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Economia

Com leve queda, Brasil lidera em investimento estrangeiro na América Latina

ONU registra recuo de 2,3% em 2014, situação menos grave que médias mundial e da América Latina. Para analista, impacto do pacote de concessões do governo deve ser lento.

Pelo terceiro ano consecutivo, o Brasil apresentou uma ligeira diminuição na entrada de investimentos estrangeiros diretos (IEDs) em 2014, afirmou a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) nesta quarta-feira (24/06), em seu relatório anual World Investment Report 2015.

Apesar da queda de 2,3% em comparação a 2013, o Brasil – que atraiu 62,5 bilhões de dólares em 2014 – continua sendo o primeiro destino de IEDs na América Latina. A queda dos investimentos no Brasil foi inferior à média da América Latina e Caribe (-14%, para 159 bilhões de dólares) e mundial (-16%, para 1,23 trilhão de dólares).

O relatório afirma que a China (128 bilhões de dólares) passou a ser o maior receptor de IEDs em 2014, seguida por Hong Kong (103,3 bilhões) e pelos Estados Unidos (92,4 bilhões). O grupo de economias em desenvolvimento atraiu 681 bilhões de dólares e segue sendo o que recebe a maior proporção dos investimentos mundiais. Cinco dos dez principais receptores de IEDs são economias em desenvolvimento: China, Hong Kong, Cingapura, Brasil e Índia.

De acordo com o documento, as regiões que se destacaram positivamente no mundo em 2014 foram: Leste e Sudeste da África, que recebeu 381 bilhões de dólares (+9,6% em comparação a 2013 / participação mundial de 31%) e Sul da Ásia, com 41,2 bilhões (+16% / 3,4%).

Por outro lado, os negativos foram: África, 54 bilhões (-0,1% / 4,4%); Ásia Ocidental, 43 bilhões (-3,7% / 3,5%); economias em transição, 48,1 bilhões (-51,7% / 3,9%) e países desenvolvidos, 498,8 bilhões (-28,4% / 40,6%).

De acordo com os dados da Unctad, o Brasil apresentou uma forte queda dos investimentos no setor agropecuário (de 58%, para 7 bilhões de dólares). Por outro lado, os setores de indústria e serviços compensaram esse recuo com aumentos de 5% (para 22 bilhões de dólares) e 18% (para 33 bilhões de dólares), respectivamente.

Dilma Rousseff

Governo Dilma espera obter 198 bilhões de reais por meio das concessões de infraestrutura

Pacote de concessões do governo

No início de junho, a presidente Dilma Rousseff anunciou um pacote de concessões de 198 bilhões de reais com o objetivo de atrair investimentos privados para a modernização de estradas, ferrovias, aeroportos e portos. O plano inclui a construção da Ferrovia Transoceânica, que ligará o Brasil ao Oceano Pacífico e será financiada pela China.

O governo federal espera obter 86,4 bilhões de reais em investimentos em ferrovias, 66,1 bilhões em estradas, 37,4 bilhões em portos e 8,5 bilhões em aeroportos. Do total de recursos previstos, 69,2 bilhões de reais serão investidos entre 2015 e 2018. A partir de 2019, o programa prevê investimentos de 129,2 bilhões de reais.

Apesar de os primeiros investimentos estarem previstos já para 2015, o analista Marcos Troyjo, diretor do BRICLab da Universidade de Columbia, nos EUA, diz que o impacto do pacote de concessões sobre os IEDs no país será mais lento do que o governo espera.

"Intervenções recentes em políticas de preços na eletricidade, gasolina, o sucateamento político das agências reguladoras e a inflexibilidade nas regras de conteúdo local continuam a desestimular os investidores", afirma Troyjo. "Recuperar a confiança demanda tempo e inflexão de rumo por parte do governo e tudo isso torna mais lenta a recuperação dos investimentos."

Ele lembra que haverá um significativo lote de investimentos chineses em infraestrutura. Porém, esses investimentos serão efetivados num ritmo mais lento do que desejaria o governo federal, já que muitos projetos, como a Ferrovia Transoceânica, dependem de estudos de viabilidade e licenças ambientais que ainda não estão assegurados.

Para o especialista, o fluxo de investimentos no país vai passar por um "rescaldo". Por um lado, há a continuação dos investimentos por parte de empresas que se estabeleceram ou ampliaram as operações no Brasil entre 2010 e 2011. Por outro, o fraco desempenho da economia, particularmente nos últimos seis meses, tem funcionado como um freio a novos fluxos de IEDs.

"Ao final de 2015, essas fontes devem, de certa forma, se compensar, e estimo que o fluxo de IEDs fique pouco abaixo de 60 bilhões de dólares. Poderia ser muito mais, mas, dadas as circunstâncias brasileiras, não é de todo ruim", afirma o especialista.

América Latina e Caribe

De acordo com a Unctad, após quatro anos consecutivos de crescimento, os IEDs na América Latina e Caribe diminuíram 14% em 2014, para 159 bilhões de dólares.

Segundo o relatório, a queda se deve, principalmente, a uma diminuição de 72% das fusões e aquisições estrangeiras na América Central e Caribe, e à redução dos preços das commodities, que afetou negativamente o investimento nas indústrias extrativas da América do Sul.

A diminuição foi registrada em ambas regiões, mas foi maior na América Central e no Caribe (de 36%, para 39 bilhões de dólares), onde as correntes de investimentos regressaram aos seus valores normais após os altos níveis alcançados em 2013 devido à aquisição internacional de grande envergadura da indústria cervejeira mexicana.

Os investimentos na América do Sul continuaram diminuindo pelo segundo ano consecutivo, em 4%, para 121 bilhões de dólares. Todos os maiores países receptores, salvo o Chile, registraram um crescimento negativo dos IEDs: Argentina (-41%), Colômbia (-1%), Peru (-18%) e Venezuela (-88%) são alguns dos destaques negativos.

Os chilenos recuperaram sua posição como segundo maior destino de IEDs na região – os investimentos aumentaram 38,4%, para 22,9 bilhões de dólares, impulsionados pelos níveis excepcionalmente elevados das vendas realizadas através de fusões e aquisições internacionais, que se triplicaram e corresponderam a 9 bilhões de dólares.

Já o México foi o terceiro maior receptor em 2014, embora os IEDs tenham sido reduzidos quase à metade, a 22,8 bilhões de dólares, após uma queda das vendas internacionais depois de alcançarem níveis excepcionais em 2013. A tendência se intensificou em 2014, quando a AT&T, dos EUA, retirou 5 bilhões de dólares de sua participação da América Móvil.

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