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Ciência e Saúde

Combate à epidemia de ebola apresenta resultados decepcionantes

Comunidade internacional parece estar perdendo a batalha contra o vírus do ebola na África. Faltam pessoal e roupas de proteção. Além disso, governos e instâncias responsáveis não têm reagido de forma adequada ao surto.

Quando o pediatra Werner Strahl descreve a batalha contra o ebola em Serra Leoa, seu relato é marcado por um conceito: carência. O também presidente da organização humanitária Cap Anamur acaba de retornar à Alemanha, vindo da capital serra-leonense, Freetown, onde trabalhou duas semanas numa clínica.

"Esse é o único hospital pediátrico do país e ele não tem estrutura para atender a pacientes com febre", um dos sintomas do ebola, conta. "Os laboratórios ficam a quatro ou seis horas de distância, de carro. Nós precisávamos levar as amostras de sangue dos presumíveis pacientes e depois voltar com as informações. Chegava a demorar três dias até nós termos os resultados dos exames."

Até que os testes confirmassem que uma menina estava realmente infectada, já era tarde demais, revela Strahl à DW. Vários médicos e enfermeiros já haviam tocado a criança, e em consequência praticamente toda a equipe médica ficou em casa, Apenas dois médicos continuaram atendendo os pacientes.

Luvas, roupas e óculos de proteção: tudo faltava em Freetown. E os déficits nesse caso particular refletem um problema maior, pois a reação internacional à epidemia de ebola tem sido caracterizada por deficiências.

Sierra Leon Ebola Beerdigung Opfer 14.08.2014

Mais de 1.900 já morreram na epidemia de ebola

Erros da comunidade internacional

"Tanta coisa deixou de acontecer. Não só nós [da Cap Anamur], mas também a Médicos sem Fronteiras e outras organizações vêm alertando, desde abril: é preciso fazer mais, mais equipamento de proteção precisa vir para o país, a população tem que ser esclarecida intensivamente", conta Strahl. Na prática, porém, as campanhas de educação sobre o surto se arrastaram timidamente.

O médico presume que os governos tinham mais medo do pânico entre a população do que do vírus. Quanto às roupas de proteção, elas ainda são escassas em muitas regiões atingidas. "A comunidade internacional não tinha equipamento de proteção suficiente em estoque" e começou-se tarde demais a intensificar a produção.

Mais de 1.900 pessoas já morreram de ebola desde março, a maioria na Libéria, Guiné e Serra Leoa. Com as atuais taxas de infecção, estima-se que cerca de 20 mil casos possam surgir nos próximos seis a nove meses.

Margaret Chan, diretora geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), que coordena os esforços internacionais de combate ao ebola, admite que todos os envolvidos subestimaram inicialmente o surto. Ainda assim, ela se mostra otimista. "Nós acreditamos que o surto pode ser e será controlado: sabemos o que é preciso e como fazê-lo."

Ainda é pouco

No fim de agosto, a OMS divulgou um plano de 490 milhões de dólares para conter a epidemia de ebola na África. Este enfatiza ações básicas contra a doença, como a necessidade de cautela em funerais. Chan agradeceu aos países que se comprometeram a contribuir com fundos e pediu que outros auxiliem na luta contra o ebola.

Ebola Seuche Afrika Helfer

Roupas de proteção são artigo raro na África

Entretanto, as medidas não serão suficientes, alerta Joanne Liu, presidente da Médicos sem Fronteiras (MSF), ONG que trata a maioria dos pacientes de ebola na África Ocidental. "O anúncio de fundos, planos, a descoberta de vacinas e tratamentos são bem-vindos, mas não conseguirão conter a epidemia."

Para tal, "é fundamental que os países organizem imediatamente ativos civis e militares com especialistas em contenção de acidentes biológicos. Para acabar com o fogo, é preciso que se entre na casa em chamas", comenta Liu.

O pediatra Werner Strahl concorda com a presidente da MSF. "A OMS só terá sucesso se tiver pessoal suficiente, e nós vimos que não é fácil encontrar essa gente." Criticar a comunidade internacional por não fazer o suficiente também não vai mudar a situação, acrescenta. Ao invés disso, os governos precisam fornecer verbas e pessoal para a OMS realizar um trabalho eficiente. "Eu não quero censurá-los. Nós precisamos definitivamente deles", contemporiza o médico alemão.

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