtores e fornecedores", diz Soares.

Outro aspecto que exige melhoria é um mecanismo para checar a origem da comida. Normalmente, selos já estabelecidos no mercado certificam a procedência do produto. A proposta do Rio Alimentação Sustentável é fazer com que os organizadores garantam que o alimento vendido aos visitantes é, de fato, orgânico – um dos maiores desafios.

Troféu olímpico

"Os Jogos de Londres elevaram as expectativas em termos de servir comida que siga altos padrões, não só quanto ao sabor, mas também quanto à qualidade dos alimentos e ao bem-estar dos animais", avalia Rosie Boycott, do London Food Board, grupo para assuntos relacionados à alimentação da prefeitura de Londres. Isso é possível inclusive com orçamento apertado, afirma.

O Comitê Organizador Rio 2016 tenta seguir o mesmo caminho. "Nosso objetivo principal é o legado. Os jogos são uma motivação", afirma Soares. A ideia é aumentar a disponibilidade de alimentos orgânicos no mercado, "quem sabe com potencial diminuição dos preços desses produtos certificados, orgânicos, sustentáveis", diz o representante do WWF-Brasil.

Se a iniciativa der certo, ao promover uma alimentação mais saudável, ela pode contribuir para melhorar a saúde do brasileiro. Dados do Ministério da Saúde apontam que 51% da população estão acima do peso. A obesidade está relacionada a fatores genéticos, mas a alimentação e sedentarismo têm grande influência. Em rankings da Organização Mundial da Saúde, os brasileiros aparecem como grandes consumidores de gordura saturada e fãs de refrigerantes.

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