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Mundo

Começa processo contra alunos torturadores

Durante mais de dois meses 11 colegiais espancaram e humilharam diariamente um colega, a portas fechadas. E filmaram seus atos perpetrados dentro da escola. Peritos especulam sobre as causas desses excessos.

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Vivendo com medo nas escolas

Local: a escola profissionalizante Werner von Siemens em Hildesheim, na Baixa Saxônia. Agressores: onze estudantes entre 16 e 18 anos de idade da classe 03b, do curso preparatório. Era a turma dos alunos mais difíceis, "ineducáveis", sem perspectivas no mercado de trabalho. Seu crime: entre 10 de novembro de 2003 e 27 de janeiro, eles seviciaram e humilharam quase diariamente o colega Dieter-Dennis, de 18 anos.

Trancados no escuro depósito de material, davam-lhe socos brutais, golpes de lima, pontapés no rosto, obrigavam-no a mastigar pontas de cigarro. Por vezes, registravam seus atos em vídeo. Tudo isso acontecia em pleno horário de aulas, enquanto na sala ao lado um professor lecionava.

Werner-von-Siemens Berufsschule in Hildesheim

A escola Werner von Siemens em Hildesheim

O processo a portas fechadas contra os 11 jovens iniciou-se nesta terça-feira (25). As agressões eram uma espécie de segredo público entre os alunos. O promotor público Albrecht Stange acredita que as agressões iam num crescendo de violência, com o passar do tempo. Até que um estudante ousou quebrar o muro do silêncio, denunciando as torturas a uma assistente social da escola. Os fatos vieram à tona em fevereiro.

Necessidade de afirmação

Entre os 26 tópicos da acusação constam lesões corporais graves, coação, danos materiais e chantagem. Todos os acusados já admitiram culpa. Quatro deles – os presumíveis líderes do grupo – estão em prisão preventiva há mais de três meses. Para Stange, os motivos possíveis seriam insatisfação com a vida, frustração e a necessidade de se afirmar entre os colegas.

Mais tarde, os agressores colocavam na internet as imagens das sevícias. Segundo o criminologista Christian Pfeiffer, a violência entre jovens ganha uma nova dimensão, através do ato de filmar e fotografar. A divulgação "eleva ao máximo a intensidade da humilhação", afirma, e "eles cuidavam para que o maior número possível de pessoas visse as imagens".

Imitando a mídia

Para o diretor do Instituto de Criminologia da Baixa Saxônia, Hildesheim não é um caso isolado. Ele acusa um "desamparo nas famílias, no tocante à mídia": os alunos das escolas profissionalizantes passam até seis horas diante da televisão e do computador. A seu ver, os excessos estariam relacionados ao consumo de jogos de computados e filmes de ação.

"Sua vida é, em primeira linha, marcada pelo sentimento de impotência. Dessa impotência nasce o desejo de exercer poder sobre outros, a sede de humilhar a vítima. Isso é típico de jovens frustrados, prejudicados pela vida. Eles não têm desafios a enfrentar ativamente", explica Pfeiffer.

Além de pertencer ao grupo com o mais grave histórico de violência dentro da família, os jovens da escola Werner von Siemens estavam seguindo modelos da mídia. E lembrou aqui o recente escândalo sobre as torturas de presos iraquianos pelos soldados norte-americanos, também registradas em imagens pelos próprios agressores.

Um antídoto contra essa tendência seria a ampliação do números de escolas tempo integral. Isso permitiria aos adolescentes preencher suas tardes com esporte, música e teatro. Um fato positivo é que a disposição para delatar atos de violência parece haver aumentado nos últimos meses na Alemanha, o que é atribuído à divulgação de alguns casos espetaculares, que "incentivaram à discussão".

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