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Mundo

Combate ao EI requer diferentes estratégias no Iraque e na Síria

Ataques ao Iraque não bastam para vencer "Estado Islâmico", mas bombardear Síria beneficiaria regime Assad. Às vésperas de os EUA detalharem planos para região, especialistas alertam para fatores humanitários.

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Militantes do EI na Síria

A organização terrorista sunita "Estado Islâmico" (EI) conquistou grande parte da Síria e do Iraque. Embora curdos e xiitas iraquianos tenham conseguido expulsar os combatentes do EI de algumas localidades, os jihadistas conquistaram um importante aeroporto militar na Síria. Ainda falta uma estratégia clara para combater o grupo terrorista para além das fronteiras, e uma vitória decisiva sobre o EI parece estar num futuro distante.

As regiões sob controle do EI no norte e oeste do Iraque e no nordeste da Síria estão interligadas, com os combatentes extremistas movendo livremente sua artilharia pesada entre os dois países, incluindo armas e tanques de guerra capturados no Iraque.

Com a Síria servindo de principal refúgio, não basta que os EUA bombardeiem apenas o Iraque para realmente enfraquecer o EI, afirma André Bank, especialista em Oriente Médio do Instituto de Estudos Globais e Regionais (Giga, na sigla em alemão), em Hamburgo. "Isso não faz o menor sentido caso se queira expulsar o EI da região a médio prazo", diz.

Para uma solução sustentável, seria necessária uma estratégia mais abrangente e, sobretudo, não militar, considera o especialista, embora ampliar os ataques para a Síria pertença à parte militar da estratégia.

Diferentes condições na Síria e no Iraque

Os pré-requisitos políticos para ataques aéreos à Síria são diferentes daqueles ao Iraque. Enquanto a Força Aérea americana intervém a pedido do governo em Bagdá, um pedido semelhante a partir de Damasco não é de se esperar.

Islamischer Staat Propaganda

Combatentes do EI conquistaram grande parte da Síria e do Iraque e transportam armas entre os dois países

O regime do presidente Bashar al-Assad é hostil ao Ocidente. Como aliados de Assad, a Rússia e o Irã rejeitaram todas as iniciativas do Ocidente e dos Estados árabes para a Síria até agora. A Rússia bloqueou com o seu veto diversas resoluções do Conselho de Segurança da ONU que eram contra o regime em Damasco.

Agora, porém, existe consenso entre o Ocidente, a Rússia e o Irã na luta contra o "Estado Islâmico", diz Bank. Segundo o especialista, todas as partes veem o jihadismo radical sunita como uma grande ameaça.

Entretanto, ataques aéreos contra alvos do EI na Síria seriam problemáticos porque esses bombardeios também beneficiariam indiretamente o regime em Damasco, afirma Bank. Em três anos e meio de guerra civil, o regime Assad enfraqueceu seus adversários severamente, lutando principalmente contra grupos seculares de resistência e, aparentemente, beneficiando os radicais islâmicos. Isso ajudou o EI a expandir sua posição na Síria.

De acordo com Bank, é do interesse do regime Assad que o EI – mesmo que enfraquecido – continue em território sírio. Precisa-se do EI para justificar regularmente a retórica "somos um regime secular, lutamos contra os terroristas". No entanto, esse regime é acusado das mais graves violações contra os direitos humanos e de crimes de guerra. Assim, Bank adverte de que um ataque contra o EI em território sírio não deve ajudar de forma alguma o regime. "Infelizmente, há sinais de que justamente isso esteja acontecendo agora."

Estratégia dos EUA

Nesta quarta-feira (09/09), o presidente Barack Obama apresentará a estratégia dos EUA para a luta contra o EI. Michael Stephens, vice-diretor do escritório para o Oriente Médio do think tank britânico de segurança Instituto Real de Serviços Unidos (RUSI, na sigla em inglês), diz esperar três coisas do presidente americano.

Primeiramente, Obama deverá definir mais detalhadamente os objetivos da ação militar. Além disso, ele deve especificar o papel a ser exercido pelos Estados de orientação sunita da região. "Eles são parte de uma estratégia de desenvolvimento ou de uma estratégia militar?", questiona Stephens em relação aos países do Golfo Pérsico.

Em terceiro lugar, um plano humanitário se faz necessário. É preciso deixar claro o que deve acontecer às regiões dominadas pelo EI, diz o especialista.

Tanto Stephens quanto Bank apontam que, para além de ataques militares, sobretudo fatores políticos e humanitários são importantes. O EI também é um reflexo de problemas políticos, sociais e religiosos na região.

No Iraque, o grupo radical conseguiu se fortalecer, porque muitos sunitas se sentiam discriminados no Estado de maioria xiita. Apesar disso, ainda há uma espécie de sentimento nacional no país, diz Stephens, e isso poderia ser aproveitado para tentativas de solução política. Mas para isso, Bagdá deveria começar a cuidar seriamente de suas províncias.

Na Síria, no entanto, isso dificilmente seria possível. "De fato, a Síria não existe mais como um Estado", afirma Stephens. Mesmo que se consiga vencer o "Estado Islâmico" no país, resta a pergunta do que deverá substituí-lo. "O regime deverá simplesmente assumir de novo o controle sobre a região?", questiona. Para o especialista, os moradores de cidades dominadas pelo grupo terrorista EI, como Raqqa e Deir al-Zor, não aceitariam isso de forma alguma.

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