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Brasil

Combate às armas depende de cooperação internacional

O diretor do Centro de Estudos da Fundação Konrad Adenauer no Rio de Janeiro, Wilhelm Hofmeister, classifica plebiscito de 23 de outubro como parte da luta contra modernas armas de extermínio em massa.

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Mais de 450 mil armas já foram destruídas no Brasil desde 2003

O plebiscito sobre a proibição do comércio de armas e munições no Brasil, marcado para o próximo dia 23, repercute – ainda que timidamente – na Alemanha. Algumas manchetes de jornais, como "O Brasil se desarma" ou "Comprar [armas] rápido, antes do cessar-fogo", publicadas na semana passada, passam a impressão de que o país se encontra em fim de guerra.

Publicações especializadas são mais sóbrias ao abordar o assunto. Em recente edição do Focus Brasilien, publicação eletrônica do Centro de Estudos da Fundação Konrad Adenauer no Rio de Janeiro, o diretor da entidade, Wilhelm Hofmeister, escreve que a comunidade internacional está tão preocupada com o combate ao terrorismo, que corre o risco de não ver que as armas leves funcionam como verdadeiras armas de extermínio em massa.

Um estudo recentemente divulgado pela ONU indica que, nos últimos 25 anos, meio milhão de brasileiros foram mortos por armas de fogo. "Essas armas não são um problema isolado de alguns países e, sim, um desafio à cooperação internacional", afirma Hofmeister.

Segundo ele, o sucesso de uma política de combate ao problema depende do controle da oferta, diminuição da demanda, administração dos depósitos e destruição dos excessos de armas. "Para isso, é importante a cooperação de grandes países produtores, entre eles, a Alemanha. Por enquanto, não há um consenso internacional para uma ação conjunta."

Lobby armamentista

Estima-se que mais de 500 milhões de armas de pequeno porte estejam em circulação pelo mundo, incluindo revólveres, rifles automáticos, granadas, submetralhadoras e pistolas. Somente no Brasil há 17,5 milhões de armas de fogo, 90% estão nas mãos da população civil.

Na avaliação de Hofmeister, os únicos países que realmente apóiam um controle mais rigoroso do comércio internacional de armas e munições são os escandinavos, o Reino Unido, Canadá, Holanda e "muitas nações vítimas".

Alguns países em conflito (Oriente Médio, Índia, Paquistão) ou que lucram com o comércio ilegal, como Rússia e a China, ou ainda tradicionais exportadores, como Alemanha, Áustria, Itália, República Tcheca e Espanha, estariam apoiando discretamente a posição defendida pelos EUA, de que os governos devem se preocupar apenas com o comércio ilegal.

Resistência ao plano da ONU

Estas nações também estariam resistindo ao plano de ação da ONU contra armas leves. Isso por interesses econômicos ou porque os custos para montar um sistema nacional de controle não têm relação com a real dimensão desse problema, como seria o caso da Alemanha.

A base de qualquer controle – diz Hofmeister – são informações adequadas, o que falta na maioria dos países. Nas nações pobres, o controle ainda é dificultado pela debilidade das instituições estatais e a "mentalidade de faroeste".

Nos países industrializados, acrescenta, as armas leves não têm causado grandes problemas, nos últimos anos. Por isso, medidas de vigilância parecem ter se tornado desnecessárias. "Nem mesmo países industrializados da Europa dispõem de informações centralizadas nesse campo. Talvez isso mude, se houver indícios mais claros de abuso de armas de fogo", diz.

Estatísticas oficiais indicam que nas mãos dos 80 milhões de alemães encontram-se cerca de dez milhões de armas registradas e pelo menos o dobro desse número de armas ilegais. Embora a Alemanha adote uma lei de porte de arma bastante rígida, o potencial de criminalidade embutido nesses números gerou uma polêmica no país, após uma chacina ocorrida em 2002, numa escola de Erfurt, na Turíngia (veja link abaixo).

>> Leia a seguir: O controle das armas na América Latina

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