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Mundo

Com avanço do "Estado Islâmico", Síria volta a ser dilema para Obama

Depois do Iraque, extremistas avançam também sobre o território sírio. Presidente americano hesita em intervir e, mesmo sob pressão interna para agir, admite não ter estratégia para enfrentar o problema.

Na coletiva de imprensa de quinta-feira (29/08), o presidente americano, Barack Obama, quis mostrar ação. Destacou estar desenvolvendo um plano bem concebido para combater o grupo extremista "Estado Islâmico" ("EI"), que se espalha cada vez mais por Iraque e Síria. Mas admitiu, ao mesmo tempo, algo bem mais convincente: "Nós não temos uma estratégia."

Especialistas americanos em Oriente Médio estão de acordo: na questão síria, Obama fracassou completamente. Não somente diante da atual ameaça por parte do "EI", mas já desde o início da guerra civil.

"O perigo representado pelo 'EI' não era apenas previsível, mas se anunciava claramente", diz Shadi Hamid, especialista em Oriente Médio do instituto Brookings, de Washington.

Em 2012, o governo americano discutiu sobre ataques aéreos na Síria e sobre como apoiar grupos moderados. Mas, em vez disso, os EUA só conseguiram que as armas químicas sírias fossem destruídas. Isso, segundo Hamid, apenas aumentou a legitimidade do ditador Bashar al-Assad.

Falta de esclarecimento

A política externa de Obama, mais focada na diplomacia e menos em intervenções militares, é contestada nos EUA. Para Hamid, a questão em torno do "Estado Islâmico" poderia ser a grande chance do presidente americano.

O especialista diz esperar que Obama perceba que uma intervenção militar na Síria é necessária. Mas até agora esse não foi o caso. O grande problema, segundo ele, é que os EUA têm pouco conhecimento sobre a atual situação na Síria – há apenas dois dias, começaram a ser feitos os voos de reconhecimento sobre a região.

E voos de reconhecimento na Síria são mais complicados do que, por exemplo, no Iraque. Ali, os EUA já cooperam com tropas terrestres locais, o que facilita a tarefa. Além disso, Bagdá pediu enfaticamente apoio, um cenário completamente diferente da Síria, onde os EUA até agora não estão em contato direto nem com a oposição nem com o regime de Assad.

Kämpfer des IS in der syrischen Stadt Raqqa

Combatentes do "EI" na cidade síria de Raqqa

Novamente contra a parede

A Síria volta a ser um dilema para Obama. Palavras expressivas já haviam sido proferidas por seus ministros. O secretário da Defesa Chuck Hagel, por exemplo, descreveu o "EI" como "uma ameaça direta para todos os interesses americanos" e "transcende tudo o que se viu até agora". O secretário de Estado John Kerry disse que o "EI tem de ser destruído".

"Estamos em guerra como EI", afirma Michael O'Hanlon, especialista na área de defesa do instituto Brookings.

Ele diz que os 500 milhões de dólares que Obama pediu ao Congresso americano para apoiar os rebeldes moderados sírios são um bom começo. Mas afirma que o esforço americano na Síria, no entanto, deve ir muito mais além. "Há muito que se devia ter começado com o treinamento militar e fornecimento de armas", opina O'Hanlon.

O especialista diz que, além de bombardeios aéreos, mais tropas terrestres americanas devem ser enviadas para o Iraque. Para ele, os EUA deveriam avançar com 5 mil a 10 mil soldados para que possam ajudar na luta contra as milícias do "EI".

"Haverá perdas, mas não vejo alternativa", assinala O'Hanlon, dizendo que, além disso, os americanos deveriam treinar tropas iraquianas, para que elas próprias possam atuar contra o "EI" a longo prazo.

Com ou sem Congresso

Até agora, somente existem especulações sobre o que os EUA podem fazer na Síria. De acordo com relatos da imprensa local, os assessores do presidente americano poderão propor em breve uma operação com aviões não tripulados e ataques aéreos.

Os EUA já executaram missões do tipo numa série de países, como o Afeganistão ou Paquistão. A diferença é que eles pediram o apoio dos EUA, diferentemente da Síria, onde o governo já advertiu Obama sobre uma intervenção em seu espaço aéreo.

De todo modo, uma decisão de Obama não deve sair antes de setembro, após a cúpula da Otan no País de Gales, na próxima semana. Nesta quinta-feira, Obama deixou claro que a luta contra o "EI" será um "projeto de longo prazo".

No Iraque, desde o início de agosto, os americanos já conduziram mais de cem ataques aéreos, sem que o Congresso tenha que ter dado a sua aprovação. Obama justificou isso com a urgência da operação e a advertência de uma crise humanitária. Da mesma forma, de acordo com especialistas jurídicos, desta vez ele também poderia decidir sozinho.

"Se Obama realmente o quiser, ele vai obter o apoio do Congresso, já que a luta contra terroristas nos EUA já conta com muito apoio", aposta Michele Dunne, do Fundo Carnegie para a Paz Internacional.

Flughafen von Tabka von ISIS eingenommen

Moradores de Tabqa apoiam tomada de aeroporto por milícias do "Estado Islâmico"

Coalizão contra o "EI"

O apoio na luta contra o "EI" por países da União Europeia (UE) tem pouca importância nos EUA, embora os planejados fornecimentos de armas tenham sido bem-aceitos, por exemplo, na Alemanha. Mas não se credita nenhum papel de liderança aos europeus.

"Se os EUA tomarem uma decisão clara, então vai haver também apoio por parte dos europeus", opina Michele Dunne.

Shadi Hamid também vê os europeus hesitantes: "Ninguém que se expor na questão da Síria, antes que os EUA o façam. Somente quando começarmos a agir, os outros nos seguirão", afirma o especialista em Oriente Médio.

Atualmente nos EUA a discussão gira em torno dos parceiros americanos no Oriente Médio. A Turquia e países do Golfo Pérsico estão disponibilizando suas bases militares para ataques aéreos. Obama quer promover mais veementemente a busca de apoio na região, para onde Kerry deverá viajar a fim de fomentar a formação de uma coalizão contra grupos radicais islâmicos.

Hagel foi encarregado agora de definir para o presidente opções na luta contra o "EI". Segundo Hamid, seria desastroso não investir contra os islamistas: "Se Obama não fizer nada, temos que aceitar que, num futuro previsível, o 'EI' vai continuar a nos perseguir."

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