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Economia

Comércio com poluição causa batalha em dois fronts

Ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Jürgen Trittin, do Partido Verde, trava uma batalha em dois fronts, por causa da planejada redução das emissões de dióxido de carbono para proteger o clima global.

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De um lado está o ministro da Economia, Wolfgang Clement, do Partido Social Democrata (SPD), que teme desvantagens para a economia alemã. De outro, as indústrias não querem cumprir o que prometeram há dois anos e sua organização de cúpula ainda exige a demissão de Trittin.

O comércio com certificados de emissões de dióxido de carbono vai começar na União Européia em 2005. Numa discussão do gabinete da Alemanha (carro-chefe da economia da UE) sobre a questão, em Berlim, nesta semana, os ânimos foram tão acirrados que ninguém quis se posicionar depois para a imprensa. A Confederação Alemã da Indústria (BDI), por sua vez, deixou claro que o setor não quer praticamente aceitar nova redução de suas emissões de dióxido de carbono até 2010 em relação ao nível da atualidade.

Jürgen Trittin auf dem Umwelt Gipfel in Johannesburg

Ministro do Meio Ambiente, Jürgen Trittin

Nova ameaça à já fraca conjuntura? - Numa carta ao chanceler federal, Gerhard Schröder, o presidente da BDI, Michael Rogowski, exigiu apoio do governo, inclusive com uma demissão do ministro do Meio Ambiente. O empresário alega que mais reduções no volume de poluição ameaçariam novos postos de trabalho e a competitividade das indústrias na Alemanha, o que seria da maior gravidade nestes tempos de baixa conjuntura, com alta taxa de desemprego.

O comércio de emissões funciona assim: cada país distribui primeiro gratuitamente ações de partida às suas empresas para serem comercializadas na UE. Quem menos gerar poluição pode vender. O preço será determinado pelo mercado. O problema é que as empresas alemãs acham que vão começar com desvantagem, uma vez que já reduziram consideravelmente suas emissões.

Toneladas de poluição - Trittin diz que quer, com o comércio de emissões, ajudar as indústrias a cumprir na prática a sua promessa voluntária de poupar 45 milhões toneladas de dióxido de carbono até o ano 2012. Em seu polêmico plano nacional de alocação, ele exige que as 2600 fábricas e usinas de energia elétrica, que vão participar do comércio com poluição, reduzam as 505 milhões de toneladas de dióxido de carbono que expelem hoje para 480 milhões de toneladas até o ano 2010.

A BDI quer reduzir minimamente estas emissões para 498 milhões de toneladas. Para o diretor do Departamento de Meio Ambiente da organização, Klaus Mittelbach, isto não significa que as indústrias vão parar de poupar energia e de gerar poluição, "pois as emissões adicionais terão de ser compensadas tanto pelo crescimento econômico esperado de 2% ao ano quanto pela substituição da energia atômica por fontes alternativas". O governo alemão firmou um acordo com o setor energético para desativar, paulatinamente, todas as 19 usinas nucleares do país. Uma já parou de gerar energia.

Pelo tratado da União Européia baseado no Protocolo de Kyoto, a Alemanha tem de reduzir suas emissões até 2010 para 21% abaixo da marca registrada em 1990. Já foram alcançados 19%.

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