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Brasil

Clima: "É crucial envolver mais os países em desenvolvimento"

O mundo volta os olhos para Bali, à espera de respostas para as mudanças climáticas. Uma das metas é envolver mais os países em desenvolvimento, afirma Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção do Clima.

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A 13ª Conferência das Partes da Convenção do Clima começa nesta segunda-feira (03/12) em Bali, na Indonésia, cercada de expectativas: é lá que deverão ser traçados os planos e metas para tentar brecar as mudanças climáticas nos próximos anos.

A hora é de agir, cobra Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática (UNFCCC, na sigla em inglês). Em entrevista à Deutsche Welle, ele falou sobre o que precisa ser feito na Convenção em Bali, sobre suas expectativas em relação aos países em desenvolvimento e sobre o papel desempenhado pelo Brasil dentro da nova ordem climática mundial.

Deutsche Welle : O futuro das políticas climáticas internacionais está no centro das discussões planejadas para a Convenção do Clima em Bali. O que precisa acontecer no evento para que ele possa ser considerado um sucesso?

Symbolbild Erde EU Klima

Yvo de Boer: Bali vem em um momento crucial. Acabamos de ter três relatórios muito importantes da comunidade científica representada pelo IPCC. Esses relatórios disseram que nós, seres humanos, somos responsáveis por estes problemas; disseram quais serão as consequências das mudanças climáticas se deixarmos de agir; e disseram que hoje temos muitas das tecnologias de que precisamos para chegar a uma solução nesta questão.

Então, a mensagem da comunidade científica está translúcida. A questão agora é a resposta política a ser dada. E Bali é o momento para esta resposta. Os cientistas estão nos dizendo que temos um período relativamente curto, de 10 a 15 anos, para conseguirmos fazer as emissões globais diminuirem em vez de crescerem.

Isso significa que Bali precisa lançar as negociações para uma política em mudanças climáticas de longo prazo. Precisa decidir qual é a agenda necessária para essas negociações e precisa estabelecer um prazo final para completar essas negociações.

Como os países em desenvolvimento se encaixam nestes planos?

Para poder fazer as políticas internacionais em mudanças climáticas avançarem, é crucial começarmos a pensar em como podemos envolver mais fortemente os grandes países em desenvolvimento. Sob o Protocolo de Kyoto, eles já têm a obrigação de limitar o crescimento de suas emissões, adotando políticas e projetos para atingir esta meta. Mas para fazerem isso, dependem de recursos internacionais.

Yvo de Boer

Yvo de Boer é secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática (UNFCCC)

Uma parte importante da discussão em Bali após a convenção é ver como podemos operacionalizar o que já foi definido sob o Protocolo de Kyoto. Em outras palavras, como podemos estabelecer uma cooperação internacional e incentivos que permitam que países em desenvolvimento limitem o aumento de suas emissões ao mesmo tempo em que crescem economicamente e avançam na erradicação da pobreza.

O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo é um importante instrumento dentre esses incentivos? [CDM, na sigla em inglês, é o mecanismo através do qual países industrializados compram créditos de carbono de países em desenvolvimento, que assim recebem investimentos para projetos que reduzam as emissões do gás]

É um ponto de aprendizagem muito importante. Hoje, 840 projetos do CDM já estão em funcionamento, e cerca de 1800 estão a caminho de serem registrados. Ele está se provando um instrumento muito significativo para a cooperação internacional.

E é um ganha-ganha tanto para países em desenvolvimento quanto para os industrializados: os primeiros lucram na medida em que recebem investimentos para um futuro de energia mais limpa, os outros porque conseguem alcançar suas metas de redução de emissão a custos mais baixos do que em seu próprio território.

Mas temos que aprimorá-lo para o futuro. Sendo um mecanismo baseado no mercado – o mercado de carbono –, o CDM tende a buscar as opções de reduções mais baratas que estão por aí. Se você realmente quer que países em desenvolvimento mudem o rumo de suas políticas, então também vamos precisar de cooperação entre países no nível governamental, apoiando iniciativas de políticas para países em desenvolvimento.

Como o senhor avalia o engajamento brasileiro no Protocolo de Kyoto desde a sua criação, em 1997?

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Um broto floresce apesar da seca

O Brasil tem sido um país muito ativo nas negociações internacionais sob o Protocolo de Kyoto. Tem sido um dos líderes no Grupo de 77 na China, que é o grande grupo de países em desenvolvimento que participa destas negociações. Nele, o Brasil teve um papel de liderança, e, de fato, trouxe para o centro das negociações muitas das idéias que são chave para a arquitetura do Protocolo de Kyoto .

O Brasil gosta de erguer a bandeira do etanol para afirmar que teve um papel pioneiro no desenvolvimento de biocombustíveis, embora o investimento em álcool não tenha sido originalmente motivado por preocupações ambientais. Como o senhor vê essa posição?

Não acho que haja nada de errado em lucrar com o fato de que se tomou uma decisão por motivos diferentes no passado. Você tem razão que o desenvolvimento do etanol no Brasil foi motivado por outras considerações. Mas, dito isto, o fato é que o Brasil tem hoje um combustível muito vantajoso sob o ponto de vista climático, e, neste contexto, um potencial produto de exportação muito importante.

O Brasil também foi líder em outras áreas, como por exemplo a da energia hidroelétrica. Há diversos setores em que o país está à frente na busca de soluções, mesmo que talvez não primeiramente motivado por soluções para as mudanças climáticas.

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