Comissão da ONU confirma fraude nas eleições do Afeganistão | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 11.09.2009
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Mundo

Comissão da ONU confirma fraude nas eleições do Afeganistão

Pleito de 20 de agosto foi marcado por manipulação e violência. Agora investigadores confirmam: resultados anulados em mais de 80 seções, com número de votos excedendo o de eleitores e até urnas desaparecidas.

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Cartaz de campanha em Cabul mostra presidente Karzai

Confirmaram-se os indícios de que houve fraude e manipulação nas eleições presidenciais do Afeganistão. A comissão encarregada de investigar as denúncias anulou os resultados de mais de 80 seções eleitorais em três províncias. O observador da União Europeia para as eleições afegãs, Gunter Mulack, declarou nesta quinta-feira (10/09), em Berlim, que houve uma "fraude realmente abrangente".

O pleito de 20 de agosto último foi toldado por acusações de manipulação, por violência e ameaças dos radicais islâmicos do talibã. Nas províncias de Paktika, Kandahar e Ghazni votos foram encaminhados ou apurados de forma ilícita, informou a Comissão de Reclamações Eleitorais (ECC, em inglês), apoiada pela Organização das Nações Unidas. Os eleitores afegãos compareceram a 25 mil seções eleitorais em todo o país.

Segundo Mulack, que também é diretor do Instituto Alemão para o Oriente e foi embaixador da Alemanha no Paquistão, mais de 700 mil dos 5,5 milhões dos votos apurados até agora são questionáveis. Em 2.451 das 19 mil seções eleitorais investigadas, mais de 90% dos votos couberam a um único candidato.

Soluções possíveis

Gunter Mulack acrescenta que, em 214 seções, o número das cédulas entregues é superior ao dos eleitores registrados, resultando, até o momento, num excedente de 138 mil votos. Em outros locais, urnas desapareceram. Especialmente no sul do país, as eleições transcorreram sem a presença de observadores em algumas zonas, devido aos riscos de segurança.

Mulack considera grave essa falta de transparência. É fundamental poder se contar com um resultado que mereça a confiança da população. Contudo, uma nova contagem e a investigação das denúncias poderão durar meses. Uma solução possível seria a repetição do pleito em alguns distritos, ou um segundo turno entre Karzai e Abdullah, sugere o especialista. Ele observa ser normal, no Terceiro Mundo, um certo grau de fraude eleitoral.

A ECC exigiu da comissão eleitoral afegã que confira os votos em questão. Antes disso não se poderá anunciar o resultado oficial. A data originalmente prevista para tal era o próximo 17 de setembro.

Diálogo com os talibãs

Após a apuração de 92% das cédulas, os resultados oficiais apontam maioria absoluta para o atual presidente. Enquanto Hamid Karzai conta 54,1% dos votos, o que lhe garantiria a vitória no primeiro turno, o ex-ministro do Exterior Abdullah Abdullah tem 28,3%. Em terceiro lugar encontra-se Ramazan Bashardost, com 9,2% do votos apurados.

O antigo encarregado da ONU para o Afeganistão, Tom Koenigs, defende negociações com a milícia talibã. "Acho que se deve falar com qualquer pessoa, se for possível impedi-la de apelar às armas", comentou o político verde à Deutschlandradio. Por outro lado, ele advertiu do perigo de uma retirada precipitada das tropas internacionais do Afeganistão.

AV/dpa/epd
Revisão: Simone Lopes

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