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Jogos Olímpicos

COI descarta homenagem a vítimas de 1972 na abertura dos Jogos de Londres

Apesar da pressão internacional, Comitê Olímpico descarta homenagem aos atletas mortos no atentado terrorista durante os Jogos Olímpicos de Munique. Imprensa alemã diz que governo da época encobriu falhas na segurança.

A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres não é o local apropriado para lembrar um acontecimento trágico como o atentado nas Olimpíadas de Munique de 1972, considerou o Comitê Olímpico Internacional (COI) neste sábado (21/07).

Em memória às vítimas israelenses, líderes internacionais pedem um minuto de silêncio. O COI é contra, temendo conflitos com os países árabes.

Além do presidente dos EUA, Barack Obama, também o parlamento canadense, a primeira-ministra australiana, Julia Gillard, parlamentares britânicos e o ministro belga do Esporte, Philippe Muyters, declaram-se a favor do minuto de silêncio. Familiares das vítimas do atentado promovem há anos uma campanha em prol de uma homenagem oficial.

Com a recusa, evita-se atritos com o mundo árabe e tenta-se driblar a ameaça de que o conflito árabe-israelense se espalhe pelos Jogos. Atualmente, 23 países árabes e 53 muçulmanos fazem parte do COI.

"Eu entendo o minuto de silêncio, mas não posso apoiá-lo. Ele poderia colocar a unidade olímpica em perigo", disse Alex Gilady, israelense membro do COI, em meados de maio à agência de notícias DPA.

O Congresso Mundial Judeu criticou o órgão olímpico como alheio à realidade. Jacques Rogge, presidente do COI, destacou a tradicional cerimônia promovida pelo Comitê Olímpico de Israel durante as Olimpíadas, a ser realizada no dia 6 de agosto em Londres.

Para driblar a pressão internacional, o COI fez nesta segunda-feira uma homenagem aos atletas mortos, numa cerimônia na vila olímpica de Londres. "Eles foram a Munique num espírito de paz e solidariedade", declarou Rogge. Foi a primeira vez que o Comitê Olímpico Internacional homenageou os israelenses mortos em 1972. Mas a cerimônia, simbólica, não tem o mesmo impacto que uma homenagem na abertura dos Jogos Olímpicos.

Olympische Momente Galerie

Atirador de elite na vila olímpica de Munique, durante o atentado terrorista de 72

Falha de segurança

No atentado de 1972, extremistas palestinos tomaram 11 esportistas israelenses como reféns na vila olímpica. Todos os 11 atletas, além de cinco sequestradores e um policial alemão, foram mortos ao longo daquele 5 de setembro, a maior parte deles durante uma tentativa fracassada de libertação.

Segundo informa a mais recente edição da revista semanal Der Spiegel, as autoridades alemãs tentaram abafar a falha. É o que mostram relatórios secretos de autoridades de investigação, despachos diplomáticos e protocolos de gabinete liberados para publicação pela revista por órgãos dos governos alemão e bávaro.

Segundo a Spiegel, já no dia seguinte ao atentado, em 1972, um funcionário do Ministério do Exterior determinou no documento de uma reunião extraordinária do gabinete de governo a linha que passaria a ser adotada pelos governos de Berlim e Munique: "acusações mútuas" e "autocrítica" deveriam ser evitadas pelos dois lados.

A documentação oficial diz que os terroristas executaram o atentado com "precisão". Na verdade, escreve a revista, o comando do grupo terrorista palestino Setembro Negro agiu de maneira diletante. O grupo teve problemas para encontrar vaga num hotel de Munique. No dia do ataque, primeiro os palestinos erraram o andar onde estava hospedada a delegação israelense na vila olímpica e se depararam com atletas de Hong Kong.

De acordo com a Spiegel, a documentação oficial também não menciona o fato de que indícios e alertas para o ato terrorista haviam sido dados semanas antes dos Jogos. A embaixada alemã em Beirute anunciara que alguém de confiança havia escutado que "um incidente seria encenado pelos palestinos durantes os Jogos". E um jornal italiano reportara poucos dias antes do evento que terroristas planejavam o atentado.

Temor israelense

O serviço secreto israelense Mossad teme uma espécie de "ataque-jubileu" durante os Jogos Olímpicos de Londres. Desde o atentado de Munique, há 40 anos, proteger os atletas de Israel tem sido preocupação nas Olimpíadas.

Israel culpa o Irã e o Hisbolá pelo ataque à bomba a um aeroporto na Bulgária na última semana, considerado um ensaio para um atentado à delegação olímpica israelense. O Irã considerou a acusação "infundada".

Ehud Barak, ministro da Defesa de Israel, alertou sobre uma "campanha terrorista global" promovida pelo Irã e pelo seu aliado no Líbano, o Hisbolá. As forças de segurança britânicas receberam apoio de diversos órgãos internacionais para evitar um ataque durante os Jogos Olímpicos, afirma Barak.

Além disso, em um comunicado a todos os comitês olímpicos nacionais, o COI ameaçou aplicar sanções pesadas caso um atleta se recuse a competir com outro atleta sob falsos pretextos. Nas Olimpíadas passadas, esportistas do Irã, país que não reconhece o Estado israelense, boicotaram repetidamente atletas de Israel alegando lesão ou doença.

"Lembramos a todos que tal prática é estritamente proibida na Carta Olímpica", disse Rogge, presidente do COI. Os atletas israelenses também ficarão separados dos demais, em uma área de segurança máxima, informou um oficial do serviço de inteligência israelense à agência de notícias Associated Press.

LPF/dpa/rtr/ape
Revisão: Roselaine Wandscheer

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