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Economia

Ciranda de etiquetas

Produtos "made in Germany": uma farsa? Estatísticas revelam que há um excesso de peças importadas nos produtos exportados pela Alemanha. Um "toma-lá-dá-cá" que traz à economia do país o selo de "bazar industrializado".

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Fábrica da montadora Audi na Hungria

Os dados não mentem: o número de peças importadas dentro dos produtos alemães enviados aos exterior passou de 30% em 1995 para quase 40% em 2002. A simples constatação alarma os especialistas, segundo os quais a industrializada economia alemã revela tendências "de bazar". Ou seja: recrutam-se componentes daqui e dali para finalizar um produto que, de alemão, às vezes só tem o selo made in Germany.

Material e mão-de-obra estrangeira

O caso da indústria automobilística é exemplar. Um carro Audi, cujo motor foi completamente montado na Hungria, costuma sair do país como produto inteiramente nacional, engordando as estatísticas de exportação. "No entanto, é apenas graças à transferência da compra de materiais para o exterior e da mão-de-obra estrangeira, principalmente do Leste Europeu, que a indústria alemã ainda consegue brilhar no ranking das exportações", analisa Hans-Werner Sinn, diretor do Instituto de Pesquisa Econômica ifo, de Munique.

Enquanto a indústria automobilística cresceu 36% entre os anos de 1991 e 2002, a importação de componentes usados na montagem dos veículos teve no mesmo período um estrondoso aumento de 144%. Um cenário que poderia ser descrito também em relação a outros setores da economia, nos quais um número cada vez maior de produtos destinados ao mercado externo passa a conter, se não todas, pelo menos uma boa parte de peças vindas de outros países.

Prejuízos para os trabalhadores?

Schutzbrille in der Industrie

Sinn dá nome aos bois: "A Alemanha se desenvolve rumo a uma economia de bazar, que fornece ao mundo mercadorias baratas e de boa qualidade, mas que não foram produzidas dentro do país". Algumas conseqüências de tal "ciranda de etiquetas" caem nos ombros dos trabalhadores alemães, que têm cada vez menos emprego. A ocupação de mão-de-obra na indústria do país entre 1995 e 2003 recuou 10%. Se o saldo de exportações ainda deixa a Alemanha ocupando um bom lugar no cenário mundial, "a classe trabalhadora no país vem perdendo cada vez mais espaço", comenta Sinn.

Há especialistas que não vêem a situação tão negra como ela vem sendo pintada. "Em economias superindustrializadas como a alemã, deve-se partir do princípio de que a globalização traz vantagens. Se empresas compram material ou produzem no exterior, podem obter mais lucros com as vendas no mercado internacional. E empresas que produzem e vendem mais, precisam de mais mão-de-obra – também dentro da Alemanha", acredita Andreas Cors, especialista em conjuntura do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica (DIW), em Berlim.

Tendência crescente

Se para o bem ou para o mal, fato é que o rápido aumento de peças estrangeiras em produtos made in Germany, em tão curto espaço de tempo, é inusitado. E acredita-se que a tendência é de que principalmente as empresas de médio porte venham a transferir cada vez mais parte da produção para fora do país. "O alto número de importados dentro das exportações denota, de início, apenas uma integração crescente na economia mundial", conclui Jörg Krämer, diretor econômico do fundo de investimentos Invesco ao diário Kölner Stadt-Anzeiger.

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