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Mundo

Comissária da ONU quer intervenção militar na Síria

Navi Pillay diz que comunidade internacional deve intervir na guerra civil. Ela também defende o julgamento do presidente Bashar al-Assad pelo Tribunal Penal Internacional. Oposição síria quer abrir diálogo com regime.

A comissária para os Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Navi Pillay, traça um quadro dramático para o Oriente Médio e faz um pedido à comunidade internacional para uma "negociação urgente". Para ela, até que uma decisão seja tomada, a guerra civil na Síria poderá durar por muito mais tempo e vários civis vão morrer.

Em entrevista ao canal britânico de TV Channel 4, Pillay afirmou que deveria haver uma "decisão internacional" e que há mais de uma opção: além de uma intervenção militar e o envio de forças de paz, existe a possibilidade de se recorrer ao Tribunal Penal Internacional.

Para ela, a instituição localizada em Haia, na Holanda, deveria julgar Assad e suas forças de segurança por "crimes de guerra". "Ele tem responsabilidade e o Conselho de Segurança deveria entregá-lo ao Tribunal Penal Internacional."

Pillay frisou que Assad teria violado a sua obrigação, como chefe de Estado, de cuidar do bem-estar de seus cidadãos. Isto justificaria, de acordo com Pillay, uma intervenção internacional "não importa de que tipo seja".

A guerra civil na Síria alcançou neste domingo (17/02) um novo grau de violência. A oposição ao regime Assad acusa a milícia libanesa Hisbolá de interferir militarmente no conflito.

Membros do grupo teriam atacado três vilas sírias na região de Kusseir, próximo da fronteira com o Líbano, e assassinado civis, declarou o Conselho Nacional da Síria, a mais importante aliança de oposição contra o regime do presidente Bashar al-Assad. Centenas de moradores da região teriam sido obrigados a fugir de suas casas.

Pillay fordert Untersuchung von Kriegsverbrechen in Syrien durch Den Haag Archiv

Para Pillay, Assad teria violado sua obrigação de cuidar do bem-estar de seus cidadãos

Conversas de paz?

Há muito tempo os rebeldes sírios não levavam em consideração abrir diálogo com representantes do governo. Desde que o presidente Bashar al-Assad passou a agir há quase dois anos de forma violenta contra os oposicionistas, muitos sírios exigem a sua saída. Eles afirmam que o presidente Assad é responsável pela guerra civil que levou o país a uma grave crise.

De acordo com dados da ONU, a luta entre tropas do governo e rebeldes causou a morte de cerca de 70 mil pessoas. Enquanto a Rússia e o Irã abastecem o regime sírio com armas, as forças rebeldes recebem auxílio do Catar e de outros países. Esses são alguns dos motivos pelos quais nenhuma das duas partes em conflito não consegue se impor militarmente.

Mudança de estratégia

Entretanto parece que as forças de oposição ao governo vão mudar sua estratégia: a Coalizão Nacional Síria apresentou condições na semana passada para iniciar uma conversa com os representantes do governo.

"No lado da oposição, entende-se que não se pode derrubar o regime usando a força militar em um futuro próximo", disse Erik Mohns, cientista político e especialista em Síria da Universidade do Sul da Dinamarca, em entrevista à DW.

Moas al-Chatib, chefe da coalizão, diz que a oposição somente vai aceitar interlocutores do governo que não teriam participado da opressão contra os rebeldes. Membros do partido Baath, que governa a Síria desde 1963, poderiam participar das negociações desde que "não tenham sangue nas mãos", disse Walid Bunni, representante do escritório político da oposição e que está por trás da iniciativa de Moas al-Chatib.

Syrien Präsident Bashar al-Assad im Staatsfernsehen

Governo de Assad (foto) não quer abrir diálogo com a oposição síria

Mas a iniciativa não tem o apoio de toda a oposição, que é muito fragmentada. A Irmandade Muçulmana, um dos únicos grupos realmente organizados na oposição política ao regime sírio, criticou o plano e o considerou prejudicial à revolução.

Contudo, as condições elaboradas na semana passada serão colocadas em votação nesta quarta-feira (20/02) pelos 70 membros da assembleia de coalizão. Isso poderia dar mais peso internacional à proposta de começar os diálogos.

Poucas chances para obtenção da paz

Em sua primeira reação à proposta da última semana, o governo sírio declarou ser contra qualquer tipo de diálogo que possa transmitir o poder para a oposição. Além disso, ainda não está claro qual representante do governo poderá ser aceito pela oposição como negociador.

"Para o regime é um desafio identificar esse tipo de gente", disse Mohns. "Em um Estado de exceção como a Síria é problemático concluir até que ponto determinadas pessoas participaram da opressão aos protestos e quais pessoas no poder não fizeram parte."

Por isso, o especialista em Síria não leva em conta avanços quanto às conversas de negociação de paz. "Eu considero relativamente pouca a chance de levar o conflito ao fim", afirmou Mohns. "Mas eu cumprimento a disposição em conversar que foi sinalizada: a linguagem da política agora foi reencontrada."

FC/dw/rtr/dpa/afp/ap
Revisão: Carlos Albuquerque

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