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Co-piloto invisível na boléia do caminhão

Assis Mendonça28 de dezembro de 2002

Um quarto dos acidentes com caminhões na Alemanha tem a característica típica do engavetamento. As causas são quase sempre as mesmas: cansaço e pressa dos motoristas, além da monotonia das auto-estradas.

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Novo sistema poderá evitar os engavetamentos nas estradasFoto: AP

Os caminhões da nova geração deverão ser algo de extraordinário. Eles terão a capacidade de corrigir erros humanos. O motorista terá um auxiliar invisível: um radar que esquadrinha a situação do trânsito à frente, com uma freqüência de dez vezes por segundo, reconhecendo e identificando os objetos de metal – seja caminhão, carro, motocicleta, bicicleta, guard-rail, sinais de trânsito ou postes de iluminação pública.

O engenheiro Jürgen Trost é o chefe da equipe responsável pelo desenvolvimento do novo equipamento de segurança na DaimlerChrysler. Segundo ele, "definimos primeiramente um sistema capaz de reconhecer o ambiente em que transita. O que queremos é que o veículo se torne tão inteligente, que possa evitar ele próprio as situações de perigo". O primeiro passo, testado na prática, foi impedir que os caminhões de 40 toneladas provoquem acidentes de engavetamento.

Engavetamento típico

Uma das situações perigosas que ocorrem com freqüência: um veículo com problemas técnicos desloca-se numa estrada a 20 km/h. Por trás, aproxima-se rapidamente um caminhão à velocidade de 85 km/h. A distância torna-se cada vez menor. O motorista do caminhão não reage, por distração ou avaliação falsa do perigo. Logo é tarde demais: mesmo a freada brusca não consegue mais impedir o acidente. O caminhão abalroa o veículo à frente. A freada brusca surpreende os motoristas que vinham atrás do caminhão, que também não conseguem brecar a tempo.

Em tais situações, ocorrem os engavetamentos. Às vezes, dezenas de veículos são envolvidos em tais acidentes nas auto-estradas alemãs. Com grandes prejuízos materiais e, principalmente, conseqüências fatais. Todos os anos, cerca de mil pessoas perdem a vida na Alemanha em situações semelhantes. Um quarto dos desastres rodoviários deste tipo poderá ser evitado no futuro com o novo sistema Protector, desenvolvido pela equipe de Trost na DaimlerChrysler.

Advertência a todos

Imagine-se a mesma situação anterior: um veículo com problemas técnicos a 20 km/h e o caminhão que se aproxima rapidamente a 85 km/h. Com uma diferença – o caminhão está agora equipado com o Protector. O sistema de segurança mede a distância para o obstáculo à frente, dez vezes por segundo. E calcula sempre o tempo necessário para brecar inteiramente o caminhão, evitando que haja uma colisão.

Quando a situação começa a ficar crítica, e o motorista não reage, o Protector faz uma primeira advertência: o rádio é desligado e a velocidade é reduzida, através de frenamento moderado. Se o motorista, ainda assim, mantiver-se insensível ao perigo, o sistema de segurança adverte em primeiro lugar todos os motoristas à volta – com o piscar de luzes e o disparar da buzina. Em seguida, em fração de segundo, provoca a frenagem total, de maneira a parar o caminhão inteiramente, ainda antes de colidir com o veículo à frente.

Alarmes falsos

O grande problema que os engenheiros da DaimlerChrysler tiveram de solucionar foi o de fazer com que o Protector não desse alarmes falsos. O radar detecta objetos de metal e distingue entre os mais diversos tipos de obstáculos. Mas também teve de "aprender", por exemplo, que o papel de alumínio da embalagem de um chocolate que algum motorista tenha jogado fora pela janela do seu carro não é motivo para desencadear todo o processo de prevenção de acidente.

O sistema de segurança passou por inúmeras fases de aperfeiçoamento, tendo de reconhecer até mesmo obstáculos raros, como tratores agrícolas com arado ou outros equipamentos do gênero a reboque. Além disto, teve de ser programado e aperfeiçoado o reconhecimento de situações difíceis, mas que não encerram necessariamente um perigo: é o caso de um veículo à frente, que reduz a velocidade para dobrar à esquerda ou à direita. O que não exige que o caminhão reduza a velocidade ou pare, se houver espaço suficiente para uma ultrapassagem. Nestes casos, o Protector dá um sinal de alerta ao motorista, mas não breca o caminhão.

O sistema já foi testado em mais de um milhão de quilômetros rodados, dentro do funcionamento normal de uma empresa de transportes. Além disto, passou por incontáveis testes nas pistas de prova da DaimlerChrysler. Dentro em breve, o Protector poderá ser adquirido como equipamento adicional para caminhões novos. E também os caminhões usados poderão, provavelmente, ser equipados com ele. O preço do sistema deverá girar em torno de 3 mil euros. O passo seguinte poderá ser a adaptação do Protector às limusines de luxo da Mercedes Benz.