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Alemanha

Clonagem humana: em busca dos limites

A reprodução de células humanas por meio da clonagem é controvertida em todo o mundo. Conferência internacional, realizada em Berlim sob os auspícios do governo alemão, debate as chances e os riscos do método.

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Protestos contra a clonagem frente ao hotel em que se realiza a conferência

A questão sobre os limites da ciência na manipulação da vida humana é uma das mais debatidas internacionalmente, diante do ritmo apressado com que os métodos baseados na genética se desenvolvem.

Existe consenso quanto à rejeição da clonagem reprodutiva, ou seja, a criação de cópia idêntica de um ser humano, que não é considerada eticamente aceitável. Já no que diz respeito à clonagem terapêutica, as divergências são grandes. Em inúmeros países, tais como a Grã-Bretanha, a Bélgica, a China e Israel, ela é permitida — pelo menos em laboratórios particulares — para finalidades de pesquisa, na busca de soluções aplicáveis na medicina.

Entre os que se empenham pela proibição global da clonagem de seres humanos, estão o Parlamento alemão e a Câmara dos Representantes norte-americana. O governo alemão ainda não chegou a uma conclusão definitiva neste debate e convocou, por isso, uma conferência internacional que se realiza a partir desta quarta-feira (14) em Berlim. Durante três dias, cerca de 40 especialistas em genética, biomedicina, ética e questões jurídicas debatem as chances e os riscos da reprodução por meio da clonagem, buscando clareza no estabelecimento de limites para a aplicação desse método em células humanas.

Restrições éticas e científicas

Os opositores da clonagem humana são movidos sem dúvida, primariamente, pelo aspecto ético da questão, vendo no método uma "instrumentalização", no caso de criação de embriões para fins de pesquisa. Ou o exercício de um "controle inaudito sobre a disposição genética de um outro indivíduo", como se expressou Peter Gruss, presidente da conceituada Sociedade Max Planck, o qual, aliás, defende a proibição generalizada da clonagem humana.

Mas existem também dúvidas quanto à eficiência do método, que derivam de inúmeros malogros em experiências com animais. A morte da ainda jovem ovelha clonada Dolly reforçou as suposições de que as células do ser reproduzido no fundo são tão velhas quanto as do ser original.

Luz no fim do túnel

Resultados obtidos pelo cientista alemão Hans Schöler, que atua na Universidade de Pensilvânia, nos Estados Unidos, apontam para uma solução que poderia relativizar o debate sobre o aspecto ético.

Schöler conseguiu produzir óvulos maduros com células-tronco retiradas de camundongos. Ou seja, as células-tronco, capazes de produzir os mais diferentes tecidos, podem dar origem também a células germinativas, uma descoberta inédita, segundo Detlev Ganten, diretor científico do Centro Max Delbrück de Medicina Molecular, de Berlim, que também participa da atual conferência.

Se o mesmo resultado fosse conseguido com tecidos humanos, os óvulos necessários para o desenvolvimento de embriões não precisariam mais ser retirados de mulheres. As considerações neste sentido ainda estão num estágio muito rudimentar, mas pode ser mesmo que "a expressão clonagem terapêutica deixe de ser a correta" — adianta Ganten —, se o método empregado passar a ser outro.

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