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Copa do Mundo

Clima de Quarta-feira de Cinzas após a Copa?

Que boas foram estas semanas de Mundial na Alemanha: sol, festas e alegria o tempo todo. Há muito não se sentia tanta alegria. E agora? Voltamos à triste rotina do dia-a-dia? Psicólogos analisam.

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A Copa do Mundo acabou, e com ela os motivos para fazer festa. À euforia sucede-se a depressão? Não, respondem os especialistas, se bem que um pouco de desânimo sempre fica. "Naturalmente que há uma pequena decepção", constata o sociólogo esportivo Hans-Jürgen Schulke, de Bremen.

Isto é completamente normal, pois não se consegue manter o apogeu da alegria o tempo todo: "Após o grande clímax de uma noite de núpcias, algum dia vem a rotina do matrimônio", compara.

O mesmo aconteceu com os australianos depois dos Jogos Olímpicos do ano 2000, em Sydney. Eles estiveram tão entusiasmados quanto os alemães agora na Copa e depois da festa de encerramento caíram numa espécie de "melancolia coletiva".

Emoções primitivas

WM Bilder des Tages 30.06.2006 Fanmeile Berlin

Milhões acompanharam as festas junto aos telões

Também o psicólogo Peter Walschburger projeta para os dias seguintes ao final da Copa uma "leve depressão coletiva" semelhante ao clima de Quarta-feira de Cinzas. Esta sensação é reforçada pelo fenômeno do public viewing, os telões em grandes espaços públicos. "Na massa, as emoções são intensificadas e se tornam primitivas. Isso faz a ressaca ainda maior!"

Para a maioria dos alemães, no entanto, esta sensação de melancolia não perdurará por muito tempo, acredita o psicólogo, que é professor na Universidade Livre de Berlim.

"E parte deste entusiasmo inclusive pode ser aplicado para outros fins particulares", acrescenta, assinalando ser possível que muitas pessoas se deixem contagiar tanto pela alegria no país quanto pela positiva ambição da seleção alemã, para dar um "empurrão" na própria vida. Talvez o Mundial de Futebol até tenha dado um pontapé no clima de depressão que assolava o país.

Procuram-se novos objetos de identificação

A única preocupação de Walschburger é com os torcedores pouco presunçosos e sem metas concretas à sua frente. "Quem não tem outra coisa em que ancorar seu coração, para este o abismo será ainda mais profundo", adverte. Principalmente os jovens tendem a se fixar exageradamente em imagens como a seleção ou um acontecimento como a Copa.

O sociólogo desportivo Schulke acha que é a chance de grandes organizações esportivas tomarem a iniciativa, já que é no esporte que a sensação do coletivo pode ser preservada. "É preciso manter acesa a consciência de que o esporte é algo sensacional", ressalta.

Segundo ele, é preciso aproveitar o momento e converter a disposição das pessoas em oportunidades de praticar esporte. Futebol, ginástica ou natação são excelentes opções para consolar quem está triste com o final da euforia da Copa, e dar um novo sentido à vida, consola.

Walschburger sugere a todos os deprimidos que busquem novos objetivos e procurem outro grupo com que se identifiquem. Um pouco de decepção faz parte do espírito de uma grande festa como a Copa. "Não tem jeito, temos de passar por isso", termina.

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