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Mundo

Clamor por ajuda humanitária

Dizimada a expectativa de uma guerra rápida, cresce a preocupação com o abastecimento da população iraquiana. Mobilização na Alemanha para arrecadar doações. Organizações francesas acusam EUA de usarem fome como arma.

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Fila pela água no sul do Iraque

A Alemanha enviou nesta quarta-feira (26) à Síria 20 toneladas de ajuda humanitária para os refugiados do conflito no Iraque. Entre as doações feitas por várias organizações alemãs estão um pequeno centro de tratamentos de emergência, barracas e pastilhas para a descontaminação de água.

O coordenador da Ação Alemanha Ajuda adverte, no entanto, que esta ajuda nem de longe vai suprir as necessidades dos refugiados esperados nos campos atrás das fronteiras do Iraque. "Tememos uma catástrofe humana dupla, se houver uma escalada da guerra", ressalta Heribert Röhrig, referindo-se aos que fogem das áreas de conflito e aos que ficarão sitiados.

Segundo Heribert, dez milhões de pessoas já estão sem abastecimento básico em Mossul, Basra e na capital iraquiana. As entidades filantrópicas alemãs iniciaram uma campanha de doações na Alemanha, cuja população geralmente é muito prestativa no apoio a este tipo de iniciativa.

Uma gota no oceano

Kurden flüchten von Saddam Hussein

Curdos deixam o norte do Iraque, temendo represálias de Bagdá

A ação conjunta das organizações alemãs de ajuda tem a participação de várias entidades filantrópicas, mas seu esforço concentrado poderá ajudar, no máximo, 350 mil pessoas. Antes da guerra, o abastecimento no Iraque era garantido pelo programa Alimentos por Petróleo, das Nações Unidas. Este programa havia sido instituído em dezembro de 1996 e foi suspenso pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, na semana passada.

A ONU calcula que 600 mil refugiados iraquianos procurarão os países vizinhos e que dois milhões permanecerão no próprio país. A falta de abastecimento já hoje é uma catástrofe, pois 60% (16 milhões) dos 25 milhões de iraquianos dependiam do programa Food for Oil, destaca Wolfgang Jamann, colaborador da ação humanitária alemã.

40% das crianças não vêem razões para viver

Três milhões de crianças do país de Saddam Hussein são consideradas subnutridas. Para 500 mil delas, atrasos no fornecimento de comida podem significar a morte. As crianças iraquianas adoecem, em média, 14 vezes ao ano, principalmente de diarréia ou problemas respiratórios, responsáveis por 70% da mortalidade infantil naquele país, informa Wolfgang Jamann.

Uma pesquisa realizada com as crianças pelas organizações de ajuda humanitária no Iraque no final de janeiro revelou que grande parte delas ainda está traumatizada com a guerra do Golfo de 1991. Quarenta por cento destas crianças admitiram não saber por que vale a pena viver.

Fome como arma

Kind im Flüchtlingslager in Jordanien

Criança no campo de refugiados jordaniano, a 50 quilômetros do Iraque

Entidades filantrópicas francesas acusam os Estados Unidos de estarem usando a fome como arma no atual conflito. A escassez de alimentos no Iraque perdura desde 1992, quando o embargo imposto pela comunidade internacional passou a prejudicar seriamente sua produção.

A única forma de garantir comida era a importação através do programa Alimentos por Petróleo, explica Jean-Cristophe Rufin, presidente da Ação contra a Fome. Ao anunciar seu ultimato contra Saddam Hussein, George W. Bush advertiu que o fornecimento de gêneros alimentícios só seria reiniciado após a capitulação. "Com isso, o governo dos Estados Unidos violou a Convenção de Genebra, que proíbe o emprego da fome como arma", acusa o médico francês.

Embora o Ministério iraquiano do Comércio tenha assegurado que estocou alimentos para garantir o suprimento da população e de eventuais prisioneiros por um período de seis meses, a organização francesa Primeiros Socorros calcula que eles só irão durar um mês, desde que permaneça intacta a infra-estrutura iraquiana para a sua distribuição.

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