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Mundo

Coalizão bombardeia "Estado Islâmico" na fronteira com a Turquia

Ataques aéreos tentam frear jihadistas e evitar tomada da estratégica Kobane, no norte da Síria. Parlamento em Ancara avalia proposta para que Forças Armadas turcas entrem nos combates.

A coalizão militar liderada pelos Estados Unidos realizou pelo menos cinco ataques nesta quarta-feira (01/10) em áreas ocupadas pelos radicais nas proximidades da cidade curda de Ain al-Arab (também chamada de Kobane), na fronteira com a Turquia. O objetivo é frear o avanço do "Estado Islâmico" sobre os combatentes curdos, que tentam defender a estratégica cidade no norte sírio.

Os ataques foram feitos por jatos de combate americanos e drones. Segundo testemunhas, os bombardeios teriam atingido uma vila que fica cerca de cinco quilômetros a sudoeste de Kobane. Um tanque do EI teria sido destruído, além de um veículo carregado de munição e uma peça de artilharia. Oito jihadistas foram mortos.

Segundo o Observatório Sírio para Direitos Humanos, os radicais tomaram o controle de 325 das 354 vilas em torno de Kobane. Sete homens e três mulheres teriam sido decapitados pelos islamistas em uma campanha para amedrontar os moradores que resistem ao avanço do EI.

A área na fronteira com a Turquia tornou-se uma zona de intensos confrontos entre integrantes do EI e combatentes curdos. Dezenas de refugiados fogem para o território turco em busca de abrigo.

Engajamento turco

A Turquia sinalizou que poderá enviar tropas para a Síria ou Iraque e que pretende permitir que os aliados usem bases turcas nos combates ao "Estado Islâmico".

Syrien - Explosion in Kobane

Ataques nas proximidades de Kobane destroem tanque e veículo carregado de munição do EI

A proposta enviada pelo Executivo turco ao Parlamento na terça-feira prevê a autorização de ações militares com o intuito de "defender ataques direcionados à Turquia orquestrados de grupos terroristas do Iraque ou da Síria". O texto deve ser votado nesta quinta-feira.

O texto prevê que a Turquia – até então reticente em aderir à linha de frente contra os radicais islâmicos – permita que forças estrangeiras possam cruzar seu território para chegar à Síria. O avanço do "Estado Islâmico" para a área sob vigilância das Forças Armadas turcas aumentou a pressão para que o país, membro da Otan, desempenhe uma maior participação na aliança formada entre países ocidentais e árabes para combater os jihadistas.

Em discurso no Parlamento, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, no entanto, afirmou que a queda do ditador Bashar Al-Assad continua sendo a prioridade de Ancara. Ele ressaltou o receio de que ataques aéreos sem uma devida estratégia política mais ampla possam acabar prolongando a instabilidade na região.

"Estamos abertos a toda a cooperação, mas todos devem saber que a Turquia não é um país que fica satisfeito com soluções temporárias", afirmou Erdogan.

Os Estados Unidos estão realizando ataques no Iraque contra o grupo islâmico desde julho e, na Síria, desde a semana passada, com ajuda de aliados árabes. Reino Unido e França também estão atingindo alvos do EI no Iraque.

MSB/afp/rtr

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