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Economia

Comissária da UE critica posição brasileira na OMC

Mariann Boel critica irredutibilidade do país na OMC. Ela considera agricultura brasileira competitiva, mas afirma que UE "quer produzir alta qualidade e proteger natureza". BDI e DIHK querem impulsos de Hong Kong.

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Fischer Boel está pessimista quanto a consenso em Hong Kong

A pouco menos de um mês do encontro ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Hong Kong, a tentativa de liberalização do comércio mundial já está fadada ao fracasso. Depois de o comissário de Comércio do bloco, Peter Mandelson, ter prognosticado na última sexta-feira (11/11) a falta de chances das negociações, neste final de semana foi a vez da comissária de Agricultura da União Européia, Mariann Fischer Boel.

Em artigo publicado na edição dominical do jornal alemão Tagesspiegel, a dinamarquesa critica a posição brasileira como "extremamente ofensiva em relação às barreiras alfandegárias". A agricultura brasileira é altamente eficiente em sua competitividade, salientou. "Se a União Européia reduzir suas taxas alfandegárias a ponto de competir diretamente com o Brasil, nossa agricultura teria que mudar completamente. Mas o que queremos é produzir com alta qualidade e proteger o meio ambiente."

A comissária de Agricultura da UE acusou que há membros da OMC "que se recusam a dar os últimos passos necessários e que não se esforçam pelo consenso em Hong Kong". Enquanto Fischer Boel acusou o Brasil, Mandelson havia criticado duramente também os Estados Unidos e a Austrália de não cederem.

Fracasso esta semana em Genebra

O conflito entre os países em desenvolvimento com os Estados Unidos e a União Européia pelo acesso justo de seus produtos agrícolas ao mercado mundial começou em 2001, na rodada de negociações da OMC em Doha, no Catar. Recentemente, o bloco europeu ofereceu diminuir em 46% as taxas alfandegárias sobre produtos agrícolas e uma redução de 70% em seus subsídios ao setor agrícola.

Após três dias de reuniões, representantes do Brasil, Estados Unidos, União Européia, Índia e Japão haviam declarado, na quarta-feira (09/11), em Genebra, que não houve avanço na direção de um acordo previsto para a reunião em Hong Kong. Países como o Brasil e a Índia querem mais cortes, mas a União Européia, assim como o Japão, Noruega e Suíça, temem problemas para sua agricultura.

Críticas alemãs a Mandelson

Jürgen Thumann BDI

Jürgen Thumann

"Não considero positivo sufocar as expectativas [das negociações]. Hong Kong talvez seja a última chance de dar um passo decisivo à frente", salientou o presidente da Confederação da Indústria Alemã (BDI), Jürgen Thumann.

Também Martin Wansleben, gerente executivo da Confederação Alemã de Câmaras de Indústria e Comércio (DIHK), apelou aos membros da OMC para que se esforcem pelo consenso: "O êxito das negociações pode representar impulsos para os problemas do crescimento econômico e do desemprego na Alemanha", prognosticou.

O presidente da Confederação Alemã do Comércio Atacadista e de Exportação (BGA), Anton Börner, chega até a reivindicar mais concessões dos europeus. Para ele, "a agricultura não pode tornar-se um freio para a contínua liberalização do comércio mundial".

O encontro em Hong Kong reunirá representantes dos 149 países-membros da Organização Mundial do Comércio, entre 14 e 18 de dezembro. A conclusão da rodada de Doha está prevista para 2006.

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