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Especial

Com estádio-modelo mas aeroporto inacabado, Fortaleza não irá cumprir prazos da Copa

Cidade-sede que vai receber quatro jogos da primeira fase não vai entregar todas as obras de mobilidade no entorno do Castelão. Ampliação de aeroporto internacional tem atraso recorde e será necessário improvisar.

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Improviso marca obras do aeroporto internacional Pinto Martins, em Fortaleza

A primeira cidade-sede a entregar um estádio para sediar os jogos da Copa do Mundo no Brasil também tem uma das obras mais atrasadas para o Mundial. Entre a Arena Castelão, considerada estádio "verde" pela Fifa, e a reforma inacabada do Aeroporto Internacional Pinto Martins, Fortaleza não irá entregar todos os projetos previstos a tempo.

Até o final de 2013, apenas 25% das obras de reforma e ampliação do terminal de passageiros do aeroporto tinham sido concluídas. Com o atraso, a Infraero abriu em janeiro uma licitação para a construção de um terminal de embarque provisório que deverá atender 400 mil passageiros. O improviso irá gerar um custo adicional de 3,5 milhões de reais aos cofres públicos.

"A primeira vez que vim aqui, no início do ano passado, constatei que o maior problema que nós temos é nesta obra", admitiu o ministro da Aviação, Moreira Franco, durante uma visita ao terminal em janeiro.

O aeroporto, que tem capacidade para atender 6,2 milhões de pessoas por ano, deve receber 6,8 milhões de passageiros durante a Copa. Mesmo assim, a Infraero garante que o Pinto Martins "estará preparado para atender a demanda prevista".

Estádio-modelo

Se por um lado Fortaleza tem uma das obras mais atrasadas da Copa, por outro, a cidade-sede foi a primeira a entregar o estádio. A reforma e modernização da Arena Castelão, com capacidade para 64 mil torcedores, foi concluída em dezembro de 2012, dentro do prazo previsto.

O investimento total foi de 518,6 milhões de reais (com 351,5 milhões de financiamento do BNDES), valor cerca de 20% menor do que o previsto na primeira Matriz de Responsabilidades firmada em 2010.

WM 2014 in Brasilien - Stadium Fortaleza

Arena Castelão ficou 20% mais barata do que o previsto

A arena recebeu a certificação internacional LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), que avalia aspectos ambientais das edificações. Um dos critérios de avaliação é a atenção ao transporte público, mas uma das obras de mobilidade previstas para fazer a ligação entre o estádio e a região hoteleira de Fortaleza não ficará pronta.

O BRT (Bus Rapid Transit) Dedé Brasil será entregue apenas em dezembro deste ano. Até março, 9% da obra estavam concluídos. O motivo, segundo a prefeitura, é evitar transtornos à população, já que as construções exigem desvios e interdições.

Desapropriações

O projeto de mobilidade inclui três corredores exclusivos de ônibus, uma via expressa e uma linha de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). Em um trajeto de 12 km, o Ramal Parangaba-Mucuripe irá ligar o centro de Fortaleza à orla turística, com integração ao metrô. O ramal que hoje é utilizado para o transporte de carga deverá atender cerca de 100 mil passageiros por dia, mas para os moradores de comunidades do entorno a obra não é bem-vinda.

De acordo com a Defensoria Pública do Estado do Ceará, cerca de 5 mil pessoas estão perdendo suas casas. O valor do auxílio social é de 6 mil reais e os apartamentos do programa Minha Casa, Minha Vida só devem ser entregues no final deste ano.

O governo estadual irá desapropriar cerca de 2 mil moradias, mil a menos do que o estimado no início do projeto. Algumas comunidades impediram a entrada de técnicos que fariam os laudos para as desapropriações. Mesmo assim, até janeiro, 99,2% das negociações renderam acordo, segundo a Secretaria da Infraestrutura.

O Tribunal de Contas do Estado classificou o estudo e o relatório de impacto ambiental do projeto como "superficial e incompleto". Duas ações – da Defensoria e do Ministério Público Federal do Ceará – questionam a obra na Justiça. O MPF argumenta que os imóveis foram avaliados a preços irrisórios (considerando apenas a benfeitoria e não o terreno) e que o valor das indenizações é muito baixo.

A obra que começou em abril de 2012 estava prevista para ser entregue em junho de 2013, mas o prazo foi reprogramado para abril de 2014. Até janeiro, 47% das obras estavam concluídas.

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