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Ciência e Saúde

Com planejamento urbano adequado, enchentes no Rio têm solução

A localização geográfica da cidade do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense é propícia a alagamentos. Mas botar a culpa na natureza não é a solução. Para especialistas, faltam investimentos dos governos.

O cenário de enchentes e deslizamentos que tomou conta do estado do Rio de Janeiro é uma cena que se repete praticamente todos os anos. A previsibilidade desse tipo de desastre natural se deve à localização geográfica da Baixada Fluminense e da cidade do Rio de Janeiro, uma planície entre montanhas e morros.

Mas, ainda assim, essas catástrofes naturais poderiam ser evitadas com obras de planejamento urbano adequadas. Para especialistas, os governos dos municípios afetados não têm feito os investimentos necessários.

A forte chuva que caiu na noite desta terça-feira (10/12) e durante a quarta-feira no Rio de Janeiro fez três vítimas fatais e deixou mais de duas mil pessoas desalojadas. As cidades de Nova Iguaçu e Japeri decretaram estado de calamidade pública. Vias importantes da capital foram atingidas, como a Avenida Brasil e a Radial Oeste. A região ao redor do estádio do Maracanã também ficou embaixo d'água.

Segundo a Prefeitura do Rio de Janeiro, em apenas dez horas choveu a quantidade esperada para o mês inteiro. "Quando chove forte numa cidade grande, como o Rio, ocorre esse tipo de transtorno", afirmou o prefeito Eduardo Paes.

Brasilien Rio de Janeiro Regen Überflutung

Várias regiões ficaram alagadas no Rio de Janeiro

Mas, para especialistas, esse "transtorno" poderia ser evitado se fossem realizadas obras para melhorar a drenagem desses locais. "O problema das enchentes tem solução. Ele não pode ser um problema crônico e essa constante possibilidade de nos submetermos aos riscos e a parar a vida urbana não deve ser atribuída à natureza. As enchentes deveriam ser enfrentadas como uma questão prioritária da política urbana. Não é possível que isso se repita de forma tão frequente", afirma a especialista em planejamento urbano Fernanda Ester Sánchez García, da Universidade Federal Fluminense.

Problema político

Para García, os governos não têm dado prioridade necessária para programas de drenagem urbana e ações preventivas em áreas de risco. "Os grandes investimentos têm sido aplicados em obras e ações urbanísticas em alguns setores da cidade. Essa questão mais estrutural tem ficado em segundo plano, frente a opções de investimentos em áreas de valorização imobiliária e de grandes projetos urbanos", argumenta.

Assim como García, o especialista em geografia Jorge Xavier da Silva, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, também considera que o problema das enchentes tem solução. Os governos deveriam investir fortemente em projetos de urbanização que levassem em conta a realidade geográfica da região.

"Do ponto de vista científico, esse problema está equacionado, resta agora haver a decisão política de executar essa geoinclusão. Mas, como já são áreas ocupadas, a coisa fica muito mais cara e difícil de executar", afirma Silva.

Brasilien Unwetter

Em 2011, mais de 900 pessoas morrem em tragédia na região serrana

A localização geográfica da cidade do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense, formada por planícies entremeadas por montanhas, torna-a propícia a enchentes e deslizamentos. A urbanização descoordenada dessa região, sem os devidos cuidados para manter as condições de escoamento da água das chuvas, gerou um problema que continuará se repetindo se obras de adequação não forem feitas.

"Quando essa região foi urbanizada, deveria ter sido criado um escoamento correto das águas da chuva, que normalmente inundariam uma planície e que deixariam de inundar se houvesse diques e locais para extravasamento dos excessos de água", exemplifica o especialista.

Nos últimos anos, fortes chuvas causaram milhares de mortes no estado do Rio. Em 2010, foram mais de 450 vítimas fatais. Em 2011, mais de 900 morreram somente na tragédia da região serrana do estado. Exposta a tragédia, os governos sempre se comprometem a investir em soluções para amenizar os problemas causados pelo fenômeno natural. Mas a repetição anual da tragédia deixa claro que muito pouco é feito.

Segundo Silva, desde 2010 tem sido feitos esforços, mas eles são pequenos perto do tamanho do problema. "Esse esforço é fragmentado e não considera o problema numa visão abrangente, que leve em conta as limitações, as potencialidades, as ameaças, os riscos e, principalmente, as aptidões para a ocupação urbana da região", afirma.

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