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Mundo

"Combate ao terror é visto na AL como algo imposto de fora"

Em entrevista, o diretor do Instituto de Estudos Ibero-americanos em Hamburgo, Professor Klaus Bodemer, fala sobre as poucas conseqüências do 11 de setembro para a América Latina.

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Terrorismo não é um dos grandes temas da América Latina, afirma Bodemer

DW-WORLD: Até que ponto os acontecimentos do 11 de setembro de 2001 influenciaram a política interna da América Latina?

Klaus Bodemer: Outros temas importantes também influenciaram a América Latina durante os cinco anos após o 11 de setembro. Desta forma, as conseqüências dos atentados na política interna latino-americana não são necessariamente visíveis. Deve-se perguntar também pelo significado da "influência do 11 de setembro".

Klaus Bodemer

Professor Klaus Bodemer

O 11 de setembro foi o estopim de uma nova formulação da política externa norte-americana, culminando num conceito definido por Bush meses mais tarde: uma nova doutrina de segurança, incluindo o combate ao terrorismo. Diversos Estados latino-americanos acharam problemático o fato de, tanto na concepção quanto na prática, o antiterrorismo só estar muito vagamente diferenciado do combate ao tráfico de drogas e à criminalidade internacional organizada.

Entretanto, em termos concretos, o 11 de setembro teve influência na política interna daqueles países – e eles são bem poucos – que já haviam tido experiência com o terrorismo. Por exemplo na Argentina, onde o ataque à embaixada israelense e à Associação Judaica em 1994 ainda estava mais claramente na memória.

Fala-se de uma influência islâmica na fronteira Argentina-Paraguai-Brasil. O que há de verdade nisto?

Esta fronteira dos três países é uma plataforma de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e contrabando – não é sem razão que ela se encontra no foco das atenções dos respectivos países e também dos Estados Unidos. Porém as provas empíricas de um envolvimento direto com o terrorismo e com a Al Qaeda têm sido até agora extremamente fracas. De fato, é bastante forte a presença de minorias nesta região, vindas, por exemplo, da China ou do Oriente Médio.

Foi provado que certos círculos prestaram apoio, pelo menos logístico, aos atentados na Argentina. Além disso, pôde-se provar – o que também pode ser lido no Relatório Global de Terrorismo do Departamento de Estado norte-americano – que o terrorismo recebe dali um apoio indireto: o tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro sempre estiveram ligados ao comércio internacional de armas. Mas, para além disso, as provas são muito insuficientes.

A situação está agora sob controle na região?

Não, não se pode dizer isto. Segundo os últimos índices econômicos e o atual Acordo Stand-by entre o FMI e o Paraguai, é evidente que boa parte da economia paraguaia está baseada na lavagem de dinheiro. Existe um acordo de cooperação entre o Paraguai e os Estados Unidos sobre o estacionamento de tropas norte-americanas no país – o que por conseguinte causou protestos do governo brasileiro. De qualquer maneira, pode-se dizer que se tiraram conseqüências isoladas da situação.

Os Estados Unidos exercem outras influências sobre a política interna?

Sim, um outro aspecto é a relação entre a polícia e as forças militares. O desejo norte-americano de apoio militar à polícia no combate ao terrorismo é freqüentemente expressado nas conferências dos ministros da Defesa e nos encontros da Organização dos Estados Americanos (OEA). Os diferentes países tratam este tema de diferentes formas. Alguns países – principalmente a Argentina – resistem a esta intromissão. Os militares também se recusaram a assumir tarefas da polícia.

Por outro lado, no Brasil a discussão foi acirrada pelos ataques armados de maio último em São Paulo. O presidente Lula sugeriu inserir os militares no combate à criminalidade organizada. Mas, de uma forma geral, se é muito reticente quanto ao tema. Embora não esteja escrito preto no branco: pode-se ler nas entrelinhas que o combate ao terrorismo é antes visto como algo imposto de fora, do que como um interesse genuíno da América Latina.

Como é a reação da população latino-americana à política antiterror dos Estados Unidos?

Diretamente após o 11 de setembro e por ocasião da guerra no Iraque, a maioria da população latino-americana colocou-se contra o rígido conceito antiterror de Bush. Alguns poucos governos posicionaram-se inicialmente a favor de Bush, mas suas próprias populações ignoraram o fato ou foram às ruas protestar contra ele.

A população só é indiretamente afetada e tem, de qualquer maneira, outros problemas. Como podem ser desmontadas as grandes diferenças sociais? Como contornar as conseqüências de uma adaptação à política neoliberal? Como estas conseqüências podem ser aliviadas socialmente? Estes são os grandes temas, cujos maiores porta-vozes são figuras como Chávez e Evo Morales.

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