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Mundo

Começa o conclave para eleger novo papa

Primeira votação termina em fumaça preta. Mídia italiana prevê disputa entre Ratzinger e Martini pela sucessão de João Paulo II. Alemanha já teve sete papas e espera reforma radical da Igreja.

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Cardeais reunidos a portas fechadas na Capela Sistina

Os 115 cardeais da Igreja Católica reunidos no Vaticano para escolher o sucessor do papa João Paulo II não chegaram a acordo no primeiro dia do conclave. A primeira votação realizada nesta segunda-feira (18/04) não trouxe um novo papa, como indicou a fumaça negra, que saiu da chaminé da Capela Sistina às 20h04 (15h04 de Brasília). Para ser eleito, o papa precisa de dois terços dos votos dos cardeais. E, então, a fumaça que sobe é branca.

A abertura oficial do primeiro conclave do terceiro milênio ocorreu com uma missa na basílica de São Pedro, presidida pelo cardeal alemão Joseph Ratzinger. Em seu sermão, Ratzinger traçou a linha que deve ser seguida na escolha do papa: a defesa da doutrina da igreja frente ao relativismo e aos modismos da atualidade. Após a missa, centenas de fiéis e turistas e acompanharam em telões instalados na praça de São Pedro, a entrada dos cardeais-eleitores de 52 países na Capela Sistina, onde acontecem as reuniões e votações do conclave.

Konklave hat begonnen Papstwahl

Reunião dos cardeais para a escolha do novo papa

Especulações continuam

Segundo alguns analistas, o conclave começou sem grandes favoritos. Apesar disso e do silêncio imposto aos cardeais nos últimos dias, a imprensa italiana insiste que os cardeais-eleitores estão divididos entre dois papáveis: o conservador alemão Josef Ratzinger e o reformista italiano Carlo Maria Martini. Uma alternativa para Martini poderia ser ainda o moderado arcebispo de Milão, Dionigi Tettamanzi.

Kardinal Joseph Ratzinger

Cardeal alemão Joseph Ratzinger é considerado um dos favoritos

"Ratzinger lidera claramente, mas seus apoiadores não estão conseguindo conquistar mais cardeais-eleitores para o seu lado", escreveu o jornal La Repubblica. Ratzinger e Martini são considerados figuras-chave na disputa entre os blocos conservador e progressista. Uma vez esclarecido o rumo a ser dado à Igreja, outros papáveis – principalmente latino-americanos – podem ter sua chance, avaliam vaticanistas. É que os europeus, com 58 cardeais, ainda formam o maior bloco, mas mesmo que se unam em torno de um nome não atingem a maioria absoluta de dois terços dos votos para eleger o novo papa.

Papa de transição

Dois dos 117 cardeais com menos de 80 anos – Jaime Sin (Filipinas) e Adolfo Suárez Rivera (México) – não participam do conclave por motivos de doença. A maioria dos participantes são aposentados: apenas 17 dos 117 têm menos de 65 anos – apenas cinco têm menos de 60 anos. O cardeal mais jovem é o húngaro Péter Erdö, 52, arcebispo de Budapeste. João Paulo II foi eleito com 58 anos.

A Itália tem o maior número de eleitores no conclave (20), seguida pela Alemanha, que tem seis cadeais com direito a voto: Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos; Karl Lehmann, arcebispo de Mainz e presidente da Conferência dos Bispos Alemães; Joachim Meisner, arcebispo de Colônia; Georg Sterzinsky, arcebispo de Berlim; Friedrich Wetter, arcebispo de Munique e Freising; e Josef Ratzinger, ex-prefeito da Sagrada Congregação para Doutrina da Fé, que, como cardeal mais idoso, preside o conclave.

Segundo os vaticanistas, Ratzinger, que completou 78 anos no último sábado (16/04), é favorecido como papa de transição. Mas não seria um profeta bem-vindo em seu próprio país. "Americanos e alemães vetam Ratzinger", noticiou o jornal italiano La Reppublica, na semana passada. O ex-prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé teria qualidades indiscutíveis, menos uma: a capacidade de gerenciar a multinacional Igreja Católica. Teme-se que ele transferiria muito poder à Cúria Romana, o que é rejeitado não só por cardeais alemães e norte-americanos.

Um papa latino-americano ?

Konklave Schwarzer Rauch nach erstem Wahlgang

Fumaça preta pela chaminé da Capela Sistina após a primeira votação: ainda não há papa

O jornal Corriere de La Sera vê o cardeal reformista italiano Carlo Maria Martini como principal concorrente de Ratzinger. Um confronto entre os dois, provavelmente, terminaria num empate, afirma o jornal. Uma ponte entre os blocos conservador e progressista poderia ser o arcebispo de Viena, o franciscano Christoph Schönborn, de 60 anos.

Diante da divisão entre os europeus, não se descarta a possibilidade se ser eleito um papa africano, latino-americano ou até indiano. O conservador cardeal nigeriano Francis Arinze, no entanto, não acredita muito nessa hipótese. "O Ocidente ainda não está maduro para um papa negro. Um papa africano seria um desafio para a Igreja, o mundo e a mídia", disse. Os 18 milhões de católicos da Índia – no momento, uma das maiores fábricas de padres do mundo – gostariam que o arcebispo de Bombay, Ivan Dias, fosse alçado ao trono de São Pedro.

Já os principais papáveis latino-americanos – entre eles, o brasileiro dom Cláudio Hummes – são considerados fortes candidatos, mas progressistas demais para suceder o pontificado conservador de João Paulo II. Se a eleição fosse direta, Hummes certamente teria boas chances, já quem vem do maior país católico do mundo, com 125 milhões de batizados.

Eleição rápida

Kardinal Claudio Hummes Sao Paulo Brasilien Galeriebild

Cardeal brasileiro dom Cláudio Hummes

Apesar das apostas e especulações dos seis mil jornalistas credenciados no Vaticano, o desfecho do conclave continuará um mistério, até a fumaça branca sair pela chaminé da Capela Sistina. Existe um ditado no Vaticano capaz de anular qualquer previsão: "Quem entra como papa no conclave, sai novamente como cardeal".

O vaticanista Giuseppe di Carli, da Rádio e Televisão Italiana (RAI), no entanto, está convicto de duas coisas: o conclave será curto – os últimos seis duraram, em média, apenas três dias – e o novo papa, provavelmente, adotará o nome de João Paulo III. A eleição é por maioria de dois terços dos votos; somente a partir da 34ª votação pode ser por maioria de 50% mais um.

Surpresas no conclave não são raridade. Prova disso foi a eleição de Karol Wojtyla em 1978, o primeiro papa não italiano depois de 455 anos. Outro exemplo foi a eleição do progressista João XXIII em 1958, como sucessor do severo Pio XII.

Na opinião de alguns vaticanistas, desta vez, a eleição de um revolucionário é pouco provável. A maioria dos cardeais eleitores são "crias" de João Paulo II, isto é, foram promovidos por ele. Nem mesmo um papa africano seria uma garantia de abertura. A maioria dos cardeais daquele continente foram educados em Roma, são considerados conservadores e submissos à hierarquia do Vaticano.

Alemães querem reformas radicais

Essa perspectiva não deve agradar os alemães. Segundo uma pesquisa de opinião realizada pelo Instituto Forsa às vésperas do conclave, 94% dos alemães (não só os católicos) são contra a proibição dos anticoncepcionais pela Igreja Católica e 85% pedem o fim do celibato para padres. "Os alemães tornaram-se mais liberais e defendem posições adequadas aos tempos atuais", diz o diretor do Forsa, Manfred Guellner.

Também os católicos alemães esperam reformas radicais do novo papa: 95% querem a liberação do uso de contraceptivos, 92% aprovam a celebração da Santa Ceia junto com os luteranos, 80% são a favor da ordenação de mulheres para o sacerdócio e 78% desaprovam a rejeição radical do aborto pela Igreja. Uma eventual eleição de Ratzinger - que seria o oitavo pontífice alemão - ou outro papa conservador aumentaria ainda mais o abismo entre o Vaticano e os católicos alemães.

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