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Mundo

Clima de violência ameaça eleições na Nigéria

Maior país africano vota para presidente, abalado pelos ataques dos extremistas islâmicos do Boko Haram e por sangrentos confrontos étnicos e partidários. Governo coloca segurança em alerta máximo.

O presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, pediu nesta sexta-feira (27/03) que os cidadãos votem pacificamente e aceitem os resultados da eleição presidencial deste sábado, que, segundo analistas, será a mais acirrada da história da maior economia da África. "Nenhuma ambição política pode justificar a violência ou o derramamento do sangue de nosso povo", disse, em discurso televisionado.

As forças de segurança estão em alerta máximo contra violência eleitoral e extremista islâmica, e todas as fronteiras terrestres e marítimas da Nigéria foram fechadas como medida de precaução. Na capital, Abuja, soldados e bloqueios de trânsito fazem parte da paisagem. O correspondente da Deutsche Welle na cidade, Bem Shemang, afirma que as forças de segurança param automóveis para fazer revistas. Um porta-voz do partido do governo afirmou ser necessário "dar um senso de proteção aos cidadãos".

Autoridades estão preocupadas com a segurança no dia da eleição. A incapacidade dos militares de manter os locais de votação seguros foi uma das razões citadas para adiar o pleito, originalmente agendado para dia 14 de fevereiro.

Consolidação da democracia

Em um país mergulhado numa história de golpes e derramamento de sangue, causados por política, etnia, disputas de terras e, ultimamente, pela insurgência islâmica do Boko Haram, a eleição é um importante passo na consolidação da democracia da nação mais populosa da África.

Nigeria Wahl 2015 Straßenszene

Forças se segurança diante da comissão eleitoral nigeriana: policiamento reforçado para o pleito

No entanto, Chidi Adinkalu, presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, diz que a campanha eleitoral no maior produtor de petróleo da África, onde clientelismo e corrupção são abundantes, gerou uma retórica inflamada, "acusações incendiárias, ódio étnico". Sua organização, patrocinada pelo Estado mas independente, registrou pelo menos 58 assassinatos até dia 13 de fevereiro, e tem havido muitos mais desde então, segundo Adinkalu. Ele reclama que os políticos pouco têm feito para atenuar as tensões.

Enquanto isso, os militares nigerianos anunciaram que destruíram a sede do chamado califado islâmico do Boko Haram, na cidade de Gwoza, no nordeste do país, em combate que deixou vários extremistas mortos. Não há como verificar as informações. Críticos de
Jonathan acreditam que as vitórias militares recentes, após meses cedendo território aos extremistas islâmicos, são uma manobra para ganhar votos.

Nigerianos deixam o país

Mas algumas pessoas têm tanto medo da violência durante a eleição que estão deixando o país por um tempo, indo para lugares tão distantes como Estados Unidos ou Canadá. Os voos estão lotados, e as companhias aéreas chegaram a dispensar nesta semana passageiros da lista de espera no aeroporto internacional de Lagos.

O chefe do Exército, general Kenneth Minimah, disse que não vai tolerar tumultos. "Quem quiser incitar a violência, vai encontrar a violência organizada das forças de segurança", alertou nesta semana.

O presidente dos EUA, Barack Obama, enviou uma mensagem de vídeo nesta semana, apelando a "todos os nigerianos, de todas as religiões, etnias e todas as regiões, para se unirem e manterem a Nigéria unida".

Wahlkampf in Nigeria 2015 Muhammadu Buhari

Líder oposicionista nigeriano Muhammadu Buhari

União da oposição transformou campanha

A paisagem política da Nigéria se transformou quando os principais partidos de oposição formaram uma coalizão há dois anos e, pela primeira vez, se uniram em torno de um só nome, o ex-ditador militar Muhammadu Buhari, que é candidato à presidência pela quarta vez.

O partido de Goodluck Jonathan governou por décadas de ditadura militar, encerrada em 1999. Sua insistência em se candidatar outra vez causou deserções de políticos, que passaram para a oposição, acusando o presidente de querer quebrar uma regra partidária não escrita, que prevê rotação de poder entre o sul principalmente cristão, de onde ele vem, e o norte predominantemente muçulmano, que é reduto de Buhari.

A derrota de Buhari para Jonathan nas eleições de 2011 provocou tumultos no norte do país, matando mais de mil pessoas, de acordo com a Comissão Nacional de Direitos Humanos. Uma queixa no Tribunal Penal Internacional de Haia acusa Buhari de instigar a violência, o que é negado pelo general reformado.

Nos últimos dias, a igreja de um pastor que tem apoiado Jonathan foi incendiada no estado de Kaduna, no norte do país; o governador de oposição de um estado do sul levou um tiro quando fazia campanha; e tem havido tiroteios noturnos em Lagos, a capital comercial no sudoeste, onde Adinkalu disse que há uma "corrida armamentista" entre milícias étnicas.

Jonathan e Buhari fizeram promessas de paz na quinta-feira, apelando a seus seguidores para que evitem a violência.

MD/ap/dpa/afp/rtr

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